The Deep

O que temos quando juntamos uma premissa inteligente, actores de renome e um canal que já nos habituou a grandes marcos televisivos? Provavelmente não o que esperávamos quando olhamos para este “The Deep“.

Sejamos justos: a série não é assim tão má. Não obstante os enormes buracos de argumento por onde poderíamos fazer passar o submarino russo que os nossos heróis encontram no fundo do Oceano Árctico, os diálogos insípidos e forçados que mais parecem discursos dirigidos ao espectador, o technobabble sem sentido que deixa qualquer série de “Star Trek” envergonhada e as personagens que insistem em morrer, ressuscitar – ninguém sabe muito bem como – para prontamente morrer outra vez, ainda conseguimos encontrar alguns elementos positivos. Mesmo com pouco tempo de antena, a Svetlana (Vera Filatova) e o Vincent (Sasha Dawhan) até conseguem ser personagens interessantes, e o destino de Arkady (Tom Wlaschiha), lá para o final da história, ainda nos deixa com alguma expectativa. E se a história em si se arrasta lentamente ao longo dos cinco episódios, a verdade é que ainda há algumas cenas digna de nota (por boas razões), como o final do episódio piloto “To The Furthest Place” ou as reviravoltas de “Ghosts of the Deep“, tanto na terra como no fundo do oceano. O problema… o problema é tudo o que fica no meio.

Mas voltemos ao início: a trama em si. A bordo do submarino Orpheus, um grupo de oceanógrafos inicia uma missão ao fundo do Oceano Ártico em busca de um combustível biológico que poderá vir a revolucionar o mundo. No comando da missão Frances (Minnie Driver) e Samson (Goran Visnjic) alternam entre prestar atenção ao que se passa dentro do submarino e discutir o romance proibido entre os dois, enquanto Clem (James Nesbitt) se preocupa mais em tentar descobrir o que aconteceu à sua mulher Catherine (Orla Brady), que desapareceu sem deixar rasto com a última expedição, do que em reparar o submarino quando este se estraga. Para além deste trio e de mais três cientistas que não interessam muito para o caso (ou seja, pouco mais são do que carne para canhão), temos ainda o misterioso e sinistro Raymond (Tobias Menzies) que não parece nada interessado em desvendar o mistério da expedição Hermes mas apenas preocupado em fazer o que os seus patrões – os homens do dinheiro – querem. Quando o Orpheu começa a falhar, a salvação poderá ser um submarino russo que, ao que tudo indica, está abandonado. Mas, como não podia deixar de ser, nada é o que parece à primeira vista, e em solo russo as coisas vão complicar-se com a descoberta de vários corpos e de alguns sobreviventes com cara de poucos amigos.

Se dentro de água a situação parece complicada, na terra as coisas não andam melhores. Em casa de Clem e Catherine, a filha do casal e a sua avó estão a ser vigiadas por alguém que procura destruir todos os dados da investigação de Catherine, e na estação internacional de monitorização do Ártico há facadas nas costas a torto e a direito, com revelações espantosas a chegarem tanto da parte de Lowe (Nigel Whitmey) como de Hatsuto (Dan Li), numa jogada tão surpreendente que nem mesmo o melhor agente secreto ao serviço de sua majestade teria conseguido compreender bem.

Muitas reviravoltas (e muitos revirares de olhos também) depois, quando finalmente chegamos ao último e ridículo capítulo desta história (que pareceu longa, muito longa, mas teve apenas cinco episódios) ominosamente intitulado “The Last Breath“, a certeza que fica é que haveria aqui uma história para contar, que o ambiente criado até era interessante e que os actores poderiam, certamente, ter dado muito, muito mais, mas que a aposta, desta vez, não foi ganha e “The Deep” não irá entrar para a história da BBC.