V + V: The Final Battle


Se há imagens que ficam guardadas na memória, são as da infância, aquela época em que tudo nos fascinava, em que tudo nos deixava de boca aberta a olhar para um ecrã onde não havia ainda muita escolha. E se há várias imagens que, deste lado, ficaram para sempre guardadas, nenhuma delas se compara ao revelar dos Visitantes na mini-série “V”.

Em plenos anos oitenta, um dia como tantos outros promete tornar-se no despertar de uma nova era. Gigantescas naves espaciais aproximam-se da Terra, colocando-se sobre as principais cidades do mundo. Dentro delas viaja uma raça extraterrestre, em tudo semelhante à humana, que procura amizade e ajuda para salvar o seu planeta da destruição. Belos, com os seus uniformes laranja e óculos de sol estilosos, e afáveis, estes visitantes prometem mudar a forma como vemos o universo e ajudar-nos a superar barreiras na medicina. Mas por detrás das suas máscaras sorridentes esconde-se um terrível segredo que poderá pôr em risco toda a humanidade. Das perseguições aos cientistas ao estabelecimento de um regime autoritário, das mortes e desaparecimentos misteriosos ao genocídio, este é um desafio que vai pôr todos à prova e mostrar que, apenas unidos, conseguiremos vingar.

Vinte e seis anos depois da sua estreia, é indiscutível que “V” e a sua sequela “V: The Final Battle” estejam datadas. As roupas e os penteados exagerados, os efeitos especiais e os diálogos forçados, os estereótipos e as caricaturas, muitos são os problemas que encontramos hoje nesta série e que, durante a nossa infância, passavam despercebidos. Mas se a idade não perdoa e muito do que aqui vemos se encontra datado, por vezes basta uma premissa interessante para conseguir manter uma história actual. Os anos passam, os regimes mudam, mas esta alegoria continua hoje tão actual como há duas décadas atrás.

Com uma história coerente e um crescendo de intensidade que nos conquista, a mini-série original é claramente o ponto alto da história, ilustrando a forma como é possível fechar os olhos aos perigos e aceitar tudo de mão beijada, traindo a sua própria raça, como no caso dos humanos Eleanor (Neva Patterson) e Daniel Berstein (David Packer). É o palco do maior desenvolvimento de personagens como Juliet (Faye Grant) e Donovan (Marc Singer), líderes da resistência que promete combater os Visitantes, do desvendar dos maiores mistérios, surpresas e reviravoltas. E, é claro, é o palco de uma das cenas mais marcantes de sempre da ficção científica, com a revelação da verdadeira identidade dos visitantes durante uma pequena pausa para o lanche da maléfica Diana (Jane Badler). Em apenas dois episódios, “V” consegue assim criar um mito que nem mesmo as sequelas conseguiram derrubar. Já “V: The Final Battle”, mesmo trazendo consigo alguns pontos interessantes, dando maior importância à resistência extraterrestre Fifth Column e ao seu líder, John (Richard Herd) e apresentando outra das cenas mais memoráveis de sempre, com o nascimento dos bebés de Robin (Blair Telfkin), nunca consegue alcançar o nível da sua antecessora e acaba por ter um final algo previsível e estranho, que mais tarde se veio a desvirtuar com a primeira temporada da série. Mas mesmo com estes problemas, mesmo com todos os defeitos que a idade trouxe à história, não há dúvida que esta continua a ser uma das mais interessantes séries de ficção cientifica que já passaram pelos nossos ecrãs e que vale a pena ver (ou rever).

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