Breaking Bad S1

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Bad ass, dad!

Cancro do pulmão. Não operável. Dois ou três anos de vida, na melhor das hipóteses. Para a maior parte das pessoas, um diagnóstico destes seria devastador, mas para Walter White (Brian Cranston), um esforçado professor de química do liceu local, a sentença de morte que acaba de receber é mais um peso a colocar numa vida já de si é complicada. Sem opções, e desesperado por garantir a segurança económica da mulher, do filho deficiente e do bebé que está a caminho, Walter decide pegar nos seus conhecimentos de química e dedicar-se a uma nova área – cozinhar mentanfetamina.

Enquanto as principais estações televisivas americanas se dedicavam a repetir ad nauseum as mesmas fórmulas e histórias, e se recusam a criar conteúdo verdadeiramente novo, a televisão por cabo surgiu como um meio onde a criatividade podia florescer. A HBO lançou o caminho, a FX e a Showtime revelaram-se de seguida, e a AMC parece querer seguir-lhes as pegadas. Depois do grande sucesso que foi “Mad Men”, a aposta numa história como a de “Breaking Bad” era arriscada, mas o projecto acabou por revelar-se numa das melhores surpresas de 2008.

A mistura de drama e humor negro, já tão explorada noutras séries, torna-se diferente nesta série, graças não só a uma história ao mesmo tempo tocante e absurda, mas especialmente devido às grandes interpretações de todo o elenco. Brian Cranston destaca-se como um homem desesperado que de tudo faz pela sua família, merecendo sem sombra de dúvida o reconhecimento que granjeou nos Emmys, mas o restante elenco não lhe fica atrás. A dinâmica entre Walter e o seu ex-aluno e agora parceiro de crime Jesse Pinkman (Aaron Paul), vai-se modificando ao longo dos episódios, mostrando um outro lado do negócio do tráfico e revelando lentamente uma personagem que não é tão estereotipada como à primeira vista parece, mas são os momentos dedicados à família White e, por consequência, à doença, que acabam por diferenciar esta série de tantas outras.

O cancro de Walter quase poderia ser considerado uma personagem em si, pela forma como influencia e guia a história, pela forma como afecta todas as personagens, pela forma como humaniza a série e a torna real. Em “Breaking Bad” não temos hospitais modernos, médicos perfeitos, doentes corajosos e curas milagrosas. Nesta série temos apenas o lado duro e cru de uma doença que leva consigo a vida e a dignidade de todos os que dela sofrem – e também de todos os que a rodeiam. A relutância de Walter em revelar a sua doença e a aceitar contra ela lutar, o caminho que percorre e as consequências do tratamento, não afectam apenas a personagem em si, mas também a sua família, especialmente a mulher Skyler (Anna Gunn) e o filho Walter Jr. (RJ Mitte), que se recusam a deixá-lo desistir, e estão preparados para lutar pelo futuro.

Na sua primeira temporada, em apenas sete episódios, “Breaking Bad” concentra mais qualidade do que muitas séries veteranas. Do humor negro e absurdo ao drama sentido, da introspecção de “Cancer Man” à acção explosiva de “Crazy Handful of Nothin’”, esta é uma série a não perder, e a segunda temporada é já aguardada com ansiedade.

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