Virtuality

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Follow me through the mirror and down a rabbit hole. Trust me, it has to be this way.

Espaço. Um futuro próximo. Na nave Phaeton, doze homens e mulheres participam numa missão de exploração de uma galáxia distante quando recebem a notícia aterradora: em menos de um século, o planeta irá tornar-se inabitável. De um momento para o outro, o que era uma missão de exploração transforma-se na última esperança para a população do planeta. E sobre os ombros destes homens e mulheres recai agora a decisão: partir para o desconhecido ou regressar a casa.

Das mãos de Ronald D. Moore e dos seus companheiros de “Battlestar Galactica”, surge mais uma pérola da ficção científica, que supera géneros e nos obriga a pensar. Mais do que uma “space opera”, “Virtuality” é um ensaio sobre aquilo que entendemos como verdadeiro, sobre as barreiras ténues que existem entre a ficção e a realidade, e o que isso pode significar para a nossa vida.

Num mundo progressivamente mais virtual, onde as realidades alternativas e fictícias se tornam cada vez mais parte do nosso dia a dia, não é de estranhar que temas como os explorados nesta série comecem a surgir cada vez mais. Com uma viagem de dez anos pela frente, a tripulação serve-se dos seus módulos de realidade virtual para descontrair, aliviar a tensão de uma convivência apertada e viajar em cenários imaginados. Mas quando um erro informático começa a afectar estas realidades virtuais e a matar os seus utilizadores, a diversão poderá vir a tornar-se perigosa para os tripulantes da Phaenton. O que era uma simples aventura espacial ganha assim contornos potencialmente devastadores, com consequências inesperadas para todos e especialmente para o comandante Frank Pyke (Nikolaj Coster-Waldau).

Se a história base é suficientemente interessante para chamar a atenção, a diversidade da tripulação revela não só uma tentativa de tornar a série o mais abrangente mas também o mais realística possível, e os efeitos especiais são impressionantes, como se confirma no preparar da nave para a viagem, são sem dúvida os pequenos detalhes sobre o universo em que esta série se insere e os mistérios que se abrem com o fechar da história que a lançam para um outro patamar. Dos pequenos anúncios ao reality show filmado a bordo “Edge of Never: Life on the Phaeton”, que nos apresentam a Roger Fallon (James D’Arcy) às mensagens crípticas sobre patrocinadores, companhia e consórcios poderosos que tudo governam, das inimizades do dia a dia que deixam os nervos à flor da pele mas que se resolvem com conversas francas nos momentos mais inesperados, como entre Billie Kasmiri (Kerry Bishé) e Sue Parsons (Clea DuVall), dos desejos reprimidos de Alice Thybadeu (Joy Bryant) e Rika (Sienna Guillory) aos dilemas dos Dr. Johnson (Richie Coster) e Meyer (Omar Metwally), tudo é tentativamente explorado, deixando-nos com vontade de saber mais sobre estas personagens e sobre esta história. E com o inesperado final, que abre as portas a um aprofundar da componente psicológica, transformando esta missão no mais real Survivor alguma vez já feito, a vontade de continuar a ver é cada vez maior.

Quem será o misterioso assassino? Será uma entidade virtual ou a manifestação de alguém muito real? Qual o significado da mensagem de Pyke a Rika? Qual o verdadeiro objectivo por detrás desta missão e deste reality show? Será apenas um jogo, no qual os concorrentes não sabem que se encontram? Com o cancelamento da série, todos estes mistérios irão ficar, infelizmente, em aberto. Mas caso algum dia esta série venha a sair da gaveta, trará consigo de certamente histórias muito interessantes.