Eli Stone S1

Truthfully, living or dying, either of those is fine with me.
It’s the something-in-between that scares me.

Por vezes surge algo de tão inusitado no panorama televisivo norte-americano, que é difícil saber o que escrever. E se há caso para reclamar da pouca qualidade da temporada 2007/2008, certamente que a premissa deste “Eli Stone” não irá contrariar a tendência, certo?

Errado. Eli Stone (Johnny Lee Miller) é um jovem advogado de sucesso, menino bonito de uma grande firma de São Francisco, que ganha a vida a vencer casos mediáticos para clientes poderosos. Tem tudo para ser feliz: um óptimo emprego, um grande carro, e uma bela noiva, Taylor Wethersby (Natasha Henstridge), que por acaso até é filha do patrão, Jordan Wethersby (Victor Garber). Tudo corre bem na sua vida… até ao dia em que vê George Michael (sim, esse mesmo!) a cantar na sua casa de banho.

Perseguido por alucinações que não consegue explicar, Eli descobre que tem um aneurisma cerebral não operável, que o poderá matar a qualquer momento e, em desespero de causa, resolve visitar o acupuncturista Dr. Chen (James Saito), em busca de uma explicação para as visões. Mas quando as consultas com o Dr. Chen o ajudam a recordar cenas da sua infância, que poderão lançar uma nova luz sobre o seu problema actual, Eli irá ter de fazer uma escolha: reconhecer as alucinações como sintomas inevitáveis da doença, ou aceitar que poderão ter um significado mais profundo, fazendo-o ajudar quem mais precisa. No fundo, escolher entre ser um doente (possivelmente) terminal, ou um profeta do século XXI.

Com a proliferação de séries de advogados, é preciso oferecer algo de diferente ao espectador, e “Eli Stone” é certamente diferente: é uma comédia jurídica com algumas pitadas de fantasia e momentos musicais inesperados. Mas se a premissa é estranha, a verdade é que ao longo dos treze episódios que constituem a primeira temporada, consegue convencer pela forma descontraída como se assume diferente. Não hesita em mostrar momentos dramáticos, como a descoberta do perigoso aneurisma em “Faith“, que deixa Nathan Stone (Matt Letscher), irmão mais velho de Eli e portador das más notícias, devastado, nem tem medo de mudar radicalmente a direcção da história, expondo a tudo e a todos a verdadeira razão do estranho comportamento de Eli em “Something To Save“; nunca deixa de ser uma comédia, rodeando Eli de divertidas personagens secundárias, como a secretária respondona Patti (Loreta Devine), o advogado sem escrúpulos Matt Dowd (Sam Jaeger) ou a aprendiz irritante Maggie Dekker (Julie Gonzalo) mas, ao mesmo tempo, nunca se esquece de que tudo gira à volta de Eli, do seu dilema e da possível ligação ao falecido pai (Thomas Cavanagh).

Passando de momentos musicais ao bom estilo da Broadway, a eventos rebuscados como o da Golden Gate Bridge em “Waiting For That Day“, a sentidos monólogos que questionam a fé de Eli em si e nas suas convicções, como o mostrado em “Soul Free” numa brilhante actuação do actor convidado Richard Schiff, esta série nunca deixa de surpreender, e acaba por convencer. Mais do que uma série de advogados, mais ainda do que uma comédia sobre advogados… é uma série sobre pessoas que questionam o sentido da sua vida.

Esperemos que tenha direito a uma segunda temporada, e que não terminem aqui as aventuras de Eli Stone – nem que seja para poder ver o tradicionalmente soturno pai Bristow a cantar e dançar.

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