House S5

house5
You know what they say.
If at first you don’t succeed, try, try, try, try, try, try, try, try again.

É marcante a diferença que um ano pode trazer. Há um ano, aplaudia-se por estas bandas a forma como uma série com várias temporadas tinha conseguido reinventar-se, sair do marasmo em que tinha caído e apresentar histórias diferentes que nos prendiam ao ecrã. Isso foi há um ano. Agora, vinte e quatro episódios depois, a única certeza que temos é que não podemos dar nada por garantido, e que uma série pode ir de muito bom a mau em pouco tempo.

Depois dos tristes eventos de “Wilson’s Heart” nada poderia permanecer igual no universo de “House M.D”. E aquilo que mais temíamos acontece: a amizade de House (Hugh Laurie) e Wilson (Robert Sean Leonard), aquele rochedo que sobreviveu às mentiras, às partidas, às injúrias e mesmo aos processos criminais, aquilo que, desde o primeiro momento, mais nos agarrou ao ecrã, encontra-se irremediavelmente perdido. Como o título do primeiro episódio nos deixa adivinhar, a morte muda tudo, e não é por isso de estranhar que “Dying Changes Everything” nos traga uma ruptura entre os amigos. A falta de um melhor amigo com quem partilhar os seus casos e as novas possibilidades que isso poderia trazer na relação com Cuddy (Lisa Edelstein), especialmente com uma equipa nova que ainda não estava solidificada, poderiam ter trazido a esta série uma nova trama interessante, dado à história uma nova direcção no seu quinto ano. Infelizmente o que aconteceu foi exactamente o contrário.

Se, ao longo das temporadas, já tínhamos por diversas vezes visto os conflitos mais graves a serem resolvidos (ou ignorados) rapidamente, visto a evolução das personagens e das suas relações a fazerem marcha-atrás e a regressarem ao “status quo” anterior, é natural que não esperássemos ver a crise entre House e Wilson a durar muito. O que não esperávamos, no entanto, é que fosse resolvida em meros quatro episódios, perdendo todo o seu impacto e deixando-nos com vinte episódio mais para encher até ao final. Apostando em histórias que provaram ser pouco interessantes, como toda a trama do detective privado (Michael Weston) ou os dilemas pessoais da nova equipa, especialmente da aborrecida Thirteen (Olivia Wilde), das suas questões sexuais e da estranha relação com Foreman (Omar Epps), capaz de pôr a dormir até o espectador mais acérrimo, deixando para trás Taub (Peter Jacobson) e Kutner (Kal Penn) de tal maneira que quase nos esquecíamos deles, e continuando a seguir a fórmula base dos casos médicos em todos os episódios, não é de estranhar que esta se tenha revelado na temporada mais fraca até aqui.

E, no entanto, nos raros momentos em que se tenta fazer algo de diferente, “House” consegue ainda mostrar a sua força. Hugh Laurie é o portento por detrás da série e Lisa Edelstein destaca-se nos momentos em que tem oportunidade de mostrar o seu valor, como em “Joy”, mesmo se a sua história pareça, por vezes, pesada ou forçada demais. Episódios mais alegres como “House Divided” ou diferentes como “Locked In” mostram porque esta é ainda uma das séries mais vistas em todo o mundo. Mas, por entre alguns raros momentos de génio, surgem episódios inacreditáveis como “Last Resort” ou “Simple Explanation”, tentativas óbvias de chocar que apenas têm o efeito contrário.

Cinco anos, cento e dez episódios depois, tudo continua na mesma em House. A tentativa de conjugar uma série estilo “procedural” com o desenvolvimento das personagens revelou-se infrutífera, resultando numa temporada desconexa e aborrecida, que nos deixa sem qualquer vontade de regressar, semana após semana, a este hospital para ver mais do mesmo. E mesmo que “Both Sides Now” nos tenha surpreendido pela reviravolta que trouxe a tudo o que pensávamos saber, a verdade é que a experiência já nos deixa adivinhar que as suas consequências não virão a ser duradouras. E isso poderá ser a morte da série… pelo menos por estas bandas.

Advertisements

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s