Big Shots

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What kind of world do we live in, where women are more men than we are

A (falta) de paciência das estações de televisão americanas é já lendária, responsável pelo cancelamento precoce de muitos favoritos. Mas por vezes… por vezes até têm mais paciência do que se esperava. É essa a única explicação pela oportunidade que Big Shots teve ao longo de 8 episódios. Se não vejamos:

Big Shots é uma comédia/drama sobre quatro bons amigos, poderosos homens de negócios de Nova Iorque, que gostam de partilhar os seus problemas com mulheres. E… bom. É isso. Sex and the City versão masculina, onde se substituem os restaurantes pelos campos de golfe, as manicures pelo clube, o “brunch” pelo bar, as conversas sobre sexo com homens pelas conversas sobre sexo com mulheres. Infelizmente, ao contrário da famosa série da HBO, Big Shots não prima pelos diálogos inteligentes e divertidos, pelas personagens interessantes, pelo gostinho que dá, por vezes, ouvir conversas tolas de mulheres. As conversas aqui soam a falso, as situações são demasiado irreais, os dilemas absolutamente incríveis. De frases feitas como “Homens – somos as novas mulheres” a histórias ridículas como a PMS masculina, todos os clichés são aqui explorados, não dando oportunidade a um bom elenco de mostrar aquilo que podia fazer.

James Walker (Michael Vartan) é um extremoso marido e pai de família, cujo mundo desaba quando descobre que a mulher o anda a enganar com o chefe; Brody Johns (Christopher Titus) é um gestor de crise que consegue vencer contra tudo e contra todos menos contra… a sua mulher; já Karl Mixworthy (Joshua Malina) está metido em maus lençóis, quando tanto a mulher Wendy (Amy Sloan) como a amante Marla (Jessica Collins) exigem que lhes preste cada vez mais atenção; Duncan Collingsworth (Dylan McDermott), o galã do grupo, gestor de uma bem sucedida empresa de cosméticos, vai saltitando de cama em cama enquanto aguarda por mais um encontro ilícito com a ex-mulher Lisbeth (Paige Turco) da parte da manhã, discute com a filha Cameron (Peyton List) durante toda a tarde e, ainda tem tempo para se envolver (por engano) com um transsexual à noite.

Se há alturas em que se deviam descartar as personagens e deixar apenas os actores, Big Shots é um desses casos. À falta de melhor, e para evitar o desperdício de bons actores (e de actores bons!) recomenda-se que se apaguem as legendas, desligue o som, pare o cérebro, e que se apreciem devidamente os monumentos que são Michael Vartan e o Dylan McDermott.

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