Dirt

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Lucy Spiller (Courtney Cox) é uma poderosa editora de uma revista de escândalos. Numa cidade recheada de estrelas, isso dá-lhe o poder de decidir sobre a vida de todos. Apoiada por uma equipa arrojada e pelo seu inseparável companheiro de juventude, Don Konkey (Ian Hart), vai expor todos os segredos dos famosos de Hollywood, doa a quem doer. E o seu primeiro alvo vai ser o jovem casal Holt McLaren (Josh Stewart) e Julia Mallory (Laura Allen). Mas o sucesso não é tudo, e também Lucy tem alguns segredos que quer esconder do público. O problema é quando ela deixa de ser a instigadora, e começa a ser a vítima de perseguição.

A FX teve imensos sucessos com séries arrojadas como The Shield e Nip/Tuck, mas este Dirt não conseguiu vingar. Aproveitando um pouco a onda de Entourage, apresenta-se como uma série que quer mostrar os escândalos de Hollywood tal como o são relatados (ou, muitas vezes, engendrados) pelas revistas mediáticas. Mas se Entourage apostou em relatar situações reais de forma directa, frequentemente convidando as próprias celebridades para se representarem a si próprias, em Dirt aposta-se em criticar a realidade de forma mais velada. Quem conhece um pouco das celebridades de Hollywood consegue identificar algumas situações e referências, mas sempre desenhadas genericamente, de forma a não ferir susceptibilidades.

Por outro lado, se não apostou na realidade, levou o “make believe” a voos altos demais. Animais falantes não eram vistos desde os livros da Anita, cabeças em garrafas de vinho não lembravam nem ao pior dia de Big Pussy dos Sopranos, e quem levou à letra a expressão “She’s gonna have kittens” provavelmente está a precisar de ser internado numa das famosas clínicas de Hollywood.

Em resumo, uma série perfeitamente dispensável. Quem quiser aprender algo sobre os bastidores de Hollywood, dirija-se a este canto.

The Shield S5

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The Killer in Me is the Killer in You

Que The Shield era uma das melhores séries policiais de sempre, já tinha ficado provado. Mas esta quinta temporada conseguiu superar tudo. Uma temporada brilhante, onde não existe um único episódio mais fraco ou dispensável. Não há histórias paralelas a dominarem a plot principal. Regressa-se às origens, ao primeiro episódio da primeira temporada, às consequências que este vai finalmente trazer para a equipa anos depois.

Se a quarta temporada trouxe uma história mais calma, focando principalmente as personagens secundárias, conseguiu no entanto lançar as bases para esta quinta temporada. Um erro vai permitir que os Internal Affairs investiguem a equipa, e finalmente vêem-se confrontados com o seu maior inimigo, na pessoa de Jon Kavanaugh da I.A.D.

Quem vê Forest Whitaker na pele de Jon Kavanaugh esquece completamente a actuação de Glenn Close na temporada anterior. Kavanaugh é o polícia incorruptível que não se importa de passar por cima de todos para conseguir os seus objectivos. E quando a sua missão é destruir a equipa, ninguém o vai conseguir parar. A forma como consegue manipular quase todas as personagens, fortes ou fracas, para o ajudar, está brilhante. Kavanaugh quase nos consegue fazer lembrar que sim, estas personagens merecem tudo o que de pior lhes possa acontecer. Afinal são corruptos, roubam, espancam, matam. A razão está do lado de Kavanaugh… e no entanto é impossível apoiá-lo. Por mais corruptos que sejam, Vic (Michael Chicklis), Shane (Walton Goggins), Lem (Kenny Johnson) e Ronnie (David Rees Snell)  são os heróis do série. “You’re trying to get me to turn against my family”. São uma família que Kavanaugh está a tentar destruir.

É impossível gostar deste final, mas era óbvio, desde início, que não poderia ter havido outro desfecho. Não fossem os spoilers que me deram há uns tempos atrás, e o choque teria sido maior, mas de qualquer forma, há muito tempo que esta série não tinha um final destes. Na season 6, que está já aí à porta, alguém vai ter de pagar.

