Damages S1

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Because I know Patty

Não é fácil inventar num género onde quase tudo foi já explorado até à exaustão, onde as histórias, personagens e dramas se tornam cada vez mais difíceis de distinguir de uma série para a outra. Se as séries de advogados são um dos géneros que mais padece deste abuso, Damages veio provar que, com um pouco de imaginação, se consegue fazer algo diferente.

Sim, Damages é um drama sobre advogados; mas é um drama sobre advogados diferente: não mostra longos interrogatórios, objecções indignadas, apaixonantes discursos feitos aos jurados. A acção de Damages nem sequer passa pelo tribunal. Procura, pelo contrário, mostrar o que se passa nos bastidores deste mundo: as acções, os acordos, as chantagens que irão moldar o que se passa frente à audiência. E procura ao mesmo tempo, como já tem sido habitual nas séries da FX, explorar a verdadeira dimensão do ser humano, que não se divide em bom e mau, que não se pinta de preto nem de branco, mas que se esconde numa área cinzenta, difícil de classificar.

Ellen Parsons (Rose Byrne) é uma jovem advogada prestes a iniciar o que promete ser uma carreira de sucesso. Com várias propostas interessantes, um noivo (Noah Bean) que a apoia em todas as decisões, rodeada de família e amigos, Ellen tem o mundo aos seus pés. Mas quando surge a oportunidade de trabalhar num dos maiores julgamentos civis dos últimos anos para a famosa firma de Patty Hewes (Glenn Close), Ellen vai descobrir que nem todos são o que parecem. O que começa como um simples caso contra o bilionário corrupto Arthur Frobisher (Ted Danson), vai transformar-se numa luta pela verdade e pela sobrevivência, com consequências graves para todos os envolvidos.

Se os nomes de peso do elenco são desde logo um chamariz para a série, o que surpreende desde início é a estrutura da série, alternando entre o passado e o presente, entre o caminho que Rose percorreu e o seu dilema actual, mostrando as boas (e más) escolhas, dando-nos a conhecer as verdadeiras pessoas que se escondem por detrás das máscaras, desvendando lentamente o mistério. Só assim conseguimos compreender quem é Ray Fiske (Zeljko Ivanek), qual a razão da fidelidade cega de Tom Shayes (Tate Donovan), porque foi necessária toda esta tragédia. E é esta estrutura de voltas e reviravoltas que nos deixa em suspense até ao último minuto dos 13 episódios, onde finalmente se descobre que os maus nem sempre são os maus, e que os bons também conseguem ter o seu lado maquiavélico.

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