Publicado por: syrin | 6 Novembro, 2009

Warehouse 13 S1

warehouse8

“We take the unexplained… and we just safely tuck it away in this super-sized Pandora’s Box.”

Lembram-se daquele armazém no final de “Os Salteadores da Arca Perdida”, onde o caixote contendo a arca da aliança foi guardado para nunca mais ser visto no meio de milhares de outros caixotes cheios de pó numa qualquer base secreta americana? Pois bem, em 2009 o segredo desse armazém é finalmente desvendado nesta nova série do antigo Sci Fi Channel, “Warehouse 13”.

Escondido nas planícies do Dacota do Sul, junto de pedras, vacas e bolas de futebol americano misteriosas, situa-se o Armazém 13, o local onde todos os segredos e objectos sobrenaturais vão morrer. Neste gigantesco armazém encontra-se de tudo – de aviões a armas futuristas criadas no século XIX, de quadros maléficos a chaleiras que realizam os nossos maiores desejos, de estranhos raios azuis a furões. Todos estes objectos são recolhidos, catalogados, embalados e armazenados até que caiam no esquecimento. No fundo este armazém é, nas palavras do seu guardião, Artie (Saul Rubinek), como “o sótão lá de casa”. E para os agentes secretos Peter Lattimer (Eddie McClintock) e Myka Bering (Joanne Kelly), este vai ser o começo de uma grande aventura.

Sem trazer nada de novo à televisão, “Warehouse 13” não é uma má série. Tem um pouco do ambiente de “The X-Files”, com os dois agentes de personalidades opostas a trabalharem na área sobrenatural, mas falta-lhe algo do mistério e do suspense que essa série tinha. Tem o seu quê de “Eureka”, com a cidadezinha perdida onde estão guardados os maiores segredos do país, e o humor simples que esta proporciona. Tem os casos e os objectos divertidos de “The Middleman” sem, no entanto, conseguir igualá-la a nível dos maravilhosos diálogos e do ambiente kitch e retro dessa injustiçada série. Tem a premissa de episódios soltos, com casos semanais mais ou menos interessantes, e uma história maior de fundo que, quando surge, eleva logo a qualidade dos episódios para um novo patamar, como no caso de “Implosion” ou “Breakdown”. Tem boas interpretações não só dos três principais, mas também de Allison Scagliotti no papel da jovem Claudia e, especialmente, de CCH Pounder no papel da misteriosa Mrs. Frederic. Tem vestígios de “The Lost Room”, de “The Librarian”, de “Fringe”. No fundo, “Warehouse 13” é uma amálgama de tudo aquilo que já vimos para trás, e isso fica claro do início pouco animador até ao final explosivo em “MacPherson”, que prova que, quando quer, esta história consegue dar o salto.

Sem nunca conseguir ser uma série inovadora ou mesmo competente no desenvolvimento das suas histórias individuais; sem nunca conseguir largar aquele estigma de série de verão leve que se vê bem nas férias mas que rapidamente se esquece no final dos quarenta e poucos minutos; sem nunca conseguir chegar ao patamar de outras semelhantes que por aí andam, “Warehouse 13” conseguiu, ainda assim, apresentar-nos alguns bons momentos, mas não o suficiente para regressar a este cantinho para uma segunda temporada.

Publicado por: syrin | 1 Novembro, 2009

True Blood S1

true-bloo2

“There’s vampire in your cleavage. Here, let me get that for you”

Bons Tens, Louisiana. Numa pequena cidade sulista recheada de campónios, uma série de assassinatos agita toda a comunidade. Jovens mulheres, belas e de reputação duvidosa, são encontradas brutalmente assassinadas, causando o pânico e a desconfiança entre os habitantes. Poderá o assassino ser um dos membros da comunidade, um qualquer familiar ou amigo de longa data? Ou poderá tudo isto estar relacionado com as surpreendentes revelações que trouxeram à luz do dia um segredo há muito escondido?

Assim começa “True Blood”, a última obra prima de Alan Ball que, depois do brilhante “Six Feet Under”, resolveu dedicar-se novamente a explorar o ser humano na sua condição mais básica, servindo-se para isso do sobrenatural. Baseada na obra de Charlaine Harris “The Southern Vampire Mysteries”, “True Blood” é uma fusão de policial, mistério, drama, comédia, humor negro e sobrenatural que consegue superar as barreiras dos géneros e conquistar todos aqueles que lhe dão uma hipótese.

