Fringe S1

“We think we understand reality, but our universe is only one of many.”

Fã que é fã de banda desenhada e ficção científica, não estranha nada que lhes ponham à frente. Saltos no tempo e no espaço, universos alternativos e realidades paralelas ou mesmo dias de futuros passados que nunca mais o serão, são ocorrências do dia-a-dia, umas mais bem exploradas do que outras, mas que nunca deixam de ser intrigantes. Assim sendo, e numa época em que a ficção científica tem cada vez mais dificuldade em se afirmar no ecrã, é bom saber que ainda há quem aposte nestes temas. Infelizmente, a coisa nem sempre corre bem… pelo menos de início.

Comparações inevitáveis feitas a “The X-Files“, aquela série mítica que permanece até hoje na memória de todos, “Fringe” sai claramente a perder: a premissa até pode ser interessante mas pouco original, especialmente quando se dedica, episódio atrás de episódio, a explorar o paranormal em histórias que começam, geralmente, de forma espectacular mas que terminam, invariavelmente, com um grande bocejo de desapontamento. A fórmula escolhida para os casos, com uma resolução que se prende quase sempre com qualquer coisa criada há anos atrás pelo cientista principal, o louco Walter Bishop (John Noble), é tão cansativa quanto a falta de expressividade da actriz principal, Anna Torv, com a sua Olivia Dunham, uma agente do FBI que, depois da morte do homem que ama, se vê envolvida numa rede de mistérios e experiências peculiares com consequências potencialmente perigosas. Se, a tudo isto, juntarmos uma corporação misteriosa que poderá, talvez, estar envolvida numa conspiração de alcance mundial e que não se importa de brincar com a vida humana, é caso para começar a pensar de que sombra irá sair o Cancer Man. Mas, de repente, tudo muda.

Se, dos vinte episódios que constituem a primeira temporada, apenas cerca de meia dúzia é realmente interessante, a partir do momento em que a história ganha uma direcção mais concreta, em que os casos da semana deixam de ser apenas aberrações para passarem a ter um potencial papel no “incidente” que se adivinha, a série consegue finalmente dar o tão necessário salto de qualidade.  “The Arrival“, com o primeiro destaque dado ao misterioso “The Observer” (uma brilhante piscadela de olhos aos acérrimos fãs de banda desenhada), deixa ver que há aqui material para construir uma mitologia interessante, e a mid-season finale consegue animar os ânimos durante breves segundos, mas apenas na recta final da temporada, quando segredos antigos são revelados, o papel de Olivia na guerra que se adivinha entre os universos se estabelece e se lançam as fundações para uma trama mais abrangente, a série consegue finalmente distanciar-se daquelas que desbravaram o caminho do paranormal no passado e deixar a sua marca.

Com uma primeira temporada penosa de seguir, personagens que alternam entre o muito bom, como é o caso de Walter, numa relação muito interessante com o filho Peter (Joshua Jackson), o sub-aproveitado, como o caso de Charley (Kirk Acevedo), Broyles (Lance Reddick) e Nina Sharp (Blair Brown) e o “o que é que estes ainda andam aqui a fazer?”, como Astrid (Jasika Nikole) e John (Mark Valley), quem tiver a paciência de aguentar até ao fim encontra em “Fringe” uma história interessante. A estrada até “There’s More Than One of Everything” é longa e cheia de curvas… mas no final a vista proporcionada é deveras interessante.

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5 thoughts on “Fringe S1

  1. Concordo com o termo “penosa” para definir, quase inteiramente, a primeira série (é que ainda não a terminei). Realmente sinto que os primeiro minutos de cada episódio são empolgantes…, depois perco o entusiasmo. Fico à espera do final para criar a visão panorâmica da série e espero que tenhas razão quando dizes que “no final a vista proporcionada é deveras interessante”. Espero mesmo que sim.

  2. Esta é uma das melhores séries de ficção que já assisti.
    As vezes é preciso prestar atenção aos detalhes, mas é uma série fantástica
    Amo esta série.

    Sandra

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