Grey’s Anatomy S4

He’s out there and I’m here where everything is the same.

Consequência da condição feminina, não há como deixar de admitir que deste lado impera um fraquinho por uma boa história de amor, por aquele romance bem construído que passa por mil e uma agruras antes de encontrar o tão desejado final feliz, que não é piegas mas nem por isso deixa de ser menos verdadeiro. Aquele romance que, infelizmente, parece cada vez mais raro no panorama televisivo actual.

O que é que faz uma grande história de amor? É esta a pergunta que nos podemos fazer no final de mais uma temporada de reviravoltas em Seattle Grace. Depois da desilusão que foi a terceira temporada e das notícias pouco animadoras que surgiam por todo o lado, restava a expectativa de ver se era desta que Grey’s Anatomy conseguiria renascer das cinzas. Infelizmente, parece que ainda não.

Depois de três temporadas de indecisões, voltas e reviravoltas, avanços e recuos na relação de Meredith (Ellen Pompeo) e Sheperd (Patrick Dempsey), eis que somos confrontados com mais dezassete episódios do mesmo. Meredith continua com dificuldades em assumir uma relação séria, o que faz com que Sheperd procure conforto nos braços da primeira que lhe aparece à frente, neste caso a enfermeira Rose (Lauren Stamile). Mais uma vez, Meredith finge ficar indiferente a esta nova relação enquanto se rói de inveja por dentro, para no final admitir que tem de lutar pelo grande amor da sua vida. Infelizmente, essa confirmação peca por tardia. Se o comovido apelo de Meredith em Bring The Pain na segunda temporada nos conseguia deixar à beira das lágrimas e a suspirar pela escolha certeira do protagonista, dois anos e muitos episódios depois esta história interminável deixou a sua marca, e o grande momento final de Freedom, que tanto impacto deveria causar, suscita apenas um grande bocejo, pela certeza de que na próxima temporada os dilemas irão regressar.

Mas se a relação de Meredith e Sheperd parece estagnada indefinidamente, as restantes personagens não tiveram melhor sorte. Com as mudanças a nível profissional em A Change Is Gonna Come, que afectaram principalmente George (T. R. Knight), e a adição de novos protagonistas, esperava-se uma lufada de ar fresco na história. No entanto, o que se verificou foi que pouco ou nada mudou para melhor. A relação de George e Izzie (Katherine Heigl) mal começou e já mostra sinais de desgaste; Alex (Justin Chambers), que parecia ter encontrado o seu caminho, regressa aos velhos hábitos e quase troca de personalidade com Sloan (Eric Dane), que se contenta em cortejar o antigo melhor amigo; pior sorte teve Callie (Sara Ramirez), que depois de ver o seu grande amor desfeito, nem sequer pode arranjar uma amiga sem que comecem as especulações de que a amizade é demasiado colorida. E quanto a Lexie (Chyler Leigh), a meia-irmã de Meredith que aterra de pára-quedas hospital? Haverá mosquinha morta mais chata, com a sua irritante obsessão em conseguir a aprovação de uma pessoa que nem sequer conhece? E qual é a sua desculpa para tantos dramas, já que não se pode queixar de ter sido forçada a crescer no seio de uma família desfeita?

Se há algo que a quarta temporada de Grey’s Anatomy permite confirmar é que falta maturidade – às personagens, às relações – e também coragem para acabar com a reciclagem das histórias e deixar a série evoluir.

Felizmente, no meio de tantas desgraças, continua a haver duas boas razões para seguir esta série: Cristina Yang e Miranda Bailey. Para personagens tão diferentes, os dramas por que passaram nas últimas duas temporadas são curiosamente simétricos: depois do desaire do seu relacionamento, Cristina (Sandra Oh) vai agora ter de lidar com problemas a nível profissional com a chegada da nova chefe do departamento de cirurgia cardio-torácica, a Doutora Hahn (Brooke Smith), algo para o qual que não estava preparada. Já Miranda (Chandra Wilson), que vê o seu valor profissional finalmente reconhecido, vai descobrir que gerir uma relação é mais complicado do que gerir um grupo de estagiários. Confrontadas com dilemas tanto ou mais complicados do que os restantes personagens, Bailey e Cristina mais uma vez mostram ser as únicas capazes de os atacar de frente.

E é por isso que, por muito fundo que esta série bata, por muito que se amaldiçoem os casalinhos e os terríveis triângulos amorosos com que Grey’s Anatomy insiste em nos presentear temporada após temporada, os raros mas impressionantes discursos como o de Cristina em The Becoming permitem manter viva a esperança de que a série possa um dia encontrar o seu caminho. Até lá, pouco mais há a fazer do que suspirar por uma consulta privada com o McSteamy.

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9 thoughts on “Grey’s Anatomy S4

  1. Eu adorei a primeira temporada e ainda comecei a ver a segunda… mas fiquei lá pelo meio. Há algo na série que me atrai (e não é o McDreamy nem nenhuma das suas colegas), mas com tanta coisa para ver, há coisas que acabam por ficar pelo caminho.

    Beijinhos Syrin 😉

  2. Eu ao contrario de ti adorei todas as temporadas. E acho que a Izzie e a Cristina são duas personagens espetaculares. Também estou um bocado farto de meredith e derek, mas azar, aguento 😛 Abraço!

  3. Essa da consequência da condição feminina… Pfff! Merecias porrada!
    Eu gostei da season, mas concordo plenamente que há coisas que já chateiam e bastante.
    E fica com o McSteamy todo para ti! Eu continuo a ser mais o McDreamy! E assim nem nos chateamos nem nada! 🙂

  4. Lembro-me só que era grande., tipo essa de Dead Like Me. 😀

    O blog aqui está abrindo normalmente. Agora chama-se ER (Entretainment Review) visto que deixei as noticias de lado (pois escrevo pra isfreepop.com), mas inseri cinema. Tenta lá a ver se abre (www.portal-series.com)

    Cumpz

  5. Deixem-se lá dessas conversas… Vocês não sabem que os hambúrgueres provocam o aumento do colesterol e são bastante prejudicais à saúde? 🙂

    E acho que esta série é a que mais críticas recebe onde aparece a palavra “bocejo”! :))

  6. (ts ts, diz a pessoa que fez o concurso de misses no seu blog!) 😉

    Uma coisa é certa… da última vez que disse mal de Grey’s Anatomy e de Brothers & Sisters levei porrada virtual, mas tive imensos comentários. Pelos vistos a melhor maneira de ter comentários é fazer críticas. 🙂

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