The Shield S4

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Não há direito em estragar duas temporadas a uma pessoa! Juro que não há! Estava eu toda contente, acabadinha de comentar a terceira temporada de The Shield, quando um(a) &%$#”$%! qualquer me faz um comentário a contar o final da quinta temporada. Um grande final, com um grande desfecho, que já não será desta forma uma surpresa. 😡

Enfim, mas não seria por causa disso que ia deixar de ver a quarta temporada desta série, especialmente depois do excelente final da temporada anterior. A tensão estava há já algum tempo a acumular-se, com grandes conflitos dentro da equipa, que vieram ao de cima no último episódio da temporada anterior. Depois de todos estes conflitos, nada poderia ficar na mesma, e é assim que se começa a quarta temporada, com uma equipa dividida, à procurar novos caminhos.

Enquanto a Strike Team tenta reestruturar-se, a vida na esquadra está também prestes a sofrer uma reviravolta, com a chegada da nova Capitã, Mónica Rawling, interpretada pela grande Glenn Close. Quem a viu em Atracção Fatal (ou, num registo totalmente diferente, nos 101 Dálmatas :s), não consegue imaginá-la nesta série, mas provou que é uma actriz versátil e deu um grande impulso à sua personagem. Com uma mentalidade diferente, Mónica Rawling vai tentar mudar o distrito de Farmington, contra tudo e contra todos. E para isso terá como maior aliado Vic Mackey (Michael Chicklis).

Numa temporada mais calma que as anteriores, são as diferenças de métodos de trabalho das várias personagens que chamam a atenção, e o criador Shawn Ryan consegue mais uma vez provar que nesta série não há lugar para bons nem maus; Good vs. Evil é substituído por Bad vs. Evil. Não há nenhuma personagem que saia ilesa deste conflito, dos polícias aos gangsters, o que torna a série bem mais real do que muitas outras.

E se no final deste 11 episódios alguns dos conflitos passados foram resolvidos, a grande guerra só agora vai começar. Se Forest Whitaker puder, nada será o mesmo no final.

The Shield S3

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“We’ve been through a lot, you and me.
I’m givin’ you one chance to walk away.
You take it”

Esta é provavelmente uma das melhores séries policiais que já vi. E sendo eu grande fã de séries policiais, isso é dizer muito. Ao fim de três temporadas as histórias continuam interessantes, as situações apresentadas diferentes, a actuação das personagens ao seu melhor nível.

Quando se pensava que a história do “comboio” tinha acabado, ela regressa em força, sendo o elo de ligação dos 15 episódios da temporada. Conseguir o prémio não é tudo, é preciso também saber o que fazer com ele, e a Strike Team viu-se pela primeira vez obrigada a jogar à defesa. A resolução, se não foi um dos momentos mais chocantes (o Aceveda que o diga! :s) numa temporada recheada deles, foi certamente imprevisível. Grande Lem (Kenny Johnson)!

Para além das mudanças imprevisíveis, outra das marcas desta série é o estilo de filmagem. Com uma câmara de ombro conseguem filmar as cenas de forma mais crua, deixando de lado os grandes planos para se focar em aspectos particulares da imagem. A equipa a preparar-se para entrar em acção filmada de cima de um prédio ou os planos laterais durante os confrontos dão a sensação de que estamos no meio das cenas, ajudando a criar um maior envolvimento. O confronto entre o Shane e o Tavon (Brian J. White) é um bom exemplo disto, sendo um dos momentos altos da temporada.

Epara uma série que costuma apostar mais em acção e diálogos curtos mas significativos, os minutos finais do último episódio foram uma grande revelação. A relação entre Vic (Michael Chiklis) e Shane (Walton Goggins) é das mais desenvolvidas ao longo da série, mas nunca se tinha assistido a um confronto tão grande entre os dois. Grandes interpretações! E pelos spoilers que sem querer encontrei (damn you Wikipédia), vem aí bronca. And I’ll be right there watching.