Sookie Stackhouse (Anna Paquin) podia ser uma rapariga como outra qualquer. Empregada de balcão no bar da cidade, vive com a avó que a criou e passa os dias a tentar pôr algum senso na cabeça do irmão Jason (Ryan Kwanten). Mas tudo muda no dia em que um misterioso homem chega à cidade, pondo a comunidade no centro de um problema racial. Com a descoberta de um substituto para o sangue humano, os vampiros revelam-se ao mundo inteiro e procuram encontrar o seu lugar. Para Bill Compton (Stephen Moyer) isso significa regressar à sua cidade natal, onde vai despertar todos os ânimos, especialmente os de Sookie e de Sam Merlotte (Sam Trammell), dono do bar com uma paixão não correspondida por Sookie e um segredo surpreendente na sua manga.

Sexo, romance e sangue, muito sangue, é o que nos prometem de início, e não enganam… mas “True Blood” é muito mais do que apenas isso. Se o obrigatório romance entre Sookie e Bill parece, de certa forma, estranho, enfadonho e apressado demais, como reclama (e muito bem) Tara (Rutina Wesley), a melhor amiga de Sookie, revela-se no entanto indispensável para ver como a pequena comunidade lida com aquilo que é diferente.

Numa época em que os vampiros estão na moda, para o bem e para o mal, o universo aqui criado consegue surpreender-nos pela forma como se aproxima do nosso, como tenta, no meio da fantasia, fazer-nos confrontar os nossos próprios preconceitos e aceitar uma realidade menos desejada. Para isso, o local escolhido não podia ter sido outro: a cidade de Bons Temps está recheada de personagens curiosas que nos deixam a rir a bandeiras despregadas com as suas posições caricatas mas que, ao mesmo tempo, se revelam um reflexo (exagerado) do que podemos encontrar dentro de todos nós. Terry (Todd Lowe), o veterano que guarda ainda os pesadelos da guerra do Iraque, Arlene (Carrie Preston), a empregada do bar que tenta arranjar um novo pai para os filhos, Hoyt (Jim Parrack), o menino da mamã, Andy (Chris Bauer), o detective pouco competente, todas estas personagens secundárias dão um colorido diferente à série e revelam-se peças essenciais para o sucesso da mesma, especialmente Lafayette (Nelsan Ellis), que nos conquista em cada cena em que aparece. Mas porque esta é uma série de vampiros, do outro lado do espectro encontramos também personagens marcantes. Bill é o vampiro amigo, que se apaixona por uma humana e que tenta ajudar todos os que pode, para o bem e para o mal, enquanto que para Eric (Alexander Skarsgard), xerife responsável pelo condado, e os seus comparsas do bar Fangtasia, os humanos são apenas alimento muito necessário. Mas porque em “True Blood”, tal como na vida, nem tudo é o que parece, as suas aliaças poderão vir a mudar com o tempo, e as verdadeiras intenções por detrás de cada gesto prometem trazer grandes surpresas.

Imperdível para fãs de boas histórias, grandes interpretações, humor negro e um pouco de gore, a primeira temporada de “True Blood” pode não nos conquistar à primeira, mas chegados ao grito final, é difícil deixar de se sentir enfeitiçado.

Publicado por: syrin | 31 Agosto, 2009

Virtuality

virtuality_cast1

Follow me through the mirror and down a rabbit hole. Trust me, it has to be this way.

Espaço. Um futuro próximo. Na nave Phaeton, doze homens e mulheres participam numa missão de exploração de uma galáxia distante quando recebem a notícia aterradora: em menos de um século, o planeta irá tornar-se inabitável. De um momento para o outro, o que era uma missão de exploração transforma-se na última esperança para a população do planeta. E sobre os ombros destes homens e mulheres recai agora a decisão: partir para o desconhecido ou regressar a casa.

Das mãos de Ronald D. Moore e dos seus companheiros de “Battlestar Galactica”, surge mais uma pérola da ficção científica, que supera géneros e nos obriga a pensar. Mais do que uma “space opera”, “Virtuality” é um ensaio sobre aquilo que entendemos como verdadeiro, sobre as barreiras ténues que existem entre a ficção e a realidade, e o que isso pode significar para a nossa vida.

