The Kill Point

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This is not what we signed on for

A publicidade da mini-série “The Kill Point” era excelente e ajudava a chamar ainda mais a atenção para uma série muito interessante para os grandes fãs de histórias policiais. Com um elenco impressionante e a promessa de muita acção, não havia como perder esta série.

Quando um assalto a um banco corre mal, Mr. Wolf (John Leguizamo) e os seus homens vêem-se obrigados a manter alguns dos clientes como reféns e procurar uma outra saída. Mas este não é um bando qualquer: Mr. Wolf e a sua equipa são antigos marines do exército dos Estados Unidos, que têm contas a ajustar com o governo e com as autoridades. O que começa como um simples assalto transforma-se assim num despertar contra a guerra e as consequências para quem nela lutou.

Para controlar a situação é chamado o Capitão Horst Cali (Donnie Wahlberg), que vai tentar libertar os reféns e, ao mesmo tempo, impedir que a boa gramática seja prejudicada. Mas esta história poderá tornar-se mais perigosa quando os restantes companheiros do Esquadrão 1013, liderados por Deke (Steve Cirbus) resolvem dar uma ajuda na libertação dos assaltantes.

Tal como era esperado, os primeiros episódios desta mini-série têm muita acção e deixam-nos presos ao ecrã. O assalto, o tiroteio, a fuga para o banco, a reacção dos reféns, as primeiras tentativas de inserção no banco pela equipa S.W.A.T. não dão descanso a quem vê a série. O problema chega com o desenrolar da história, quando esta tenta transformar-se em mais do que realmente é.

O que devia ser uma história simples perde-se no meio de twists complicados e sem grande conclusão, como a história do polícia corrupto, a chantagem ao pai da menina rica e as desinteressantes histórias pessoais dos reféns. A piorar ainda mais a história estão os ridículos monólogos do agente da S.W.A.T. Quincy (Michael Kenneth Williams), que nos deixam a suspirar em cada episódio por uma bala perdida que acabe com o suplício.

E, no entanto, esta série poderia ter sido muito interessante. A história secundária dos veteranos de guerra é muito actual, e caso tivesse sido bem tratada, poderia ter dado uma dimensão diferente à série. As referências às consequências da guerra, ao descrédito que o governo americano ganha cada vez mais entre os veteranos, são muito interessantes, e mesmo os longos discursos inflamatórios de Mr. Wolf, completamente impossíveis numa situação real, têm um fundo de verdade que nos deixa a pensar sobre este tema. As consequências físicas e psicológicas da guerra nos soldados, que conseguimos identificar em Mr. Rabbit (Jeremy Davidson), Mr. Pig (Frank Grillo) e Mr. Mouse (Leo Fitzpatrick) são muito interessantes, mas nota-se que houve uma certa relutância em pegar neste assunto e levá-lo até às suas últimas consequências. Mesmo a revolta dos reféns, que prometia alterar completamente o rumo da história, foi tratada de forma rápida e sem fazer grandes ondas.

No final, o que temos é uma série que teve medo de arriscar e tratar os assuntos de forma mais dura, deixando-se apenas cair em clichés secos e insípidos.