Posted by: syrin | 12 Outubro, 2008

Weeds S4

Life is blah, blah, blah. You hope for blah and sometimes you find it but mostly it’s blah…

O que acontece a uma série quando a tiramos do seu elemento? Será que ganha nova vida, que renasce das cinzas e tem pernas para vingar sozinha? Ou será que, simplesmente, continua na espiral decadente que vinha a seguir?

Depois de uma terceira temporada que começou bem, mas que rapidamente diminuiu de qualidade, Weeds precisava de se redimir, e a mudança de cenário para a fronteira entre a Califórnia e o México parecia ser a ideal. Uma nova vida para as personagens, uma história diferente, e uma oportunidade profissional para a protagonista, que passava desta forma de traficante de bairro a correio de drogas entre os lados da fronteira. Infelizmente, longe de trazer consigo uma muito necessária mudança à história, esta quarta temporada de Weeds apenas conseguiu confirmar que a grande revelação do canal Showtime se encontra pelas ruas da amargura.

Aquilo que sempre distinguiu Weeds foi o seu humor negro e a sua capacidade de criticar a sociedade americana. A história de uma mãe dos subúrbios que, após a morte do marido, resolve transformar-se em traficante de droga na sua comunidade, dava-nos a oportunidade de soltar umas belas gargalhadas, ao mesmo tempo que nos deixava a pensar sobre os caminhos que escolhemos. As personagens, longe de serem estereótipos, conseguiam, pelo meio de situações caricatas e mesmo absurdas, mostrar algum profundidade. Nancy (Mary-Louise Parker) era claramente uma mulher que fazia más escolhas, que se envolvia com os homens errados por acaso, mas que tentava dar o melhor à sua família. Os filhos, pelo meio das típicas crises da puberdade e da adolescência, procuravam uma figura paternal, que o tio Andy (Justin Kirk) tentava, de forma não convencional, dar. E os amigos e vizinhos, sem dúvida as personagens mais hilariantes pela forma como nos deixavam adivinhar a vida nas comunidades fechadas, eram obrigados, mesmo assim, a lidar com problemas normais, como casamentos desfeitos e tratamentos contra o cancro.

Longe de tudo o que lhe era familiar, a quarta temporada caiu no erro criar situações tão absurdas, tão inusitadas, que qualquer ligação com a realidade se tornava difícil de reconhecer. De comédia inteligente e mordaz, Weeds passou assim a ser uma comédia insípida que procura a piada fácil, recorrendo ao sexo como forma de compensar a clara falta de história. A chegada a Ren Mar até trouxe algum humor à história, com a entrada em cena do sogro de Nancy, Lenny (Albert Brooks), e a sua obsessão pela morte anunciada da mãe, mas tão rápida quanto a sua partida foi o declínio da história, que sofreu tantas voltas e reviravoltas, tantas entradas e saídas de personagens, que quase se tornava difícil saber em que pé se encontrava. Se Silas (Hunter Parrish) e a sua nova conquista, e Shane (Alexander Gould) e o seu novo estatuto na escola não contribuíram em nada para a história, já os esquemas de Andy e um regressado Dean (Kevin Nealon), surgido sabe-se lá como de Magestic, foram de morrer de tédio. E nem mesmo a melhor personagem de todas as temporadas, a inigualável Celia Hodes (Elizabeth Perkins), foi desta vez poupada: começou a temporada na cadeia, de onde saiu para ser espiã da polícia; foi parceira de tráfico de Nancy, vendedora na loja para grávidas, e viciada em drogas até ser, prontamente, enviada para um centro de recuperação, de onde saiu para viajar até à Guatemala à procura da filha perdida, que não vemos desde o primeiro episódio da série. Tudo isto em treze episódios sem qualquer ponta de humor.

Mas se todas estas histórias foram fracas, nenhuma se compara à ridícula invenção de um túnel entre o México e a loja de Nancy, que em vez de a fazer pôr, de uma vez por todas, a mão na consciência, serviu apenas como forma de arranjar mais um par romântico a uma desesperada Nancy. Com o currículo de Nancy nas últimas temporadas, é bom que Esteban Reyes (Demian Bichir) se cuide, pois poderá vir a ser a próxima vítima desta viúva negra.

Quando se lida com uma temporada muito fraca, onde nenhuma história se evidencia, é difícil escolher um momento para a ilustrar, mas desta vez a frase de Andy é a perfeita para caracterizar uma temporada onde tudo foi… bom… blah!

Posted by: syrin | 30 Setembro, 2008

Sports Night S1

Can we be men for a second?
Okay, but just a second.

