The Tudors S1

tudors.jpg

Depois da surpresa que foi Rome, o apetite para mais séries históricas estava certamente aberto. Provando que nem só os ingleses conseguem recriar épocas, a Showtime resolveu apostar em Michael Hirst, escritor de Elizabeth, para mais uma vez se debruçar sobre um dos períodos mais conturbados da história inglesa: os Tudors.

O famoso Henrique VIII e as suas seis mulheres nunca me chamaram muito a atenção, preferindo de longe o período das suas duas filhas, Mary e Elizabeth, mas esta parecia uma boa oportunidade para aprender algo mais sobre o famoso barba azul inglês: a sua subida ao poder, a controvérsia com a primeira mulher Catarina de Aragão e a amante Anna Bolena, as lutas políticas, a quebra com a igreja católica e a fundação da igreja anglicana.

Por mais histórica que uma série se afirme, nunca deixa de ter a sua quota-parte de ficção, mas esperamos, mesmo assim, que respeite minimamente as suas fontes. Em The Tudors, infelizmente, a aposta foi menos na história e mais na imagem e no sexo gratuito. As inconsistências históricas são tantas que quase acreditamos estar a falar de uma outra história de Inglaterra: seria assim tão mau mostrar a princesa Mary (e não Margaret, como é interpretada na série por Gabrielle Anwar) a casar-se com o rei francês, como realmente aconteceu, ou seriam os franceses melhores que os portugueses? Seria mesmo necessário alterar a morte do Cardeal Wolsey (Sam Neill), distorcendo-a ao ponto de se transformar numa conspiração, apenas para ter um maior impacto na acção? Seriam mesmo necessárias as numerosas cenas de sexo, que não têm outro objectivo senão mostrar que a Showtime é um canal de cabo?

Se pusermos de lado estas inconsistências, conseguimos ainda encontrar algo de bom na série. As intrigas políticas e os jogos de poder, mesmo exagerados, são muito interessantes, e deixam-nos ver um pouco mais da vida na corte, especialmente os conluios de Norfolk (Henry Czerny) e Boleyn (Nick Dunning) para entrar nas boas graças de Henry e o começo da ascenção de Thomas Cromwell (James Frain) ao poder, mas o destaque tem de ser mesmo para o Cardeal Wolsey e o Thomas Moore de Jeremy Northam, que protagonizam os melhores momentos da série com as suas discussões sobre religião, fé e o perigo das novas crenças. No elenco feminino, destaca-se Maria Doyle Kennedy no papel da injustiçada Rainha Catherine of Aragon, que tenta lutar contra as infidelidades de Henry.

No meio deste elenco interessante, quem menos se destaca acaba por ser a personagem principal, Henry VIII. A aposta em Jonathan Rhys Meyers não parece ter sido a mais apropriada, pois o actor, por muito interessante que seja, não tem a mesma presença e imponência física que as imagens de Henrique VIII nos deixam adivinhar, e acaba por beneficiar apenas do facto de Natalie Dormer não estar melhor no papel de Anne Boleyn.

The Tudors acaba por ser, no fundo, uma série que vale pela imagem e por algumas interpretações individuais, mas que deixa muito a desejar enquanto série história. Quem sabe não consigam fazer melhor na próxima temporada.

Anúncios