Spaced S1-2

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Do’you want some tea?

Não há comédias melhores que as britânicas, isso já foi provado diversas vezes. Os americanos bem tentam inventar, copiar, distorcer, mas nunca conseguem chegar ao golpe de génio que são a maioria das britcoms. E certamente nenhuma delas conseguiu chegar aos pés deste Spaced. A história começa de forma simples: a escritora-to-be Daisy (Jessica Stevenson) e o artista de BD Tim (Simon Pegg) precisam de uma casa, resolvendo disfarçar-se de namorados para conseguir um apartamento. O problema é que é preciso enganar a senhoria, Marsha (Julia Deakin) e o vizinho estranho (Mark Heap). Juntem a isso um amigo maníaco por armas (Nick Frost) e uma melhor amiga viciada em moda (Katy Carmichael), e temos a comédia mais surreal de todos os tempos.

Não me ria tanto desde Coupling, outra excelente britcom, mas as duas temporadas de Spaced conseguiram por vezes superar as trocas entre a Sally e o Patrick. A Daisy e o Tim são perfeitos um para o outro, mesmo que não se apercebam disso. Afinal, quem melhor para aturar um neurótico do que outro neurótico? É que entre as horas infindáveis em frente às páginas vazias de Daisy e as rezas ao altar da Buffy de Tim, não há nada que enganar.

As duas temporadas da série são um pouco diferentes. Na primeira temporada somos apresentados às várias personagens, às suas manias, às suas tentativas de encontrar sucesso e, especialmente, à tentativa de enganar Marsha. Cada episódio baseia-se num filme de culto, o que dá asas a pérolas como o episódio sobre os filmes de guerra, ou o episódio onde, empurrados por Tyres, se vão divertir a uma rave.

A segunda temporada é um pouco mais calma, e foca mais o desenvolvimento que as personagens sofreram. Eles são agora mais velhos, estão mesmo a entrar no lado errados dos 20s, mas continuam com as manias de sempre. Daisy regressa da sua viagem à Ásia com novos poderes, mas com a mesma falta de vontade de escrever, enquanto que Tim continua a tentar esquecer Star Wars: The Phantom Menace, pondo mesmo o seu trabalho na loja de BD em perigo. Com Marsha cada vez mais desconfiada, é necessário não dar nas vistas por causa do apartamento, mas uma nova conquista de Tim poderá por tudo a perder. Se a segunda temporada não é tão hilariante quanto a primeira, não deixa de ter os seus momentos de génio (como as Robot Wars ou a lutas com armas fictícias), e é com grande pena que se chega aos episódios finais. Embora houvesse planos de uma terceira temporada, a resolução final foi perfeita: o happily ever after é apenas ficção, mas pelo menos os amigos ficam para sempre.

Uma série obrigatória para todos os fãs de tv, cinema, comics e cultura popular em geral. Buffy, A-Team, Star Wars, Star Trek, filmes de terror, jogos de computador… todos têm direito a uma homenagem nesta série, e para se apanhar todas as referências é recomendável ver os episódios com as legendas “Homage to…”. Afinal, ninguém quer perder pérolas como a legenda “Every War Movie EVER!”.

E para matar as saudades… venha daí um Shaun of the Dead. E um Hot Fuzz, se algum dia estrear por cá. 🙂