Com o cancelamento precoce de “Studio 60 on the Sunset Strip”, uma das séries favoritas da temporada passada, e o vazio que fica quando se chega ao último episódio de “The West Wing”, procura-se de tudo para colmatar as saudades da escrita de Aaron Sorkin. E é por isso que, mesmo quem não aprecia desporto e costuma mudar de canal cada vez que o telejornal muda para esse tema, dá uma oportunidade a “Sports Night”.

Na verdade, Sports Night é uma série sobre desporto apenas em nome - nos bastidores deste programa, o que tem mais destaque são as relações entre as personagens e o seu trabalho diário em busca do programa perfeito. Casey McCall (Peter Krause) e Dan Rydell (Josh Charles) são os apresentadores do programa, dois grandes amigos que passam o tempo a picarem-se um ao outro e a darem cabo da cabeça a Dana Whitaker (Felicity Huffman), a produtora. Natalie Hurley (Sabrina Lloyd) e Jeremy Goodwin (Joshua Malina) são completos opostos que gravitam inevitavelmente um para o outro e criam confusões por onde passam, e a supervisionar tudo e todos está Isaac Jaffee (Robert Guillaume), que mantém sempre a calma sobre pressão e consegue controlar mesmo as explosões mais estranhas de Dana. Se as notícias sobre os vários desportos são a base dos episódios, o que ganha destaque são os divertidos diálogos de Aaron Sorkin, como sempre ditos à velocidade da luz no já famoso “Walk and Talk”, que nos deixam conhecer as pessoas por detrás das câmaras.

Caracterizar “Sports Night” como uma comédia é um pouco problemático: embora exiba, durante a primeira temporada, uma muito irritante gargalhada gravada no fundo, que não se adequa de forma alguma aos diálogos de Sorkin, “Sports Night” tenta sempre tratar assuntos mais sérios como a violência, o racismo, as drogas e a ética profissional, entre outros, temas que o criador viria a desenvolver mais tarde noutras séries. No entanto, esta tentativa de misturar assuntos sérios e, ao mesmo tempo, manter o tom humorístico, acabou por prejudicar a série, que não conseguiu convencer público suficiente e acabou por ser cancelada no final da segunda temporada.

Mesmo se a série melhore com o passar dos episódios, à medida que vamos conhecendo melhor as personagens e que as várias histórias vão convergindo num ponto central, a verdade é que “Sports Night” mostra um Aaron Sorkin ainda muito verde, sem o fulgor que viria a revelar nos seus tempos áureos da Casa Branca. Talvez por isso, a série não consigue convencer. De qualquer maneira, porque os 22 episódios da segunda temporada são os finais, e porque se espera que haja uma resolução para algumas das crises que ficaram ainda em aberto em What Kind Of Day Has It Been, será dada nova oportunidade a “Sports Night”. E mesmo se, no final, a série não consiga convencer, dá-nos pelo menos a oportunidade de ver os primeiros passos de membros do elenco e actores convidados que viriam a ganhar destaque em “The West Wing”.

Posted by: syrin | 28 Setembro, 2008

Flashpoint S1

O que torna uma série diferente? Será um conceito inovador? Personagens únicas? Interpretações brilhantes? Um cenário e uma acção fora do normal? Num panorama televisivo que se torna cada vez menos brilhante, conseguem encontrar-se ainda assim algumas séries que saem fora da fórmula habitual, que ousam ser diferentes e que conseguem, por vezes, marcar. E depois há outras, como “Flashpoint”, que embora tentem, não conseguem deixar o seu estigma de cópias.

Séries policiais encontram-se às dezenas, e a CBS parece ser a sua casa mãe. Talvez por isso, quando a greve dos argumentistas prometia dar cabo da programação de verão, a CBS se tenha virado para as séries canadianas da CTV, como forma de tapar os buracos deixados pelo final dos seus próprios programas. E “Flashpoint” tem tudo para se dar bem na CBS: a história gira à volta dos membros de uma equipa de intervenção rápida (vulgo S.W.A.T.) canadiana, treinados para responder em missões de alto risco - desmantelando bombas, enfrentando organizações criminosas e, especialmente, salvando reféns. A liderar a equipa encontra-se o sargento Gregory Parker (Enrico Colantoni), que juntamente com veterano Ed Lane (Hugh Dillon), a competente Jules Callahan (Amy Jo Johnson), e o novato Sam Braddock (David Paetkau), vai tentar salvar os inocentes e manter segura a sua cidade.

