Spartacus: Blood and Sand S1

”Se não os podes vencer, junta-te a eles” seria algo que os gladiadores que vemos em “Spartacus: Blood and Sand” nunca aceitariam. Afinal, isso iria contra tudo aquilo em que a personagem mítica que dá origem a esta série, o gladiador de origem trácia que liderou a maior revolta de escravos da Roma Antiga, acreditava. Mas porque deste lado se insiste em ceder à pressão do povo, e em não seguir os instintos que diziam que não valia a pena, lá se resolveu dar uma oportunidade à tão falada série da Starz.

Treze muito sofridos episódios depois, constata-se que os instintos naturais, de evitar histórias dedicadas a gladiadores, que nunca foram das preferidas da dona deste cantinho, têm sempre razão. Se a predisposição para o tema já não era a maior, pior ainda ficou com o facto de a história da série ser, durante grande parte da temporada, esquecida, para dar destaque às cenas de sexo explícito e ao gore abundante, recursos usados meramente para chocar e/ou chamar a atenção do espectador em vez de contribuírem para o desenvolvimento da história ou das personagens. Juntando a isso o fraco CGI que dá à produção um aspecto baratucho, e as irritantes cenas de sangue falso a jorrar pelo ecrã em câmara lenta, popularizados pelo filme “300“, quase parece inacreditável haver tanta gente a louvar a série. Qual a explicação, então, para opiniões tão distintas?

Bom, terá provavelmente tudo a ver com a questão dos gostos e das expectativas. Para muitos, “Spartacus: Blood and Sand” é mais um “guilty-pleasure”, daquelas séries que se vêem porque aliviam o cérebro de outras séries mais pesadas e não obrigam a pensar; outros, poderão talvez gostar de ver homens musculados, suados e oleados em tangas (ou como vieram ao mundo) a lutar no chão e a esfregarem-se uns nos outros, ou apreciar mulheres nuas em orgias sem fim que de reais pouco ou nada têm; outros ainda, poderão até mesmo gostar deste estilo de slow-motion e gore fictício que premeia especialmente a primeira metade da temporada e que dá à série um ar tão irreal; finalmente, poderá haver também aqueles que estão aqui só pela oportunidade de poderem ver as mamas da Lucy Lawless em todo o seu esplendor como Lucretia, um papel que a actriz faz com uma perna às costas. O problema, no entanto, é quando não se pertence a nenhuma destas categorias de espectadores, nem de outras que se possam imaginar, quando se dá preferência a uma boa história, com sexo e violência e, sim, até mesmo gore, mas apenas quando estes fazem sentido na evolução da história e das personagens, e não para colmatar os momentos mais aborrecidos ou, simplesmente, porque sim. Quando se preferia ver mais das tramas de Batiatus (John Hannah) e da mulher na tentativa de deixaram Cápua para trás e entrarem na alta-roda de Roma, quando se preferia mil vezes ver as maquinações da malévola Illythia (Viva Bianca) em vez dos peitorais e as tangas do Spartacus (Andy Whitfield), do Crixus (Manu Bennett) e dos restantes gladiadores, pouco sobra desta história para animar, de tal forma que nem mesmo o tão badalado “Kill Them All” final conseguiu arrancar mais do que alguns bocejos.

Se é certo que há gostos para tudo, e que os gostos não se discutem, chega a altura em que, por mais que se tente e se dê uma oportunidade, a opinião final é exactamente igual à de início. “Spartacus”? Não, obrigada.

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