Num mundo progressivamente mais virtual, onde as realidades alternativas e fictícias se tornam cada vez mais parte do nosso dia a dia, não é de estranhar que temas como os explorados nesta série comecem a surgir cada vez mais. Com uma viagem de dez anos pela frente, a tripulação serve-se dos seus módulos de realidade virtual para descontrair, aliviar a tensão de uma convivência apertada e viajar em cenários imaginados. Mas quando um erro informático começa a afectar estas realidades virtuais e a matar os seus utilizadores, a diversão poderá vir a tornar-se perigosa para os tripulantes da Phaenton. O que era uma simples aventura espacial ganha assim contornos potencialmente devastadores, com consequências inesperadas para todos e especialmente para o comandante Frank Pyke (Nikolaj Coster-Waldau).

Se a história base é suficientemente interessante para chamar a atenção, a diversidade da tripulação revela não só uma tentativa de tornar a série o mais abrangente mas também o mais realística possível, e os efeitos especiais são impressionantes, como se confirma no preparar da nave para a viagem, são sem dúvida os pequenos detalhes sobre o universo em que esta série se insere e os mistérios que se abrem com o fechar da história que a lançam para um outro patamar. Dos pequenos anúncios ao reality show filmado a bordo “Edge of Never: Life on the Phaeton”, que nos apresentam a Roger Fallon (James D’Arcy) às mensagens crípticas sobre patrocinadores, companhia e consórcios poderosos que tudo governam, das inimizades do dia a dia que deixam os nervos à flor da pele mas que se resolvem com conversas francas nos momentos mais inesperados, como entre Billie Kasmiri (Kerry Bishé) e Sue Parsons (Clea DuVall), dos desejos reprimidos de Alice Thybadeu (Joy Bryant) e Rika (Sienna Guillory) aos dilemas dos Dr. Johnson (Richie Coster) e Meyer (Omar Metwally), tudo é tentativamente explorado, deixando-nos com vontade de saber mais sobre estas personagens e sobre esta história. E com o inesperado final, que abre as portas a um aprofundar da componente psicológica, transformando esta missão no mais real Survivor alguma vez já feito, a vontade de continuar a ver é cada vez maior.

Quem será o misterioso assassino? Será uma entidade virtual ou a manifestação de alguém muito real? Qual o significado da mensagem de Pyke a Rika? Qual o verdadeiro objectivo por detrás desta missão e deste reality show? Será apenas um jogo, no qual os concorrentes não sabem que se encontram? Com o cancelamento da série, todos estes mistérios irão ficar, infelizmente, em aberto. Mas caso algum dia esta série venha a sair da gaveta, trará consigo de certamente histórias muito interessantes.

Publicado por: syrin | 26 Agosto, 2009

Stargate SG-1 S4

stargate4
Lose it. It means, go crazy… nuts… insane… bonzo… no longer in possessions of one’s faculties… three fries short of a Happy Meal… WACKO!!

Trama principal intrigante. Histórias secundárias interessantes. Atenção à continuidade. Evolução das personagens. Acção e aventura. Humor. Ficção científica. Separadas, encontramos estas características em muitas séries, mas quando as conjugamos, é a quarta temporada de “Stargate SG-1” que descobrimos.

Continuando a curva ascendente que trazia da temporada anterior, os vinte e dois episódios que constituem o quarto ano de “Stargate SG-1” revelam uma série que encontrou o seu caminho e que o soube explorar da melhor maneira. Com a guerra contra os Goa’uld sempre presente, é no entanto o aparecimento de um novo e formidável inimigo que irá lançar a temporada. Os Replicators, máquinas que se auto-copiam e que nem mesmo os poderosos Asgard conseguem derrotar, continuam a espalhar-se pela galáxia, ameaçando não só os aliados dos Tau’ri, mas também o próprio planeta Terra. Se os primeiros confrontos em “Nemesis” e “Small Victories” provam ser difíceis, é com a batalha contra Apophis em “Exodus” que os Replicators se assumem como o próximo inimigo a abater.

Entre dois grandes inimigos, e com alguma dificuldade em manter relações cordiais com os mais próximos aliados, os Tok’ra, o Comando de Stargate vê-se confrontado com muitos dilemas por essa galáxia fora, mas é também dentro da sua própria casa que o perigo se encontra à espreita. Com os russos a pressionar em “Watergate” e o NID sempre à espreita em “Chain Reaction” não há descanso para a equipa, mas pelo menos o bom humor fica garantido graças à sempre hilariante presença do Coronel Maybourne (Tom McBeath).

