The X-Files S1

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The truth is out there

Sozinho, regressa ao escritório abandonado, para terminar o trabalho. Da ventilação, olhos ameaçadores esperam o momento certo. Uma porta fecha-se violentamente: é sinal de que o fim está próximo. Gritos. Uma chávena derrama as últimas gotas numa carpete ensopada em sangue.

Não sendo grande fã de histórias de terror, há no entanto algumas imagens que me ficaram guardadas na memória. Uma menina a desaparecer pela televisão; uma rapariga violentamente assassinada num comboio abandonado; um personagem misterioso que se estica em busca das suas vítimas. Visto à distância de uma década, é difícil compreender o terror causado por causa de uma simples história, mas a verdade é que na altura, Squeeze foi um dos episódios que marcou.

Longe ainda dos sucessos (e fracassos) que iria conhecer, The X-Files assume-se desde a primeira temporada como uma série diferente. Trocando habilmente os papéis estereotipados, somos apresentados a Fox Mulder (David Duchovny), um homem sonhador, crente, que procura em vão combater os demónios do passado perseguindo respostas impossíveis para os mistérios mais obscuros. Em contraponto, Dana Scully (Gillian Anderson), pragmática, fria, tenta acalmar os ânimos com uma análise científica dos casos. Foi o começo de uma relação que muita tinta fez correr, que transformou dois desconhecidos em ícones, e que muita dor de cabeça proporcionou aos fãs mais acérrimos.

Mas The X-Files tinha muito mais para oferecer do que um simples casal de investigadores: o fantástico. De óptimas adaptações como Ice a fracassos como Space, os casos paranormais, que dão o mote à trama e constituem, nesta primeira temporada, a grande maioria das histórias, elevavam a série a um patamar onde poucos ousavam pisar, mas rapidamente poderiam ter levado à saturação, não houvesse sempre por detrás destes casos a certeza de uma história maior, de um trama escondida, que espreita de vez em quando, nunca nos deixando antever a verdade. São os famosos episódios da mitologia, que trazem consigo as melhores histórias, as melhores interpretações, as melhores personagens, os saudosos Deep Throat (Jerry Hardin) e Cigarette Smoking Man (William B Davies).

E se aquele friozinho da barriga de há dez anos atrás, dos primeiros contactos com esta realidade, se tornam hoje impossíveis de recuperar, não há como negar que é sempre bom rever os ficheiros secretos que mudaram o mundo da televisão.

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