Prison Break S4

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Era uma vez um homem simpático, pacato, dotado de uma inteligência extrema, que queria salvar o seu irmão de uma grande injustiça. Michael (Wentworth Miller), assim, se chamava o nosso herói, infiltrou-se por isso numa cadeia de máxima segurança e, com a ajuda de uma tatuagem muito complexa, de vários amigos, uns quantos inimigos e da bela médica Sara (Sarah Wayne Callies), conseguiu fugir. Mas, quando chegou cá fora, reparou que a fuga ainda agora tinha começado, pois uma grande conspiração em redor da sua família impedia-o de encontrar o tão merecido repouso. Perseguido por todos os lados pelo terrível Mahone (William Fichtner), Michael e o seu irmão Lincoln (Dominic Purcell) correram a maratona pelos Estados Unidos fora até que, quando tudo parecia resolvido, são novamente capturados e enviados para uma terrível prisão sul americana. Rodeado de amigos e inimigos (a maioria dos quais o acompanhavam já desde a primeira temporada), Michael vê-se envolvido mais profundamente na conspiração da Companhia que mete uns tais de Whistler e Gretchen (Jodi Lyn O’Keefe) e uma Sofia que ninguém percebe bem o que é que lá anda a fazer mas que sempre ajuda a fazer número. Adiante.

Como Michael é o maior lá do sítio, ninguém o consegue segurar por muito tempo e acaba por fugir novamente da cadeia (desta vez sem recorrer à tatuagem), jurando vingança pela morte da sua amada Sara, brutalmente decapitada numa cena roubada descaradamente ao “Seven”. Mas, quando menos se esperava… Michael é novamente capturado e forçado a trabalhar para o governo. A sua missão: Scylla. Num armazém recheado de Macbooks e móveis do IKEA, o Departamento de Segurança Interna e o seu maior representante, o Sr. Próprio (aka, Don Self, aka. Michael Rapaport) propiciam uma reunião familiar onde não faltam Sucre (Amaury Nolasco), Bellick (Wade Williams), um nerd asiático qualquer e, surpresa das surpresas, Sara, que afinal não morreu (brincadeirinha! Foi tudo um erro, a cabeça na caixa era de outra mulher, nós é que vimos mal).

Com Michael, Lincoln, Sucre, Bellick, Mahone, Sara e o nerd dos computadores, está então formada esta nova Ocean’s 7, que tem por missão roubar Scylla das mãos do terrível General Krantz (Leon Russom) e assim conseguir a tão sonhada liberdade. Scylla, entretanto, começa por ser o livrinho preto, a lista dos agentes infiltrados no governo americano, para passar, com o avançar dos episódios, a ser o repositório de todos os segredos da Companhia. Recheada com planos para tecnologias de valor incalculável, que, como é óbvio, todos querem roubar, incluindo o nosso velho conhecido T-Bag (Robert Knepper) que se aliou a Gretchen, Scylla vai andar de mãos em mãos até finalmente ir parar às garras da misteriosa Christine (Kathleen Quinlan), nada mais nada menos do que a falecida mãe de Lincoln e Michael (mas que afinal não é mãe de Lincoln) que, pelos vistos, não só está viva como trabalha para a Companhia e ainda por cima é má como as cobras e quer vender a tecnologia aos indianos ou aos chineses e dar início à terceira guerra mundial para poder ganhar milhares de milhões de dólares a vender armas e…

Podia, neste texto, falar um pouco mais de todas as dificuldades pelas quais as personagens passaram. Podia falar da terrível perseguição que sofreram às mãos do assustador Wyatt (Cress Williams), dos momentos inacreditáveis passados no escritório onde T-Bag se refugiou, dos problemas de saúde de Michael, que incluem uma misteriosa operação ao cérebro da qual ele recupera de um dia para o outro, das voltas e reviravoltas das personagens (quantas vezes é que o Self mudou de lado?) ou mesmo das mortes tão choradas que nos deixam incrédulos a olhar para a televisão. Poder podia… mas para quê perder tempo a falar sobre uma série que se embrulhou de tal forma a ponto de se transformar numa autêntica comédia? Assim sendo, é melhor esquecer rapidamente o fiasco que foram estas últimas temporadas de “Prison Break” e ficar apenas pela primeira. Para bem da nossa sanidade mental.

Prison Break S3

Os fãs de séries de televisão são frequentemente confrontados com um dilema: saber quando parar. Ao contrário dos filmes, com o seu início, meio e fim pré-estabelecido, os 42 minutos de uma série podem rapidamente estender-se a muitas horas em frente ao televisor, com a ajuda de sucessivos cliffhangers que não deixam descansar até chegar ao último episódio. Esse é o nosso problema.

Já do outro lado do ecrã, o grande problema é saber parar quando se está a ganhar, e se esta terceira temporada de Prison Break consegue provar algo, é como a ganância pode estragar uma boa série.

