Entourage S7

“Look, you got what you wanted, I’m officially out of control.”

Como é que sabemos que o Verão, finalmente, chegou? Não é quando viramos a folha do calendário, nem quando começamos a ver Alfama decorada, muito menos quando o calor marca presença. Não, o verão chega quando os nossos guilty-pleasures televisivos se anunciam na TV. E entre esses, nenhum bate “Entourage”. O problema… o problema é quando o inverno se abate sobre os mesmos.

Depois de uma sexta temporada com altos e baixos, com boas histórias e desenvolvimentos interessantes de personagens pouco trabalhadas até então mas, também, com histórias que prometeram, prometeram e nunca deram em nada, esperava-se que a sétima (e penúltima) temporada desta série conseguisse pegar no que de melhor para trás tinha ficado e encaminhasse, definitivamente, a história no bom sentido. Infelizmente, provando que as nossas expectativas, quanto maiores são, mais furadas saem, o que tivemos foi uma temporada exasperante e que conseguiu mesmo destruir muito do que de bom para trás tinha ficado. No cerne da questão… Vince (Adrian Grenier).

Logo a abrir em “Stunted“, e porque, em Hollywood, tudo chega mais cedo, a crise da meia-idade instala-se em Vince depois de um acidente no set de filmagens. Tema aberto para a temporada, o que se seguiram foram nove episódios em que assistimos à lenta caída de Vince numa espiral de auto-destruição. Que Hollywood é uma Meca para histórias de actores que passaram pelo mesmo, já nós sabíamos. Mas que, com tantos exemplos onde ir buscar histórias para complementar esta “fase” de Vince, tenham escolhido “Vince resolve regressar aos tempos de criança a fazer birras e a bater com o pé no chão” é desanimador. Dar protagonisto à “estrela” da série que, na verdade, sempre esteve em segundo plano podia ter sido uma boa oportunidade de desenvolver uma personagem que sempre nos pareceu muito supérflua nesta história. O problema surge, no entanto, quando se aliam situações pouco interessantes a interpretações sofríveis, não só do actor principal mas também de Sasha Grey, uma estrela de filmes pornográficos contratada para fazer de sua namorada mas que, infelizmente, de actriz nada tem, e a uma dificuldade em fazer com que as acções e as tomadas de posição tenham consequências futuras. Explorar o lado mais “sério” e “real” da vida das grandes estrelas de Hollywood teria sido uma uma forma muito interessante de revitalizar esta série, mas ao fazerem as acções de Vince, fossem elas nas entrevistas de emprego, nas reuniões com os estúdios ou simplesmente na vida por entre a sociedade de Hollywood, não terem consequência alguma até ao desfecho final em “Lose Yourself“, retirou credibilidade à história. E isso, infelizmente, não é o que se quer… seja em que tipo de série for.

Mas porque o mal não se ficou apenas por uma aldeia, a sétima temporada de “Entourage” conseguiu, também, destruir tudo o que de bom se tinha feito por Turtle (Jerry Ferrara) na temporada anterior, fazendo-o regredir à personagem sem rumo do passado e, pior ainda, oferecendo-nos uma desinteressante história sobre tequilla que apenas bocejos consegue arrancar do espectador. Já Eric (Kevin Connolly), longe dos dilemas amorosos do passado, vai planeando o seu casamento e acaba remetido quase a personagem secundária, apenas ganhando algum interesse quando, numa reviravolta interessante, um fantasma do passado surge: Billy Walsh (Rhys Coiros).

Se todos estes pontos negativos fazem qualquer fã da série desesperar houve, mesmo assim, algo para alegrar e dar alento de um final condigno para a mesma no próximo verão. Os nomes, esses, são sempre os mesmo: Ari (Jeremy Piven) e Drama (Kevin Dillon), duas personagens tão diferentes, em pontos tão opostos da sua vida mas que acabam, ao longo da temporada, por inverter papéis. Sempre sem trabalho, Drama desespera de início, mas com a chegada de Billy Walsh poderá ter encontrado o seu verdadeiro caminho na animação. Já Ari, esse, começa em alta, dono do mundo, mas devido a jogos de poder com uma velha inimiga e à determinação de uma (ex-)funcionária, poderá ter posto tudo a perder, tanto na vida profissional como na pessoal. Elementos de destaque em todas as temporadas, especialmente na parte da comédia, como por exemplo em “Tequilla Sunrise“, onde Drama tenta convencer um velho rival a ser o co-protagonista de uma série, ou a explosão mais do que anunciada de Ari em “Sniff Sniff Gang Bang“, continua a ser nas cenas mais dramáticas, mais pessoais, mais sinceras, como a sentida declaração de Drama à secretária de Eric, ou o pedido sincero de uma nova oportunidade de Ari à mulher, que os dois se destacam.

Com boas ideias, boas histórias e sempre com aquele pezinho de crítica à sociedade que desde início marcou a série, esta poderia ter sido uma temporada de destaque de “Entourage”. Infelizmente, o que nos ofereceram foi, apenas, mais do mesmo. E isso, infelizmente, já não chega para nos satisfazer.

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