Inspirada pelos casos reais da Emergency Task Force canadiana, “Flashpoint” tem alguns pontos a seu favor: o cenário canadiano, neste caso a cidade de Toronto, apresenta uma refrescante localização, longe das habituais grandes cidades norte-americanas, e o destaque dado aos procedimentos técnicos dos membros da equipa, que vão desde os relatos das missões à linguagem própria dos franco-atiradores, dá alguma credibilidade às histórias. Mas, ao mesmo tempo, o constante recurso às situações de reféns, a estrutura típica dos episódios, que começam invariavelmente “in media res”, e a importância excessiva dada à psicóloga, Amanda Luria (Ruth Marshall), que com as tecnologia de que dispõe, mais parece estar num qualquer episódio do “CSI”, tornam a série cansativa e igual a tantas outras.

Mesmo com uma temporada de apenas 13 episódios, a verdade é que sete foram suficientes para ver que, embora não seja uma má série, Flashpoint não convence. E é por isso que não irá voltar a figurar neste cantinho.

Posted by: syrin | 23 Setembro, 2008

House S4

So, here we are, the big moment. Which of you gets to live to be abused another day, and which of you goes home and rationalizes being fired as character building.

Quando, há muitos anos atrás, se iniciou este vício, ficou desde logo estabelecida a preferência por séries que apresentem arcos de história contínuos, que respeitem a continuidade e nos deixem a amaldiçoar a televisão cada vez que, no final do episódio, aparecem as fatídicas palavras “to be continued”. Talvez por isso nunca houve grande paciência para seguir os tão famosos “procedurals”, onde o mistério é estabelecido, investigado e resolvido em cada episódio. Mas, de vez em quando, surge uma série deste género que se destaca, e entre estas, House é sem dúvida o melhor.

Há séries que valem pela sua premissa interessante, pela acção explosiva, pelo mistério que apresentam ou, simplesmente, pelo humor diferente. E há outras, como House, que valem pela oportunidade de ver um grande actor em acção. Se Hugh Laurie sempre foi o grande motor por detrás desta série, na quarta temporada conseguiu provar que não precisa de mais ninguém para fazer a festa. A reviravolta trazida pela saída de personagens antigas como Chase (Jesse Spencer), Cameron (Jennifer Morrison) e Foreman (Omar Epps), deixava uma incerteza pela direcção da série, especialmente depois de uma temporada que começou bem, mas que rapidamente teve uma quebra de qualidade mas, por outro lado, representava também uma oportunidade de mexer numa história que corria sérios riscos de estagnar após tantos episódios. Felizmente, a aposta foi ganha, e a quarta temporada de House regressou à qualidade a que nos tinha habituado.

Sem equipa com quem trabalhar, e sem os seus habituais alvos, House continua mesmo assim a resolver os mais incríveis mistérios médicos, servindo-se do pessoal de apoio do hospital para as suas divagações. Alone, o primeiro episódio da temporada, é um óptimo testemunho da força de Hugh Laurie no seu papel, e uma prova de que não é preciso muito mais para ter um óptimo episódio, mas também nos obriga a reconhecer a falta que faz uma equipa que possa ser torturada por House. A componente humorística sempre esteve em destaque nesta série, com a ajuda de um humor negro muito próprio da personagem principal, e é por isso bem vinda a competição ao estilo Survivor estabelecida por House para preencher as três vagas deixadas pela antiga equipa. Mesmo sabendo de antemão que a selecção não poderia arrastar-se pela temporada inteira, não deixa de ser divertido ir conhecendo os diversos intervenientes, descobrindo os seus segredos e suas personalidades, que podem por vezes surpreender, como Cole (Edi Gathegi) em You Don’t Want To Know, ou tornarem-se icónicas, como a Cutthroat Bitch da grande revelação do novo elenco, Anne Dudek. E muito embora a escolha final dos candidatos nos deixe receosos de um retornar à fórmula anterior da série, especialmente com a escolha da Thirteen de Olivia Wilde, que não é mais do que uma cópia de Cameron, a verdade é que a opção por episódios diferentes como Whatever It Takes e Frozen mostram que ainda há algo por explorar neste universo. E que, por vezes, lúpus pode mesmo ser a resposta correcta.

