Studio 60 On The Sunset Strip

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Há um ano atrás Studio 60 On The Sunset Strip era apregoada como a próxima obra-prima de Aaron Sorkin. Depois dos bastidores de um programa de desporto e da Casa Branca, iria agora atacar as desventuras de um programa de comédia ao estilo Saturday Night Live. A série tinha tudo para vingar: um autor reputado, uma equipa de actores excelentes, uma história que ainda não tinha sido explorada. Esperava-se novo sucesso da equipa de sonho. E, no entanto, a série não vingou.

Já todos sabemos que as audiências não são sinónimo de qualidade, como o provam a quantidade de séries excelentes que nunca têm a oportunidade de ver concluída a sua história, mas a verdade é que são ainda elas que ditam o futuro das histórias. Studio 60, talvez pelas grandes expectativas que criou, teve o azar de não conseguir encontrar o seu nicho de mercado. Era uma comédia? Um drama? Uma crítica à sociedade? Studio 60 era um pouco de tudo… e por isso também um pouco de nada.

A premissa era desde logo interessante: Studio 60 On The Sunset Strip é um programa de variedades que está a cair em declínio. Quando o seu produtor executivo Wes Mendell (participação especial de Judd Hirsch) tem uma explosão diante de uma emissão ao vivo, o representante da administração Jack Rudolph (Steven Weber) vê-se obrigado a unir forças com a nova directora de programas Jordan McDeere (Amanda Peet) para conseguir salvar o programa… nem que isso signifique chamar antigos colaboradores para o programa: Matt Albie (Matthew Perry) e Danny Trip (Bradley Whitford).

De volta ao estúdio e a velhos amigos como Cal (Timothy Busfield), Matt e Danny vão ter de lidar com colaboradores descontentes, censura de conteúdos, processos judiciais, prazos apertados, guerras (reais e fictícias) variadas e uma ex-namorada cristã evangélica (Sarah Paulson), que prometem fazer-lhes a vida negra.

Se uma das grandes forças de Aaron Sorkin são os diálogos, na dupla Matthew Perry e Bradley Whitford encontrou quem os conseguisse entregar da melhor forma. As tiradas entre Matt e Danny são sempre o ponto alto de qualquer episódio, passando de sucessivas trocas de piadas a diálogos recheados de emoção com uma destreza que nos surpreende.

Quanto às histórias, alternaram entre episódio mais fracos e momentos que vão ficar para a história como The Christmas Show, possivelmente o melhor episódio de toda a temporada, ou Nevada Day, com a aparição especial de John Goodman, onde ganham destaque personagens como Tom Jeeter (Nathan Corddry) e Simon Stiles (D. H. Hugley).

As personagens secundárias são outra das grandes mais valias desta série e, talvez, o seu grande problema. Nesta série não há inimigos, uma figura de autoridade contra quem se tenha de lutar. Jack Rudolph e Wilson White (Edward Asner) demonstram que mesmo os homens no poder podem ter um bom coração. Já a aposta nas relações das personagens também não teve o efeito desejado: Matt e Harriet chegam ao ponto de ser completamente irritantes, enquanto que a outra relação, mais interessante, parece ter surgido do nada e avançado depressa demais, sintoma dos perigos do cancelamento que se adivinhavam já nessa altura.

What Kind Of A Day Hast It Been, pela terceira vez o título do episódio final de uma série de Aaron Sorkin, tem um tom melancólico, de despedida, mas oferece-nos uma resolução condigna à maioria das histórias que flutuavam pelo estúdio. A aposta da NBC parece não ter tido o efeito desejado, e quem sabe noutra estação mais pequena pudesse ter tido outra recepção, mas pelo menos desta vez tivemos a oportunidade de ver concluída a história destas personagens.

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