Numa temporada que se apoia cada vez em histórias passadas e personagens recorrentes e que consegue criar episódios memoráveis como “2010” e “Window of Opportunity”, é também aqui que se confirma a evolução das personagens e dos actores que os interpretam. Para o Coronel O’Neill (Richard Dean Anderson) e a Major Carter (Amanda Tapping), esta é a temporada da linha ténue entre os sentimentos pessoais e as regras militares, com admissões sentidas que deixam marcas profundas e que têm o seu expoente máximo em “Divide and Conquer”, “Beneath the Surface” e “Entity”. Depois dos desgostos que sofreu, Daniel Jackson (Michael Shanks) encontra-se mais seguro de si e do seu papel na equipa, pondo à frente de tudo o seu trabalho – de linguista, arqueólogo, mas também de compasso moral da equipa- , mas os Goa’uld parecem querer roubar-lhe todos os entes queridos, como se verifica em “The Curse”. Quanto a Teal’c (Christopher Judge), a vitória só chegará quando o seu povo estiver livre da escravidão, e as razões para lutar aumentam exponencialmente com a resolução de “Crossroads”, despoletando uma crise que poderá prolongar-se por muito tempo. Mas porque esta é e será sempre uma história dedicada a uma equipa, os problemas individuais e os ocasionais atritos serão sempre ser superados graças à amizade que os une, e que se estende também ao General Hammond (Don S. Davis), à Dra. Frasier ( Teryl Rothery) e a Jacob (Carmen Argenciano)

Vinte e dois episódios recheados de histórias intrigantes, personagens principais e secundárias marcantes, e muito humor fazem desta a melhor temporada de “Stargate SG-1″, e deixam a promessa de muitas outras aventuras para os anos que seguirão. Deste lado, já teve direito a uma prateleira especial dedicada às suas aventuras.

Publicado por: syrin | 23 Agosto, 2009

Better Off Ted S1

betteroffted

Products are for people who don’t have presentations.

Há séries tão incríveis, tão inusitadas, que é impossível não nos rendermos a elas. E se a temporada não foi pródiga em grandes estreias, não há dúvida que “Better Off Ted” conquistou todos aqueles que a descobriram.

Veridian Dynamics, uma corporação multinacional, é o palco desta nova comédia da ABC. Como em muitas outras corporações multinacionais sem escrúpulos, onde se põe o dinheiro à frente dos valores morais, aqui criam-se os mais divertidos e estranhos produtos, desde pratos que pegam fogo a abóboras assassinas ou mesmo a bifes sem carne, tudo em nome da ciência – e do dinheiro, é claro.

O nosso protagonista é Ted Crisp (Jay Harrington), director do departamento de investigação, que procura balançar a sua carreira, a sua moral e a vida como pai solteiro da pequena Rose. A seu cargo tem dois dos melhores cientistas da companhia – Phil (Jonathan Slavin), o mais sensível, e Lem (Malcolm Barret), o mais pragmático – bem como Linda (Andrea Anders), chefe do departamento de testes, uma mulher divertida que intriga Ted mas que nunca poderá ser mais do que sua amiga por a quota de romances no escritório já ter sido gasta. A supervisionar tudo e todos encontra-se Veronica (Portia de Rossi), uma mulher fria e calculista, sem escrúpulos ou boas maneiras, que tudo faz para garantir o sucesso dos projectos mas que, por vezes, consegue mostrar um lado mais sensível.

Das estranhas políticas corporativas à burocracia, das ineficiências aos cortes de custos controversos, tudo é debatido nestes pequenos episódios, mas são as situações caricatas e, especialmente as personagens adoráveis que populam esta corporação, que nos convencem episódio atrás de episódio. Phil e Lem são uma das melhores (e mais estranhas) duplas de cientistas já vistas na televisão, homens que tudo fazem em prol da ciência, mesmo quando isso implica serem congelados vivos, e cada momento que estão no ecrã torna-se uma pérola, mas é sem dúvida a interpretação de Portia de Rossi como Veronica, a implacável chefe com alguns segredos no armário, a mulher que nunca tem um cabelo fora do sítio mas que consegue, por vezes, surpreender tudo e todos, que nos conquista definitivamente.

