United States of Tara S1

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O que é preciso para fazer uma boa série? Actores famosos, grandes orçamentos, efeitos especiais espectaculares e muita publicidade? Não, muito pelo contrário. Por vezes basta uma boa ideia, uma trama interessante, um elenco competente e a coragem para mostrar algo de novo. E se “United States of Tara” não é a melhor série estreante, podemos pelo menos considerá-la uma das mais irreverentes dos últimos tempos.

Tara (Toni Colette) é uma mulher como todas as outras. Vive nos subúrbios com o marido Max (John Corbett) e os dois filhos adolescentes, Kate (Brie Larson) e Marshall (Keir Gilchrist); tem uma irmã mais nova, Charmaine (Rosemarie DeWitt), com quem ocasionalmente se chateia, e um trabalho esporádico como pintora de murais. Poderia ser uma mulher como qualquer outra… não fosse o facto de sofrer de Transtorno Dissociativo de Identidade, uma condição mental que a faz criar múltiplas personalidades que se manifestam quando menos se espera. A vida na casa dos Gregson é, por isso, tudo menos normal, especialmente quando uma das personalidades alternativas se revela. Para além de Tara, a original, temos  também T, uma miúda de 16 anos sem papas na língua, selvagem e provocadora como tantas outras; Buck, um camionista de meia idade, veterano da guerra do Vietname, viciado em cerveja, cigarros e armas; e Alice, a esposa ideal, a típica dona de casa dos anos cinquenta, com o seu penteado perfeito, avental branco imaculado à cintura e uma capacidade incrível de magoar todos à sua volta. Ao mínimo stress, Tara refugia-se dentro de si própria e permite a uma das suas personalidades alternativas sair para o mundo exterior, criando grandes confusões, momentos hilariantes mas também algum drama.

Da imaginação de Diablo Cody saiu assim esta dramédia diferente, que nos força a questionar aquilo em que acreditamos em cada episódio. Do humor ao drama, das gargalhadas às lágrimas, ao longo dos doze episódios que constituem a primeira temporada temos oportunidade de ver todas as emoções espelhadas no rosto da principal interveniente, mostrando mais uma vez a grande actriz que Toni Colette é. Mas se a força da série reside nesta mistura de drama e comédia, é também aí que reside, em certa forma, um dos seus maiores problemas. Não havendo um arco de história bem definido para a série de início, criam-se alguns problemas de fluidez da trama, que parece andar perdida em histórias paralelas, como a de Kate e do seu estranho chefe, Gene (Nathan Corddry) ou toda a trama das amizades coloridas de Marshall, que apenas em  “Betrayal” conseguem surpreender.

Sem nunca resolver as grandes questões que levantou desde início – o mistério que envolve o primeiro sintoma de Tara, a hierarquia das personalidades alternativas e o surgimento de uma nova personalidade animalística -, a primeira temporada desta série consegue mesmo assim apresentar grandes momentos e deixar alguma expectativa para as próximas temporadas. E mesmo que a série venha a desapontar aqueles que julgavam estar perante a nova grande comédia da televisão americana, como o deu a entender o episódio piloto, certamente que, com a ajuda de momentos brilhantes como o da sequência das personalidades alternativas em “Miracle”, a série conseguirá encontrar o seu público e terá a oportunidade de nos revelar mais desta complexa Tara.

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6 thoughts on “United States of Tara S1

  1. Por acaso nunca esperei que US of T fosse uma comédia por isso acho que “abracei” mais facilmente a série, especialmente pela performance de Toni Colette.

    Gostei bastante desta temporada de estreia por isso aguardo com antecipação a proxima!

    • Exactamente, acho que muita gente ficou com a ideia errada na série, depois de ver o episódio piloto. Sinceramente, se fosse apenas uma comédia não seria tão interessante para mim. É que comédias há muitas, mas séries que conseguem conjugar o humor com uma história interessante já é mais complicado. 😀

  2. Estava à espera de que se desenvolvesse mais a história e fosse, tal como o piloto, uma série mais divertida. Depois começa a chatear 🙂

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