Jericho S2

First they changed the flag, now our history
At what point does this become a country we don’t recognize?

Jericho poderia ser uma grande série. Tinha tudo para funcionar: uma premissa interessante que reflectia sobre um assunto extremamente actual, um elenco experiente e um bom orçamento com que trabalhar. E, no entanto, a primeira temporada nunca conseguiu afirmar-se. O tema principal – o despertar de uma pequena cidade para um ataque nuclear – foi mal explorado, as personagens não inspiravam muita compaixão, e a trama secundária da conspiração, aquela que ainda conseguia manter-nos agarrados ao ecrã, não era suficiente para garantir uma audiência estável. Com tantos problemas, não é de estranhar que o cancelamento fosse eminente, mesmo quando a série parecia estar, finalmente, a encontrar o seu caminho num excitante Why We Fight.

Mas se a frustração que muitas vezes sentimos ao ver a nossa história favorita irremediavelmente incompleta é inevitável quando se trata da televisão americana, Jericho veio provar que, por vezes, o público pode ter a palavra final. Depois de uma campanha sem precedentes contra o cancelamento, que não deixou ninguém indiferente, a CBS viu-se forçada a dar nova oportunidade à pequena cidade, oferecendo sete episódios que nos transportam, em Reconstruction, para o final da guerra.

Depois dos ataques de Setembro que mudaram o país, uma nova ordem impõe-se em Jericho, com a chegada do Exército dos Estados Aliados, comandado pelo Major Edward Beck (Esai Morales). Jake Green (Skeet Ulrich) e os restantes Rangers são obrigados a reprimir a sua sede de vingança contra a cidade vizinha, e a ajudar na reconstrução de Jericho, com o apoio da poderosa Jennings & Rall, uma misteriosa companhia que parece ser um dos suportes do novo governo de Cheyenne e do seu presidente, o Senador John Tomarcio (George Newbern). Mas quando as suspeitas sobre as verdadeiras intenções da Jennings & Rall começam a aumentar, os habitantes de Jericho irão descobrir que a conspiração poderá chegar aos mais altos cargos da nação, e que a mudanças trazidas pelo novo governo poderão fazer-se sentir em mais do que num simples reformular da bandeira.

Deixar de lado o cenário pós-apocaliptico e apostar na teoria de conspiração como tema principal da segunda temporada era arriscado, mas teria sido o caminho certo para esta história. O forte da série nunca foi a descrição da sobrevivência num mundo em ruínas, mas sim a dúvida sobre o que teria realmente acontecido nas cidades bombardeadas, quem organizou os ataques e quais os seus objectivos, dando à personagem de Robert Hawkings (Lennie James) a oportunidade de se desenvolver. Mas embora a procura da verdade se encontre presente em todos os episódios, nunca chega a ser o verdadeiro foco da história, que insiste em desviar-se por tramas secundárias que apenas esporadicamente se ligam à história principal. Em vez de debater a fundo o crescente poderio da Jennings & Rall e as desconcertantes mudanças aplicadas pelo novo governo, perde-se em preparações para um casamento, e nem mesmo quando traz de volta os assustadores Ravenwood, liderados por Goetz (D.B Sweeney), consegue fazer-nos esquecer o quase desaparecimento de membros outrora importantes do elenco.

Sete episódios não eram suficientes para elevar Jericho ao nível que a história prometia, mas poderiam ter sido uma rampa de lançamento para um revitalizar da trama. Infelizmente, o que fica é a sensação de que uma boa ideia foi novamente desperdiçada. Resta a esperança de que o tema não seja esquecido, e a sugestão que se dê um saltinho ao mundo criado por Brian Wood na série de banda desenhada DMZ, para explorar mais a fundo a realidade de uma segunda guerra civil americana.

Jericho S1

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Jericho era, a par de Heroes, uma das séries que mais expectativa criou quando foi anunciada. Um tema extremamente actual e um cenário apocalíptico que prometia mexer com os nossos medos mais profundos.

A história é simples: o regresso do filho pródigo Jake (Skeet Ulrich) à cidade natal não está a correr bem: os problemas com o pai, Johnston Green (Gerald McRaney) e o irmão Eric (Kenneth Mitchell) continuam a fazer-se sentir, e nem a influência da mãe Gail (Pamela Reed) parece conseguir resolvê-los. Recebido calorosamente por alguns amigos como Heather (Sprague Grayden) e Stanley (Brad Beyer) não consegue deixar de ser relembrado do passado ao confrontar-se com Emily (Ashley Scott).