Com apenas treze episódios, a primeira temporada de “Better Off Ted” pode ter passado despercebida a muitos. Mas para todos aqueles que quiserem soltar uma boas gargalhadas, esta é a série ideal. A segunda temporada está já garantida, e se nos trouxer mais anúncios “Bosses! Better” ou momentos como os vistos em “Racial Sensitivity”, irá certamente entrar para o rol das favoritas deste cantinho.

Publicado por: syrin | 21 Agosto, 2009

House S5

house5
You know what they say.
If at first you don’t succeed, try, try, try, try, try, try, try, try again.

É marcante a diferença que um ano pode trazer. Há um ano, aplaudia-se por estas bandas a forma como uma série com várias temporadas tinha conseguido reinventar-se, sair do marasmo em que tinha caído e apresentar histórias diferentes que nos prendiam ao ecrã. Isso foi há um ano. Agora, vinte e quatro episódios depois, a única certeza que temos é que não podemos dar nada por garantido, e que uma série pode ir de muito bom a mau em pouco tempo.

Depois dos tristes eventos de “Wilson’s Heart” nada poderia permanecer igual no universo de “House M.D”. E aquilo que mais temíamos acontece: a amizade de House (Hugh Laurie) e Wilson (Robert Sean Leonard), aquele rochedo que sobreviveu às mentiras, às partidas, às injúrias e mesmo aos processos criminais, aquilo que, desde o primeiro momento, mais nos agarrou ao ecrã, encontra-se irremediavelmente perdido. Como o título do primeiro episódio nos deixa adivinhar, a morte muda tudo, e não é por isso de estranhar que “Dying Changes Everything” nos traga uma ruptura entre os amigos. A falta de um melhor amigo com quem partilhar os seus casos e as novas possibilidades que isso poderia trazer na relação com Cuddy (Lisa Edelstein), especialmente com uma equipa nova que ainda não estava solidificada, poderiam ter trazido a esta série uma nova trama interessante, dado à história uma nova direcção no seu quinto ano. Infelizmente o que aconteceu foi exactamente o contrário.

Se, ao longo das temporadas, já tínhamos por diversas vezes visto os conflitos mais graves a serem resolvidos (ou ignorados) rapidamente, visto a evolução das personagens e das suas relações a fazerem marcha-atrás e a regressarem ao “status quo” anterior, é natural que não esperássemos ver a crise entre House e Wilson a durar muito. O que não esperávamos, no entanto, é que fosse resolvida em meros quatro episódios, perdendo todo o seu impacto e deixando-nos com vinte episódio mais para encher até ao final. Apostando em histórias que provaram ser pouco interessantes, como toda a trama do detective privado (Michael Weston) ou os dilemas pessoais da nova equipa, especialmente da aborrecida Thirteen (Olivia Wilde), das suas questões sexuais e da estranha relação com Foreman (Omar Epps), capaz de pôr a dormir até o espectador mais acérrimo, deixando para trás Taub (Peter Jacobson) e Kutner (Kal Penn) de tal maneira que quase nos esquecíamos deles, e continuando a seguir a fórmula base dos casos médicos em todos os episódios, não é de estranhar que esta se tenha revelado na temporada mais fraca até aqui.

E, no entanto, nos raros momentos em que se tenta fazer algo de diferente, “House” consegue ainda mostrar a sua força. Hugh Laurie é o portento por detrás da série e Lisa Edelstein destaca-se nos momentos em que tem oportunidade de mostrar o seu valor, como em “Joy”, mesmo se a sua história pareça, por vezes, pesada ou forçada demais. Episódios mais alegres como “House Divided” ou diferentes como “Locked In” mostram porque esta é ainda uma das séries mais vistas em todo o mundo. Mas, por entre alguns raros momentos de génio, surgem episódios inacreditáveis como “Last Resort” ou “Simple Explanation”, tentativas óbvias de chocar que apenas têm o efeito contrário.

Cinco anos, cento e dez episódios depois, tudo continua na mesma em House. A tentativa de conjugar uma série estilo “procedural” com o desenvolvimento das personagens revelou-se infrutífera, resultando numa temporada desconexa e aborrecida, que nos deixa sem qualquer vontade de regressar, semana após semana, a este hospital para ver mais do mesmo. E mesmo que “Both Sides Now” nos tenha surpreendido pela reviravolta que trouxe a tudo o que pensávamos saber, a verdade é que a experiência já nos deixa adivinhar que as suas consequências não virão a ser duradouras. E isso poderá ser a morte da série… pelo menos por estas bandas.

Mensagens Antigas »

Categorias