How I Met Your Mother S5

Se há algo que se tem provado temporada atrás de temporada, é que histórias sem um fim à vista geralmente não dão bom resultado. Com o passar dos episódios, as personagens começam a cair numa rotina, as histórias individuais a não avançarem, e a trama principal a tornar-se tão convoluta, que já não sabemos bem o que nos atraiu, de início, para essa série. Se isso ainda não aconteceu totalmente em “How I Met Your Mother“, a verdade é que já estivemos mais longe.

Depois de uma quarta temporada que até começou bem mas que, depois da saída de Stella, perdeu totalmente o seu rumo, a quinta temporada prometia regressar aos eixos, graças ao assumir de uma relação que, há muito, se adivinhava. Barney (Neil Patrick Harris) e Robin (Cobie Smulders) podiam ter os seus problemas pessoais, as suas particularidades que os impediam de assumir uma relação duradoura com os outros, mas a verdade é que davam bons indícios de que iriam, desta feita, fazer um esforço maior. Sendo esta uma história que se adivinhava há algumas temporadas, a expectativa para ver o que iria acontecer era grande. Infelizmente, a expectativa provou ser em vão, pois mais uma vez os argumentistas subscreveram aquela teoria (errada) de que casais juntos são chatos, que o “separa e volta a juntar” é que chama os espectadores, e resolveram dar cabo da relação sem qualquer explicação. Se “Definitions” foi um dos primeiros indícios de que esta história ia descarrilar, “Rough Patch” comprovou que não houve aqui qualquer vontade, por parte de quem escreve a série, de dar uma oportunidade à história, terminando de forma muito pouco orgânica algo que ainda agora tinha começado.

Fechado este capítulo da história, o que se seguiu foram muitos episódios onde a qualidade alternou entre o muito bom, como os fantásticos esquemas de Barney em “The Playbook“, o melhor episódio da temporada e, provavelmente, um dos melhores de toda a série, ou as viagens pelas memórias de Ted (Josh Radnor) em “Say Cheese“, o mediano, e o muito mau, como o episódio dedicado ao tabaco “Last Cigarrette Ever“, o desinspirado “Rabbit or Duck” ou mesmo o completamente aborrecido “Robots vs. Wrestlers“, onde nem o absurdo conseguiu salvar a situação. As histórias continuam com alguma piada, é certo, e o recurso a estratégias engraçadas de estrutura da história – saltos entre passado, presente, futuro, realidades alternativas – permanece, mas não se revelaram suficientes para compensar a falta de uma direcção da história. Ted continua à procura da mãe, mas tirando um par de sapatos enconta-se no mesmo ponto em que estava de início. Marshall (Jason Segel) e Lily (Alyson Hannigan), tiveram os seus momentos para brilhar, como em “Double Date” ou “The Sexless Innkeeper“, mas pouco mais fizeram, permanecendo secundários numa série onde, há muito, são vistos como principais. E quanto a Robin, que depois de acabar com Barney esteve um pouco perdida, e apenas em quase no final da temporada, em “Of Course“, deu a conhecer a sua verdadeira mágoa, desdobrou-se entre o trabalho e o novo namorado, mas terminou, tal como os outros, no mesmo ponto em que iniciou.

Cento e dozen episódio depois de começar, não há como negar – há muito que esta deixou de ser uma série sobre como Ted conheceu a mãe dos seus filhos para passar a ser uma série sobre cinco amigos em Nova Iorque, sobre as suas aventuras e desventuras, sobre, no fundo, a vida. Isso não significa, no entanto, que seja possível manter para sempre a série sem qualquer rumo – seja ele a mãe ou a certeza de que não haverá “mãe” -, sem qualquer direcção concreta para a história que nos faça voltar, semana após semana, a este universo ficcional. Quer-se uma direcção, quer-se crescimento das personagens, quer-se algo mais do que umas (poucas) gargalhadas em alguns episódio. Quer-se, talvez, uma data marcada para o final desta história de forma a que seja possível ver a luz ao fundo do túnel.

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2 thoughts on “How I Met Your Mother S5

  1. O que mais me chateia nesta temporada, é o constante estragar de coisas assumidas em temporadas anteriores.

    Parece que quem escreveu esta não sabia o que tinha escrito nas anteriores.

    A série está cheia de inconsistências, mas esta temporada abusou.

    Houve uma que me irritou particularmente: aquela história da escova de dentes do Marshal/Lilly/Ted/Robin. Quantas não foram as vezes que vimos na casa de banho mais uma escova de dentes, e quantas não foram as vezes que vimos o Marshal e a Lilly a lavar os dentes ao mesmo tempo.

    Mas isso até se aguentava bem se as histórias compensassem, mas é cada uma pior que a outra. Quando me ponho a ver as temporadas antigas é que me lembro o porquê de já ter adorado esta série…

    Cumps

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