Parece que o regresso a casa está condenado, até que o impensável acontece: um cataclismo nuclear vem destabilizar toda a população. Sem meios de comunicação que lhes permitam saber o que realmente se passou, sem estradas que permitam o transporte de mantimentos, a cidade e Jericho vai ter de aprender a defender-se sozinha.

E foi aqui que a série se perdeu. Os dias e as semanas que se seguiram às bombas deveriam ter sido de desespero e de confusão, de medo da radioactividade e de açambarcamento de comida. Não de festas, de barbeques e de celebrações. As consequências da chuva radioactiva deviam fazer-se sentir com grande intensidade, mas na série foram quase ignoradas, proferindo-se afogar as mágoas no bar da esquina. A série estava a perder rapidamente a sua credibilidade.

Mas, felizmente, na segunda metade da temporada a situação mudou. A escassez de mantimentos e de medicamentos faz-se sentir, e a população começa finalmente a reagir de forma mais natural: o pânico, as disputas e a inveja ganham cada vez mais destaque, e nem os apelos de união parecem fazer-se ouvir. As consequências dos ataques fora da cidade ganham também destaque, com o ataque de milícias armadas, a chegada de sobreviventes e pactos duvidosos com antigos aliados.

Por entre todos estes problemas, não é esquecida a história da conspiração em que Hawkings (Lennie James) está envolvido, quem largou as bombas e qual o objectivo. O seu verdadeiro papel na história é esclarecido, desvendando um pouco mais desta trama.

E se o que faltava na série era acção, os episódios finais conseguiram resolver este problema, acabando-se a temporada em grande, com o início (ou o fim?!) da guerra. Resta saber se iremos ter direito a continuação da história, ou se será esta mais uma vítima das cadeias de tv norte americanas.

Uma série interessante para ver durante o deserto que são os meses de verão.

Jericho S1 Midterm

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O que faziam se o mundo que conhecem agora desaparecesse de um momento para o outro? Se o governo, as instituições e as autoridades desaparecessem num cogumelo atómico? Se estivessem impedidos de comunicar com o exterior, sem saber com certeza quem sobreviveu? De certeza que não fariam como os habitantes de Jericho que, confrontados com esta situação, se foram enfiar a beber no bar da esquina.

Jericho era uma das séries que mais prometia no início. A história é sempre actual, com o perigo constante do nuclear e as dúvidas sobre o que aconteceria se, nos dias de hoje, rebentasse uma guerra nuclear. Mas, como muitas séries que prometem muito, a primeira metade da temporada transformou-se numa desilusão. Até começa de forma interessante, com o regresso do misterioso filho pródigo (Skeet Ulrich) à sua cidade natal, mesmo antes de se dar o desastre. Segue-se um pouco da história tipicamente americana, com paixões proibidas, amores cruzados, e heroísmos disparatados. Mas até aqui tudo bem – até estava interessante.

Pena que o que veio a seguir estragou um pouco o interesse à história. Numa série actual, por mais ficcionalizada que seja, espera-se que exista um mínimo de relação com a realidade. Nesta série esperava-se que as consequências de um desastre nuclear fossem abordadas: as doenças, a contaminação, a falta de alimentos, a falta de comunicação. E se estes temas foram focados ao longo dos episódios, a forma como isso foi feito foi muito pouco realista: a população teme a chegada da chuva radioactiva, mas depois da sua queda não se preocupa com a contaminação dos campos e das colheitas; uma possível falta de alimentos ou medicamentos não é motivo de preocupação, esbanjando-se ambos em no Halloween e em barbeques. E nem mesmo a eminente chegada de mercenários faz com que os dramas pessoais deixem de se sobrepor ao que deveria ser a história principal.

É realmente uma pena que uma série que prometia tanto tenha oferecido tão pouco. Felizmente há a história secundária do Robert Hawkins (Lennie James), espião ou polícia, bom ou mau, que promete manter-me interessada na história. É a maldita curiosidade a atacar novamente… 😛