2005 foi o ano de ouro para Prison Break, uma série que trazia consigo a promessa de uma história inteligente, bem estruturada, com boas interpretações e que nos deixava agarrados ao ecrã à espera de saber como se iria desenrolar o cuidadoso plano. 2006 começa de forma irregular, com muita confusão e correrias, para mais tarde estabilizar e apresentar uma interessante trama de conspiração, que apenas pecou por não ter sido concluída. 2007, infelizmente, traz consigo o regresso às quatro paredes, naquela que deveria ser uma das piores cadeias da América Latina, mas que acaba por tornar-se numa amálgama de clichés ridículos e inacreditáveis, com uma história sem rumo e pejada de más interpretações

Acabado de chegar a Sona, Michael (Wentworth Miller) não tem tempo para descansar e aproveitar o sol do Panamá, ao ver-se imediatamente forçado a arranjar um plano para tirar da cadeia Whistler (Chris Vance), um misterioso pescador que parece ser de vital importância para a Companhia. Com Lincoln (Dominic Purcell) desta vez do lado de fora, Michael tem de lidar dentro das quatro redes com o chefe da prisão, Lechero (Robert Wilson), a constante pressão de Mahone (William Fichtner), sem esquecer a irritante presença de Bellick (Wade Williams), tudo se quiser salvar A.J. (Marshall Allman) e Sara (Sarah Wayne Callies) das garras da Companhia. Mas Whistler é muito mais do que um simples pescador, e a sua ligação à perigosa Gretchen (Jodi Lyn O’Keefe) mostra que a conspiração chega mais fundo do que se pensava.

Começa, com esta premissa, uma série de 13 episódios cheios de avanços e recuos, que vão desde ideias interessantes subaproveitadas (os problemas de saúde de Mahone), ao simples recontar histórias antigas (toda a história de McGrady, interpretado por Carlos Alban), e mesmo a histórias paralelas completamente desnecessárias, como todos os momentos dedicados a Sofia (Danay Garcia), que em nada contribuem para a história. Juntando a isto a permanência ridícula de Sucre (Amaury Nolasco), cuja história não evoluí desde o início da segunda temporada, e toda a inacreditável polémica em redor de Sara, a terceira temporada de Prison Break é prova de que esta série já deu o que tinha a dar, e que devia finalmente ser enterrada.

Infelizmente, consequência da greve, os treze episódios não foram suficientes para terminar a história, e uma quarta temporada está já nos planos, com uma possível mudança de género, de acção/aventura para ficção científica e sobrenatural, a acreditar nas últimas notícias relativas ao elenco. Resta saber o que mais irão inventar para estas personagens. Deste lado, espera-se apenas que a série mude de direcção, e que a próxima temporada seja dedicada a T-Bag (Robert Knepper), o psicopata mais divertido da história da televisão.

Prison Break S2

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Ok, admito. Há uns meses atrás andava decepcionada com a segunda temporada de Prison Break, mas cá está uma série que se redimiu. Na segunda metade da temporada regressa-se aos bons velhos tempos: os planos bem engendrados são já coisa do passado, mas ao menos as correrias já não parecem tão sem rumo, e o reencontro dos foragidos dá uma nova dinâmica à história.

O final da primeira temporada de Prison Break prometia muito: a fuga da prisão concretiza-se, e a caça ao homem começa. Mas, a partir do momento em que saem da prisão, a série perde-se um pouco. Sem a ajuda dos planos meticulosos de Michael (Wentworth Miller), os 8 de Fox River acabam por se separar e seguir diferentes rumos. Michael e Lincoln (Dominic Purcell) tinham um plano, que acaba por se alterar quando desvendam uma conspiração que chega aos mais altos níveis do governo. Com a Dra. Sara Tancredi (Sarah Wayne Callies) e uma ajuda inesperada, vão tentar resolver esta conspiração.

Mas a entrada em cena do FBI e de Alex Mahone (William Fichtner) promete complicar as coisas para os fugitivos. Com alguns segredos no armário, Mahone vai estar sempre um passo atrás dos foragidos, e promete não descansar antes de os apanhar a todos. Saído de Invasion, onde desempenhava um papel semelhante, a personagem de Mahone prometia, mas foi provavelmente a mais subaproveitada de todas, e teve um final que deixa algumas dúvidas.

Embora o foco nesta segunda temporada esteja na conspiração, é bom ver que as histórias individuais não foram esquecidas: tirando uma ou duas personagens que tiveram mortes desnecessárias (a rondar o absurdo num caso ou noutro) a caça ao homem foi do mais interessante que a temporada teve. Destacam-se especialmente as peripécias de T-Bag (Robert Knepper) e de Bellick (Wade Williams), que sofreram várias reviravoltas e que prometem vir a dar que falar na próxima temporada.

Enquanto série de culto, Prison Break devia ter-se ficado por duas temporadas. Na primeira o fugir da prisão, na segunda a caça ao homem e a resolução (com ou sem final feliz) de toda a conspiração. Mas, infelizmente, o dinheiro falou mais alto e não há ainda resolução. O último episódio, claramente mais fraco do que o penúltimo, prepara-nos para uma terceira temporada de novas fugas. A ver vamos o que vai acontecer a estas personagens.