The Middleman

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Oh Phooey

De vez em quando (e cada vez mais raramente), surge no panorama televisivo americano uma série diferente, divertida, marcante. Infelizmente, estas séries têm o condão de desaparecer tão depressa quanto surgem devido à falta de paciência dos que têm o poder de decisão. E se o cemitério das séries de culto se encontra já bem recheado, “The Middleman” tem um lugar garantido no top das melhores novas vítimas de 2008.

Wendy “Dubdub” Watson (Natalie Morales) é uma jovem artista que se vê obrigada a aceitar trabalhos temporários enquanto não é descoberta e alcança a fama e fortuna que merece. Divide a vida entre a sua arte, os filmes de zombies, as conversas com a melhor amiga Lacey (Brit Morgan) e o filosófico Noser (James Smolett) e uns ocasionais empregos aborrecidos como recepcionista. Mas no dia em que o laboratório onde trabalha é atacado por um monstro gigante, a vida de Wendy vai mudar para sempre ao conhecer o misterioso e hiper-educado The Middleman (Matt Kesslar), que a convida para se juntar à misteriosa organização 02STK (Organization Too Secret Too Know) e lutar contra as forças do mal. De artista desempregada a sidekick do maior super-herói da Terra, Dubdub vai agora ter de lidar com demónios diversos, lutadores de wrestling malvados, cheerleaders fantasmagóricas, vampiros ventriloquistas e pelo menos um universo paralelo onde ninguém é aquilo que parece. Com o middlerelógio à espera das chamadas mais inesperadas, e armada com os middlegadgets mais espectaculares de sempre, que resolvem qualquer problema no último segundo, Wendy está pronta para entrar em acção.

Recheada de efeitos especiais que passam do inovador ao retro em poucos segundos, e armada com um humor mordaz e diálogos rápidos que desafiam qualquer nativo, “The Middleman” não deixa ninguém indiferente. Por entre homenagens à banda desenhada dos superheróis clássicos que deu o mote à história, às séries de aventuras e de espionagem dos anos 60, aos filmes de terror B e à ficção científica, encontram-se também momentos dedicados à música, ao cinema, à literatura. Divertida e inteligente sem deixar de ser acessível a qualquer um, é um verdadeiro tesouro para os fãs de cultura popular que têm nos doze episódios a oportunidade de testar os seus conhecimentos. Para os restantes, uma passagem pelo The Middleblog do criador Javier Grillo-Marxuach ajuda a apanhar todas as subtis brincadeiras que passam despercebidas ao comum mortal. E se o tema não fosse suficiente para chamar a atenção, as interpretações de Matt Kesslar como o responsável Middleman, com os seus quatro copos de leite diários, paixão pelos westerns clássicos e recusa em dizer asneiras, e especialmente de Mary Pat Gleason como Ida, a descarada secretária/robot/computador do quartel secreto, são um dos pontos altos da série. Juntando a isso as participações especiais de actores conhecidos, como Kevin Sorbo e o seu Middleman 1969, não há dúvidas de que se criou aqui um universo irrepreensível. Infelizmente, não foi o suficiente para a série vingar.

Onze anos depois de o piloto da série ter sido recusado por todas as estações de televisão, e depois de uma bem sucedida versão de banda desenhada, “The Middleman” vê o seu futuro na televisão novamente incerto e do limbo em que se encontra a segunda temporada nem Wendy e The Middleman a conseguirão salvar. Ficam os grandes episódios, as gargalhadas e os momentos inesquecíveis.