Com uma nova equipa, e com a presença constante (se bem que subaproveitada) da equipa antiga, não faltaram personagens com quem lidar nesta quarta temporada, mas é quando se foca no seu núcleo central House-Wilson-Cuddy que a série mostra o seu grande valor. A relação entre House e Wilson (Robert Sean Leonard) sempre foi uma das mais importantes da série - aquela em que House mais se apoia, mas também aquela que mais sofreu ao longo das temporadas. Cada vez que pensámos que Wilson estaria farto de sofrer, de ser preso, de ver a sua vida a andar para trás com a perseguição de Tritter, ele regressava para ajudar o amigo. Mas com os eventos do espectacular House’s Head, um episódio que ficará marcado na história da série pela recriação do desastre, pela brilhante reviravolta que trouxe à história, e por uma certa cena que pôs a maioria dos espectadores masculinos da série a babar pela Cuddy de Lisa Edelstein, tudo promete vir a mudar. O coração partido de Wilson não será tão fácil de sarar quanto as doenças dos restantes pacientes que passaram pelo Hospital de Plainsborough, e promete vir a afectar mesmo o médico mais insensível de sempre. Espera-se apenas que a quinta temporada consiga manter a grande qualidade que na anterior foi apresentada.

Posted by: syrin | 4 Setembro, 2008

Generation Kill

You americans killed a lot of sand with your fire bombs, the sand was truly evil

Cinco anos de bombas, guerra, invasão, mortos, ataques suicidas, discursos inflamados e armas de destruição maciça que insistem em não aparecer em lado nenhum. Cinco anos do baralho de cartas mais famoso do mundo, de avanços e recuos, de operações pela liberdade e de mortes incessantes. Cinco anos a ver as mesmas caras a dizer as mesmas mentiras, caras que representam uma guerra sem fim. Mas quando, há cinco anos atrás, se deu a invasão do Iraque, foram outras as caras que marcaram a guerra e fizeram história, caras desconhecidas de todos nós, finalmente reveladas durante os sete episódios da mini-série da HBO, Generation Kill.

Quando Evan Wright viajou até Camp Mathilda no Kuwait para se juntar aos fuzileiros do primeiro batalhão de reconhecimento do exército americano, esperava poder descobrir a verdadeira face do conflito e testemunhar em primeira-mão a mudança de um país. O que encontrou foi mais do que isso: encontrou uma nova geração, viciada em jogos de computador e cultura popular, mais comovida pela televisão do que pelas mortes que testemunha, uma geração que se encontra insensibilizada pela violência, e que por isso mesmo se torna crucial para esta guerra. Ao longo dos 40 dias em que acompanhou o pelotão Bravo, Wright partilhou as emoções, as angústias, a diversão, o desespero, as frustrações e a confusão deste grupo de soldados que apenas quer cumprir a sua missão. O relato que trouxe consigo, publicado primeiro na revista Rolling Stone e transposto agora à televisão pelos mestres criadores de The Wire, é um excelente documento vivo que procura honrar o feito e a humanidade escondida dos seus heróis, ao mesmo tempo que expõe a futilidade da sua missão.

Ao bom estilo da The Wire, Generation Kill não é uma série de fácil consumo. Compreender a complicada hierarquia militar e reconhecer personagens diferentes que parecem talhadas do mesmo molde obriga a uma atenção redobrada, tornando por isso os primeiros episódios um pouco lentos, mas há medida que a história avança e que conseguimos identificar as várias figuras, apercebemo-nos das diferentes personalidades e experiências que tornam estas personagens um espelho da verdadeira guerra. A segurança e a serenidade de Brad “Iceman” Colbert (interpretado pela revelação Alexander Skarsgard) contrastam com a personalidade efusiva e as teorias malucas de Ray Person (James Ransome), mas são ambas o resultado de uma já grande experiência de combate, transposta agora para um novo cenário.

Sem nunca dar lições de moral ou obrigar-nos a escolher entre defensores e detractores da invasão, Generation Kill não se coíbe de atacar frontalmente os problemas desta guerra, que vão desde a simples falta de equipamento adequado e de comunicação fidedigna à ausência de um plano a longo prazo para depois da ocupação. Mas embora estes temas se encontrem presentes em todos os episódios, é à luta diária entre soldados e oficiais, entre a experiência de uns e a inexperiência de muitos, que se dedicam a maior parte das histórias. As tropelias de “Captain America” (Eric Nenninger) e “Encino Man” (Brian Wade), que nos deixam a sorrir pela simples estupidez dos seus actos, ilustram também o lado mais negro desta guerra, pejada de uma incompetência com consequências trágicas para a população local, como se confirma em Screwby, ou de erros causados pela ânsia de provar o seu valor a qualquer custo, como o atestam algumas das decisões de “Godfather” (Chance Kelly). Mas porque também nós estamos a descobrir a história e as personagens através dos olhos de Wright, interpretado na série por Lee Tergesen, com todo o preconceito que isso acarreta, é interessante verificar o quanto o relato poderia ter sido diferente, caso Wright tivesse acompanhado o comando em vez dos soldados e conhecesse a razão por detrás de algumas decisões mais controversas. A conversa entre Godfather e Wright em Bomb In The Garden não é suficiente para nos fazer mudar de alianças tão tarde na história, mas comprova mais uma vez que este não é um mundo a preto e branco.

