Sports Night S1

Can we be men for a second?
Okay, but just a second.

Com o cancelamento precoce de “Studio 60 on the Sunset Strip”, uma das séries favoritas da temporada passada, e o vazio que fica quando se chega ao último episódio de “The West Wing”, procura-se de tudo para colmatar as saudades da escrita de Aaron Sorkin. E é por isso que, mesmo quem não aprecia desporto e costuma mudar de canal cada vez que o telejornal muda para esse tema, dá uma oportunidade a “Sports Night”.

Na verdade, Sports Night é uma série sobre desporto apenas em nome – nos bastidores deste programa, o que tem mais destaque são as relações entre as personagens e o seu trabalho diário em busca do programa perfeito. Casey McCall (Peter Krause) e Dan Rydell (Josh Charles) são os apresentadores do programa, dois grandes amigos que passam o tempo a picarem-se um ao outro e a darem cabo da cabeça a Dana Whitaker (Felicity Huffman), a produtora. Natalie Hurley (Sabrina Lloyd) e Jeremy Goodwin (Joshua Malina) são completos opostos que gravitam inevitavelmente um para o outro e criam confusões por onde passam, e a supervisionar tudo e todos está Isaac Jaffee (Robert Guillaume), que mantém sempre a calma sobre pressão e consegue controlar mesmo as explosões mais estranhas de Dana. Se as notícias sobre os vários desportos são a base dos episódios, o que ganha destaque são os divertidos diálogos de Aaron Sorkin, como sempre ditos à velocidade da luz no já famoso “Walk and Talk”, que nos deixam conhecer as pessoas por detrás das câmaras.

Caracterizar “Sports Night” como uma comédia é um pouco problemático: embora exiba, durante a primeira temporada, uma muito irritante gargalhada gravada no fundo, que não se adequa de forma alguma aos diálogos de Sorkin, “Sports Night” tenta sempre tratar assuntos mais sérios como a violência, o racismo, as drogas e a ética profissional, entre outros, temas que o criador viria a desenvolver mais tarde noutras séries. No entanto, esta tentativa de misturar assuntos sérios e, ao mesmo tempo, manter o tom humorístico, acabou por prejudicar a série, que não conseguiu convencer público suficiente e acabou por ser cancelada no final da segunda temporada.

Mesmo se a série melhore com o passar dos episódios, à medida que vamos conhecendo melhor as personagens e que as várias histórias vão convergindo num ponto central, a verdade é que “Sports Night” mostra um Aaron Sorkin ainda muito verde, sem o fulgor que viria a revelar nos seus tempos áureos da Casa Branca. Talvez por isso, a série não consigue convencer. De qualquer maneira, porque os 22 episódios da segunda temporada são os finais, e porque se espera que haja uma resolução para algumas das crises que ficaram ainda em aberto em What Kind Of Day Has It Been, será dada nova oportunidade a “Sports Night”. E mesmo se, no final, a série não consiga convencer, dá-nos pelo menos a oportunidade de ver os primeiros passos de membros do elenco e actores convidados que viriam a ganhar destaque em “The West Wing”.

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