Southland S1

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“Do what they teach you in the Academy, you will die.”

Apenas 9800 polícias patrulham a cidade de Los Angeles. Numa área altamente povoada, com todos os problemas inerentes, há raptos e assassinatos, prostituição e violações, há raves e roubos, há crianças abandonadas e armas disparadas indiscriminadamente. Nada disso é novidade para quem vive e trabalha na zona, tudo faz já parte do dia-a-dia. E nada disso é novidade para quem acompanha séries policiais há muitos anos.

Depois de “Hillstreet Blues”, de “NYPD Blue”, de “Homicide: Life on the Streets”, de “The Wire” e “The Shield”, não se pode dizer que esta nova aposta do veterano John Wells traga nada de novo à televisão. Tal como as suas antecessoras, também nesta série se procura mostrar as experiências do dia-a-dia de um grupo de polícias e detectives, conjugando casos policiais com as atribulações pessoais dos homens e mulheres que servem e protegem diariamente a população. Tal como as suas antecessoras, também esta série se apoia num elenco competente, onde se destacam os detectives Adams (Regina King) e Clarke (Tom Everett Scott) e um surpreendente Benjamin McKenzie no papel do jovem polícia Ben Sherman. O que poderá, então, trazer esta série de novo?

Na verdade… nada. Nada em “Southland” é novidade, nada do que mostra é inédito, e nada do apresenta ao longo dos sete episódios que constituem esta primeira temporada se destaca verdadeiramente. O primeiro dia no trabalho do Ben Sherman pode ser marcante para o jovem polícia, um duro golpe que o força a experienciar a profissão escolhida da forma diferente da imaginada durante a recruta e a questionar as atitudes dos seus pares, mas parece igual a tantas outras introduções, até mesmo no que diz respeito ao discurso final do seu mentor John Cooper (Michael Cudlitz). O elenco, por muito competente que seja, não está ainda devidamente explorado, tendo algumas arestas por limar (ou mesmo eliminar, como seria o caso da mulher do detective Bryant) e a desconexão sentida entre as histórias, possivelmente própria do estilo escolhido para a série, acaba por gerar algumas confusões desnecessárias, como a questão da carreira do agente Dewey.

Se não traz nada de novo, qual então a razão para seguir esta série? Podemos argumentar que “Southland”, ao longo da temporada, vai melhorando, conseguindo, graças aos desenvolvimentos no caso de Janila, recuperar alguma da consistência que tanto precisava. Podemos também argumentar que momentos de tensão como os vividos em “Two Gangs” e“Derailed” ajudam a espevitar uma trama um pouco parada. E podemos sem dúvida afirmar que os inesperados minutos finais deixam uma certa ansiedade por saber qual o desfecho desta história. Todas estas são razões válidas, mas a verdade é que a grande vantagem desta série reside no simples facto de, actualmente, não existir concorrente à altura para esta série. E por vezes, isso é suficiente.

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