Apostando mais na subtileza do que na acção explosiva característica de séries deste género, Generation Kill contrapõe os conflitos bélicos aos pessoais e profissionais, e se é preciso admitir que a entrada na cidade em A Burning Dog traz uma muito esperada demonstração do armamento americano, é nas acções de figuras como o tenente Nathaniel Fick (Stark Sands) ou o sargento Eric Kocher (Owain Yeoman) que reside o verdadeiro valor da história.

Quando nos deixa, ao som de The Man That Comes Around de Johnny Cash, Generation Kill pode gabar-se de ter conseguido alcançar (e mesmo superar) o objectivo a que se propôs – mostrar a verdadeira face da guerra e da geração que nela combate, espelhada exemplarmente na figura do novato Trombley (Billy Lush). E se a montagem final não convenceu esta espectadora, não há dúvida que as saudades da conversa de rádio que marcou todos os episódios, e dos diálogos contundentes como os mostrados em Stay Frosty, vão permanecer por algum tempo.

Uma excelente série que deveria ter lugar reservado em qualquer estante.

Posted by: syrin | 22 Agosto, 2008

Stargate SG-1 S2

You know, I can navigate my way across a galaxy, but I get lost every time I come to Washington.

No mundo da televisão nem sempre é possível igualar um sucesso, quanto mais superá-lo. A segunda temporada de uma série de sucesso tem tendência a diminuir de qualidade, devido às frequentes tentativas de complicar as tramas de forma a fazer render a história. Felizmente ainda há casos em que a excepção é a regra, como o prova a segunda temporada de Stargate SG-1.

Depois de terminar em grande o suspense deixado no final da temporada anterior no excitante The Serpent’s Lair, a vida regressa ao normal no Comando Central de Stargate nas montanhas Cheyenne. Sob as ordens do General Hammond (Don S. Davis), a equipa constituída pelo coronel Jack O’Neill (Richard Dean Anderson), a capitã Samantha Carter (Amanda Tapping), o cientista Daniel Jackson (Michael Shanks) e o jaffa Teal’c (Christopher Judge) continua a usar o portal para explorar mundos desconhecidos e combater a ameaça permanente dos Goa’uld, ao mesmo tempo que procura defender-se do seu próprio governo, que começa a demonstrar segundas intenções.

Depois de criado o universo e de estabelecidas as personagens, a segunda temporada da série procurou sair um pouco da sua rotina. Embora se mantenham os episódios soltos, que facilitam a entrada de novos espectadores neste universo mas que acabam, inevitavelmente, por apresentar histórias mais fracas, como é o caso de Bane ou One False Step, nota-se uma preocupação cada vez maior com a continuidade, apresentando vários episódios que regressam a histórias passadas. Thor’s Chariot é um óptimo exemplo disso, ao criar uma ponte entre a história das cinco raças descobertas no episódio Thor’s Hammer da primeira temporada e o primeiro contacto com os Asgard, em The Fith Race, que promete ser decisivo para derrotar os Goa’uld.

Também ao nível das personagens se nota uma clara evolução, à medida que os actores se sentem mais confortáveis nos seus papéis. Jack continua a ter destaque e a dominar os comentários sarcásticos, enquanto que Teal’c e Daniel descobrem que as reuniões familiares nem sempre terminam da melhor forma, mas é Carter que sofre a maior evolução, e os seus dilemas acabam por ser decisivos para os vários confrontos da temporada. In The Line Of Duty e Secrets, que à primeira vista parecem ser apenas episódios soltos, revelam-se de extrema importância para a criação de uma aliança com uma facção rebelde dentro dos Goa’uld, que irá exigir um sacrifício por parte do General Jacob Carter (Carmen Argenziano), pai de Sam, no duplo The Tok’ra.

Misturando histórias típicas da ficção científica, como as viagens do tempo de 1969, com tentativas menos conseguidas de crítica social, a segunda temporada de Stargate mostra já uma clara melhoria a nível da história relativamente à primeira temporada, e lança aqui os alicerces para as histórias futuras. E é por isso que, mesmo quando nos deixa com um episódio final pouco interessante como o mostrado em Out of Mind, a vontade de continuar a seguir as histórias da SG-1 não desaparece.

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