Alias S2

You know, some people go miniature golfing with their parents.
We go to India and look for nukes.

Mais difícil do que alcançar um grande sucesso, é conseguir mantê-lo, e este facto nunca esteve tão presente como durante a segunda passagem pelo universo de Sidney Bristow. Depois de uma primeira temporada excelente, onde se elevaram uma história e os seus protagonistas a um patamar próprio, aumentaram também de tal maneira as expectativas, que se tornava difícil superar o feito. Mas, muito embora a segunda temporada de Alias não consiga chegar ao nível da primeira, a verdade é que conseguiu fazer algo ainda mais surpreendente: reinventar-se a si própria.

Depois das revelações de The Enemy Walks In, a vida de Sidney (Jeniffer Garner) torna-se mais difícil quando descobre que a mãe Irina (Lena Olin), que todos julgavam morta há mais de vinte anos, está afinal bem viva e regressou para complicar ainda mais a vida familiar. Entregando-se à CIA, Irina vai transformar-se numa importante fonte de informação contra a SD-6 e a Alliance, ao mesmo tempo que tenta reconquistar a confiança da filha e do marido Jack (Victor Garber). Mas as dúvidas sobre as suas verdadeiras intenções permanecem, à medida que segredos do passado são revelados, e a ténue unidade familiar é constantemente posta à prova, ao mesmo tempo que a luta contra antigos e novos inimigos como Sloane (Ron Rifkin) e Sark (David Anders) não deixa de fazer estragos.

Tendo este cantinho repetidamente afirmado a sua predilecção por famílias disfuncionais, não é de estranhar que a difícil relação entre Sidney, Jack e Irina se tenha tornado no tema favorito desta segunda temporada. A interacção entre todos os personagens, as dúvidas, raivas e segredos (escondidos e revelados), as traições e as punhaladas nas costas, presentes em todos os episódios mas magistralmente desenvolvidas no duplo The Passage, provam, novamente, que esta é muito mais do que uma mera série de espiões, e que a família Bristow tem ainda muitos segredos escondidos por revelar. Mas se este acaba por ser o fio condutor que liga toda a história e que termina, de forma aberta, em Truth Takes Time, foi a reviravolta inesperada da segunda metade da temporada que conseguiu arrancar a série do marasmo para onde, inevitavelmente, se dirigia.

Ao contrário de muitas outras histórias, onde o amor proibido é explorado ad nauseum, e as teorias de conspiração se vão tornando mais complicadas, em Phase One resolvem-se, de uma assentada, ambos os problemas, e dá-se início a uma nova direcção da história. Com a ameaça da SD-6 eliminada, desaparecem os entraves à relação de Sidney e Vaugh (Michael Vartan), mas o perigo continua à espreita com a revelação surpreendente que uma amiga querida já não é a mesma.

Numa temporada em que todas as personagens secundárias sofreram uma evolução, como Marshall (Kevin Weisman) e as novas experiências profissionais e Dixon (Carl Lumbly) e a traição de que é alvo, e em que as participações especiais de Terry O’Quinn como o Agente Kendall, Patricia Wettig como a psicóloga Dr. Barnett, e Faye Dunaway como a assustadora Ariana Kane aperfeiçoaram um elenco sempre impecável, foram os dois melhores amigos de Sidney, Will (Bradley Cooper) e Francie (Merrin Dungey),  que mais se revelaram. Se na primeira temporada pouco destaque tiveram, nesta segunda tornaram-se integrais para a vida de Sidney, e os protagonistas da chocante season finale, The Telling, que irá mudar para sempre a vida de Sidney.

Um óptimo final para uma grande temporada desta excelente série.

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4 thoughts on “Alias S2

  1. Pois fazes mal, Francisco – Alias é uma grande série, pelo menos nas duas primeiras temporadas. 🙂
    Recomendo ver a primeira temporada de seguida, pois é como se vê melhor! 🙂

  2. E eu até era como o Francisco. Nunca tinha posto os olhos em Alias. E em Veronica Mars, mas isso é outra história. Até que, finalmente vencido pelos argumentos de um amigo, lá me dispus a ver, com aquele sorriso de condescendência de que me arrependo, às vezes.
    Bem, a 1ª temporada é do melhor que vi. Soberba, com óptimas sequências de acção e personagens bem delineadas.

    Vista a 1ª, acabei agoinha mesmo de ver o último episódio da season 2. The Telling. E, caramba, nada me tinha preparado para aquilo…

    Desde logo, a luta mortal entre Sidney e o clone de Francie, mais parecendo coreografada por John Woo, repleta de malabarismos. Depois disso, confesso que foi um dos twists mais surpreendentes. Sidney acorda…dois anos depois!!!!

    Vou colocar esta série num patamar bem alto. E já tou a sacar a 3ª temporada.

    ps: E tu, desististe? Não tens nenhuma “review” sobre as restantes temporadas. Não me digas que aquilo descamba, em termos de qualidade…

  3. Infelizmente sim, Paulo, descamba e de que maneira. Já vi a 3a temporada, mas diminuiu tanto de qualidade que não tive ainda paciência para falar dela. Na quarta e quinta nem sequer peguei… um dia destes, quem sabe!

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