Dead Like Me S1

We lead our lives, and when they end, sometimes we leave a little of ourselves behind. Sometimes we leave money, a painting, sometimes we leave a kind word. And sometimes, we leave an empty space.

A morte tem sido, ao longo dos séculos, um dos maiores mistérios do mundo. Os cientistas procuram formas de a retardar, os filósofos interrogam-se sobre o seu significado, e os teólogos tentam fazer-nos aceitá-la. Para o bem ou para o mal, a morte faz parte da vida da humanidade, e é impossível escapar-lhe. Mas aposto que nunca ninguém se viu a braços com a morte como George.

Georgia “George” Lass (Ellen Mutt) está a ter um dia daqueles. Desistiu do curso da universidade, regressou a casa dos pais, e vê-se agora obrigada a aceitar um emprego temporário entediante num escritório. Sem qualificações e com uma atitude que não inspira confiança, o futuro de George não parece muito risonho… isto é, até ao dia em que uma sanita da estação espacial MIR lhe cai em cima da cabeça, e o seu futuro se desvanece em segundos. Uma vida que estava ainda a começar acaba de um momento para o outro. Mas como George irá descobrir, nem sempre a morte dita o fim da vida.

Antes das televisões terem decidido que falar com os mortos é que era fixe, e terem posto todo e qualquer gato-pingado a fazê-lo, a morte era um tema controverso, tratado com seriedade e respeito. Uma seca, basicamente. Já Bryan Fuller percebeu que a morte era um óptimo ponto de partida para criar uma comédia negra sobre a vida. Dead Like Me dá-nos a conhecer o dia a dia de ceifadores de vidas, responsáveis por guardar a alma dos mortos até que estas sigam o seu caminho. George, recém-morta, junta-se a Daisy (Laura Harris), Mason (Callum Blue) e Roxy (Jasmine Guy) numa equipa comandada por Rube (Mandy Patinkin), o distribuidor de tarefas. Com apenas as iniciais do morto, a morada e a hora do óbito escritas num post-it, os ceifadores têm de encontrar os alvos e sacar as suas almas antes que seja tarde demais. Muito trabalho, portanto, para alguém que preferia não fazer nada, especialmente quando as regalias do trabalho são nenhumas e obrigam George a arranjar um trabalho “oficial” para suprir as necessidades básicas de todos os ceifadores, como dinheiro, casa e comida.

Recheada de personagens caricatas, onde se destacam Rube e a hilariante chefe de George, Delores Herbig (Christine Willes), situações divertidas e diálogos contundente, Dead Like Me não se deixa, no entanto, cair no fosso da comédia fácil. O humor está presente em todos os episódios – das mortes caricatas presenciadas pelos ceifadores aos hilariantes momentos passados nos escritórios da Happy Times – mas, ao mesmo tempo, a dor que a morte consigo acarreta não é esquecida. Momentos mais instrospectivos, como os vividos durante uma sessão de burocracia em Nighthawks deixam-nos ver que mesmo os ceifadores, que pouca compaixão pelo próximo parecem demonstrar, têm sentimentos. E se descobertas como as que Mason faz em The Bicycle Thief são raras, por nos apresentarem a visão dos mortos, são os momentos dedicados à família de George que mostram ser os mais comoventes e verdadeiros.

Prova viva de que só damos valor ao que já perdemos é a família Lass: com um pai (Greg Kean) distante, resta à mãe e à irmã de George lutarem contra a tristeza, cada qual à sua maneira. Enquanto Reggie (Britt McKillip) constrói monumentos surreais à morte da irmã, Joy (Cynthia Stevenson) mascara a dor pela perda da filha com a sua habitual amargura e criticas. Ao longo dos catorze episódios que constituem a primeira temporada, vamos assistindo ao desmoronar de uma família que não se consegue unir na dor, e que é incapaz de enfrentar os seus problemas mas que, nos consegue ainda deixar com uma réstia de esperança em Vacation e Rest in Peace.

Uma óptima precursora de séries de culto como Wonderfalls e sucessos como o mais recente Pushing Daisies, Dead Like Me entra desde já para as favoritas deste ano.

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