Eli Stone S2

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“Fate can be changed, Eli, except for when it can’t.”

O destino. A ordem natural estabelecida no universo, a sucessão inevitável dos acontecimentos. Visto como um inimigo implacável, aquele que nunca se consegue enganar, o destino prova ser um inimigo difícil de bater. Escapar às suas garras é tarefa quase impossível e mesmo quando a vitória parece ter chegado, não tarda o cair do machado que prova que é sua a palavra final. O destino é aquela força maior contra a qual nunca se consegue sair vitorioso, nem mesmo quando se tem uma entidade superior do nosso lado.

Uma série de advogados em que a personagem principal é um suposto profeta que recebe mensagens de um deus superior em forma de música e dança não é, propriamente, uma série para as massas. Mesmo com uma estrutura solta onde os casos semanais têm de ser resolvidos pelas várias personagens, as particularidades da série, com os seus momentos musicais inusitados, desastres naturais rebuscados e considerações sobre o sentido da vida tornavam-na um parente pobre na grelha de programação da temporada anterior, e um desafio cada vez maior numa época onde a originalidade perde terreno para o recriar de êxitos antigos. Talvez por isso, a notícia que “Eli Stone” iria ter direito a uma segunda temporada tivesse sido aceite deste lado com alguma desconfiança. Mas mesmo quando se consegue prever o destino de uma série, custa aceitar que não iremos poder voltar a ver estas personagens semana após semana. E se a segunda temporada desta série não conseguiu bater a temporada de estreia, não há dúvida que iremos sentir falta de Eli e dos seus amigos.

Depois da operação a que se submeteu ter corrigido o problema que punha em risco a sua vida, Eli (Jonny Lee Miller) pode finalmente resumir a sua vida normal, sem medo de ser atacado por qualquer visão estranha no momento mais inoportuno. Mas quando tudo parecia bem encaminhado, eis que o destino volta a pregar as suas partidas: o trabalho de profeta tem de ser feito por alguém, e se Eli se recusar, é Nathan (Matt Letscher) quem irá sofrer. Sem dúvida uma saída fácil para a história, a verdade é que a série sem um Eli profeta não teria qualquer graça, e o regresso do aneurisma acaba por ser a melhor opção para a história, mesmo criando alguma fricção entre Eli e o seu amigo/acupuncturista (James Saito), graças à entrada em cena de uma concorrente com procedimentos perigosos, que poderão resolver o mistério em torno do pai de Eli em “Owner of a Lonely Heart”.

Agora que aceitou o seu papel, e que a sua história é conhecida do grande público, Eli pode focar-se na defesa dos casos surreais que o parecem rodear ao mesmo tempo que ajuda os colegas a escolherem o seu caminho. Se o desenvolvimento na relação de Taylor (Natasha Henstridge) e Matt (Sam Jaeger) é agradável, e a nova independência de Maggie (Julie Gonzalo) a melhor opção para a personagem, já a mudança de 180 graus de Jordan (Victor Garber) em “The Path”, com repercussões graves para a firma, parece muito forçada, deixando-nos com saudades da figura sisuda da primeira temporada. Mas por muito curiosos que sejam os julgamento e por muito divertidas que sejam as personagens secundárias como Patty (Loretta Devine) é quando a série regressa à história principal, ao mistério da doença de Eli e às potenciais consequências que isso poderá trazer para si e para os seus, que a série se revela. O destino de que não consegue escapar, o papel que que aceita finalmente em “Flight Path”, pode não ser aquele que desejou no início desta história, mas é certamente aquele que o promete fazer feliz.

O destino desta série, tal como o de Eli, estava traçado deste início, e nem com a ajuda de maiores ou menores celebridades como Sigourney Weaver, Katie Holmes ou Melinda Clark seria possível mudá-lo. Para a posteridade ficarão então duas boas temporadas de uma série que tentou inovar e que nos trouxe bons momentos.

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