Wonderfalls

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Há séries muito boas que ganham algum reconhecimento. Há séries muito boas que passam despercebidas. E depois há aquelas verdadeiras pérolas que permanecem escondidas porque alguém não lhes sabe dar o verdadeiro valor. Wonderfalls é uma dessas pérolas, cancelada ao final de apenas quatro míseros episódios, mas que é uma lufada de ar fresco entre as séries do costume.

Jaye Tyler (Caroline Dhavernas) é uma jovem que trabalha numa loja de souvenirs nas Cataratas de Niagara Falls e que vive num parque de caravanas. Como muitos outros filhos da geração Y, tirou um curso completamente dispensável (Filosofia, é claro), e não se preocupa em dar um rumo à sua vida, desapontando imensamente os seus pais Darrin (William Sadler), um cirurgião de sucesso e Karen (Diana Scarwind), uma popular autora de guias de viagens. A vida de Jay divide-se entre fugir da sua família bem intencionada, irritar os dois irmãos mais velhos Sharon (Katie Finneran), uma advogada de sucesso, e Aaron (Lee Pace), doutorando em Teologia, e lançar comentários sarcásticos no trabalho, enquanto ignora os turistas.

Mas a vida calma de Jaye vai mudar para sempre quando os animais da loja de souvenirs começam a falar com ela. De um momento para o outro, esta sarcástica rapariga é obrigada a ajudar desconhecidos ou enfrentar a fúria musical dos animais da loja. As suas tarefas vão desde arranjar um namorado à irmã, dar voz a uma desconhecida ou consertar casamentos, para grande espanto da melhor amiga Mahandra (Tracie Thoms) e deleite do novo empregado do bar, Eric (Tyron Leitso) Infelizmente, os animais apenas comunicam de forma enigmática, o que vai obrigar Jaye a dar voltas e voltas até descobrir qual a sua verdadeira missão.

Com esta história de fundo, Wonderfalls não parece ser melhor do que tantas outras comédias que são lançadas todos os anos, mas a verdade é que tem qualquer coisa de especial. Os grandes diálogos e tiradas sarcásticas dão vida às personagens criadas por Tom Minear e Bryan Fuller e ao longo dos 13 episódios da série todos têm a sua oportunidade de brilhar. Mas em primeiro plano está sempre a actuação de Caroline Dhavernas, que nos consegue fazer rir às gargalhadas num momento, e quase levar às lágrimas quando a história não corre bem à personagem principal.

Assumindo-se como uma série diferente, leve e descontraída, não deixa mesmo assim de tocar em temas sérios e/ou controversos, encarando-os sempre com uma naturalidade que muitos gostavam de conseguir. Avizinhavam-se grandes planos para as temporadas futuras, mas mais uma vez as audiências falaram mais alto e a história de Jaye ficou-se pelos 13 episódios, com um final um pouco apressado mas, ainda assim, divertido.

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