Pushing Daisies S2

No panorama televisivo actual, onde se aposta em produtos certos, em sequelas, spin-offs, reimaginações e actualizações, as histórias diferentes perdem cada vez mais o seu lugar, relegadas para horários pouco atractivos ou canceladas sem dó, deixando em aberto tramas principais e secundárias. Talvez por isso soubéssemos desde o início que “Pushing Daisies” não iria ter vida fácil, mesmo com a crítica e o público a apoiá-la. Talvez por isso os meros nove episódios da primeira temporada e a interrupção a meio da segunda não nos surpreendessem verdadeiramente. Mesmo assim, e mesmo se “Pushing Daisies” nunca tenha deslumbrado, por estas bandas, tanto como deslumbrou por outras, a verdade é que o cancelamento desta pequena fantasia não deixa de ser injusto.

Com treze sólidos episódios que não só nos deram casos divertidos como o da morte misteriosa de uma freira em “Bad Habits” ou o de um assassinato num farol em dia de chuva em “The Legend of Merle McQuoddy”, mas também exploraram personagens que permaneciam misteriosas, como o regresso da família de Emerson Cod (Chi McBride) em “Water and Power”, e  trouxeram uma nova parceria entre este e Olive (Kistin Chenoweth), arrancando as maiores gargalhadas ao longo da temporada, e confirmando o estatuto destes dois grandes actores, foi sem dúvida quando se regressou ao mistério principal, ao poder de Ned (Lee Pace) e as suas consequências para todos, que a série se superou. E mesmo se o final abrupto de “Kerplunk” tenha interrompido a história principal, deixando um pouco em aberto as histórias dos pais tanto de Ned como de Chuck (Anna Friel), o facto de termos tido a oportunidade de regressar, por breves momentos, a Coeur d’Coeur já é uma bela prenda.

Diálogos brilhantes, personagens divertidas, situações inusitadas, cenários fantasiosos e um romance que não deixa ninguém indiferente, é assim que “Pushing Daisies” se despede de todos. A sua vida pode não ter sido longa, mas só pelo facto de trazer à vida personagens como as tias Vivian (Ellen Greene) e Lily (Swoosie Kurz), merece um lugar de destaque.

Pushing Daisies S1

You can’t just touch someone’s life and be done with it.

De vez em quando há séries diferentes no panorama televisivo. E se em 2007 poucas foram as que se destacaram pela positiva, “Pushing Daisies” foi certamente aquela que mais arriscou.

No mundo encantado de Couer d’ Cour, o pequeno Ned (Lee Pace) descobre que, com um simples toque do seu dedo, consegue ressuscitar os mortos, mas que com um novo toque, a morte será para sempre. Pior ainda: por cada morto que ressuscita, outro terá de tomar o seu lugar. Obrigado para sempre a manter a uma distância segura aqueles de quem mais gosta, Ned divide o seu tempo entre as maravilhosas tartes que faz no seu restaurante, e o part-time como assistente do investigador privado Emerson Cod (Chi McBride). Mas quando Charlotte “Chuck” Charles (Anna Friel), antigo amor de infância, regressa inesperadamente à sua vida, Ned vai ser confrontado com alguns segredos do passado que nunca quis revelar.

Diferente, romântica, divertida, por vezes estranha, Pushing Daisies é parte conto de fadas, parte policial, parte romance. Tem como tema principal a morte, mas sempre contraposta pela alegria e felicidade de viver. Cheia de cor, com requintados cenários fantásticos que evocam Tim Burton, e uma bela banda sonora, não há dúvida de que foi uma surpreendente aposta na televisão americana, e mais um triunfo para Bryan Fuller, do saudoso “Wonderfalls“, onde foi mesmo roubar o seu actor principal.

No entanto, mesmo recheada de personagens curiosas, diálogos encantadores e a excelente participação de Kristin Chenoweth no papel de Olive Snook, com a sua paixão não correspondida por Ned; mesmo com todas as características que a tornam especial, diferente de tantas outras, faltava qualquer coisa a esta trama para que pudesse convencer.

Mas porque este é um mundo dos contos de fadas, onde os milagres ainda acontecem, bastaram os primeiros acordes da maravilhosa rendição do clássico Morning Has Broken por Ellen Greene, a tia Vivian, no episódio “Smell of Sucess“, para que deste lado se ficasse rendido à história. E mesmo se o estilo da série não é o favorito por estas bandas, não há dúvida que enquanto as tias Vivian e Lily (Swoozie Kurtz) continuarem a brilhar nos episódios da segunda temporada, o mundo encantado de “Pushing Daisies” irá continuar a marcar presença nesta televisão. Afinal, quem é que não gosta de um bom conto de fadas?