Grande série, grande temporada, venha a próxima!

The Shield S2

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Depois de uma primeira temporada excelente, não havia dúvidas que The Shield continuaria a mostrar histórias de alto nível.

Numa série que não hesita em inovar e surpreender, não se espera que as histórias sofram evoluções tão grandes: dos problemas familiares de Vic (Michael Chiklis), à sua aliança com Aceveda (Benito Martinez), passando pelos dramas profissionais de Danny (Catherine Dent) e de Julien (Michael Jace), toda a temporada foi surpreendente.

Mas a maior surpresa foi, sem dúvida, a resolução da história do Money Train, cujas consequências prometem dar muito que falar nas temporadas seguintes, bem como a decisão inesperada da Detective Wyms (em mais uma brilhante interpretação de CCH Pounder).

Uma série que merece todo o reconhecimento.

The Shield S1

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“Good cop and bad cop left for the day.
I’m a different kind of cop.”

Ficam já avisados, sou uma grande fã de séries policiais. Desde o velhinho Hill Street Blues ao actual 24, passando por marcos como Homicide: Life On The Streets. E como grande fã que sou, não podia deixar passar esta em branco.

The Shield mostra-nos uma esquadra de polícia em Los Angeles, onde a linha entre o bem e o mal se confunde frequentemente. De um lado, Vic (Michael Chicklis), Shane (Walton Goggins) e Lem (Kenny Johnson), uma equipa de polícias corruptos mas eficazes, que conseguem manter alguma estabilidade nas ruas para proveito próprio. Do outro, David Aceveda (Benito Martinez), um capitão que tenta combater a corrupção mas que é, por vezes, forçado a aceitar a eficácia da equipa.

Desde o primeiro momento, somos forçados a aceitar uma realidade: nesta série não há bons nem maus, preto ou branco; vive-se num mundo cinzento, onde a violência, o crime e a corrupção não estão apenas de um lado da cerca. É talvez este o aspecto mais interessante da série, o não conseguirmos odiar nenhuma das personagens, pois todas elas apresentam aspectos redentores, seja no trabalho ou em casa.

Ao bom estilo real de Homicide, nesta primeira temporada assistimos a momentos impressionantes, que começam no primeiro episódio e apenas terminam apenas nos explosivos minutos finais, com as várias histórias individuais a atingirem um crescendo e a difícil realidade a atingir todas as personagens. Ninguém sai ileso desta primeira temporada, e apenas posso imaginar o que vai acontecer nas próximas.

Experimentem este excelente drama policial, vão ver que não desilude.

Nip/Tuck S3

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Nip/Tuck é uma série muito interessante, que quebra alguns tabus, que apresenta a realidade de formas diferentes, que não tem medo de arriscar. Mas na season 2 achei que exageraram de tal maneira que já não era possível reconhecer as personagens. (Nunca, mas nunca mais, conseguirei olhar para a Jean Grey sem pensar na Ava da Famke Jannsen. Sigh…) Assim, não estava com grandes expectativas para a terceira temporada, mas fiquei surpreendida. Até gostei.

Gostei de ver um Sean (Dylan Walsh) mais parecido com si mesmo: ainda com muitas dúvidas existenciais, mas já mais controladinho. Gostei de ver o Christian (Julian McMahon) a encontrar a sua cara metade (quem diria que seria esta!), gostei de ver a Julia (Joely Richardson) finalmente a fazer qualquer coisa da sua vida. Adorei o visual da série (os cenários, o mobiliário, as casas, e até gostei da história do Carver, cuja identidade adivinhei logo de início, mas que ainda conseguiu dar umas dúvidas ali no final.

Só tive pena de duas coisas: aquele final extremamente forçado (como se fosse possível enganar todos daquela maneira!) e do Matt (John Hensley) continuar a ser o miúdo idiota que é. A. sei que o teu ódio pessoal é pela Julia, mas eu continuo na minha – livrem-se do Matt, por favor!

(E como sou curiosa, já andei a cuscar a season 4, e parece que vai haver grandes mudanças. Hum…)