Traveler

traveler.jpg

Conheces bem os teus amigos? Confiavas a tua vida neles? E se, de um momento para o outro, tudo aquilo em que acreditavas desaparecesse?

Jay, Tyler e Will, amigos nos últimos dois anos, preparam uma viagem pelo país para celebrar o final do curso e o início da vida adulta. E nada melhor do que começar a viagem com uma corrida de patins em linha pelo museu da cidade. O problema surge quando o museu explode, Jay e Tyler são acusados de terrorismo, e Will desaparece nas sombras, tudos os vestígios da sua identidade apagados.

Esta era a premissa de Traveler, uma das séries que mais atenção me tinha despertado o ano passado. O tema não era novo, uma mistura de O Fugitivo com teorias de conspiração capazes de nos deixar com a cabeça à roda, mas prometia trazer grande acção e uma história interessante. A série até nem começa mal, mesmo com todos os clichés que já conhecemos: Jay (Matthew Bomer), o bom rapaz e Tyler (Logan Marshall Green), o pobre menino rico, acusados de um crime que não cometeram, vão ter de provar a sua inocência com a ajuda de Kimberly (Pascale Hutton), namorada de Jay e o misterioso porteiro (Billy Mayo). Mas o perigo continua à espreita, e nem o FBI escapa desta conspiração.

Quem mandou explodir o museu? Estará Carlton Fog (William Sadler) relacionado com esta história? De que lado estão os agentes Chambers (Steven Culp) e Marlow (Viola Davis)? E, acima de tudo… quem é Will Traveler (Aaron Stanford)?

Embora o tema não seja novo, a história parecia mais actual do que nunca, se tivermos em conta o contexto em que vivemos: as teorias de conspiração estão cada vez mais em voga, e a constante menção ao terrorismo e às leis aprovadas nos EUA para o combater tornam esta uma série extremamente actual. Guantanamo, prisões ilegais, Patriot Act… nada foi esquecido nesta realidade.

Infelizmente, como já se começa a tornar habitual, vários problemas e controvérsias limitaram a história antes mesmo do primeiro episódio ser emitido. A diminuição de 12 para 8 episódios fez com que a série se tornasse apressada, deixando os espectadores com a sensação que há coisas que não foram bem explicadas. A sensação que tive ao ver a série foi mais ou menos a sensação que tenho ao ver uma adaptação de um livro ao cinema, como se fosse preciso ler o livro para conhecer toda a história, para perceber o que foi cortado. E para agravar ainda mais a situação, a série fica com um final aberto, à espera que a ABC decida se vale a pena investir mais dinheiro numa segunda temporada. Chegamos ao final sem uma conclusão satisfatória, com mais perguntas do que respostas, e com a sensação de que esta poderia ter sido uma grande série, se ao menos tivessem apostado nela.

O que sobrou foi um “might-have-been” interessante, e um Aaron Stanford em grande forma (Go Pyro, go!). Pena.