Firefly

 I’ll kill a man in a fair fight. Or if I think he’s gonna start a fair fight. Or if he bothers me. Or if there’s a woman. Or if I’m gettin’ paid. Mostly when I’m gettin’ paid.

Clássicos dos clássicos, os westerns são um dos géneros mais explorados no cinema mundial; as suas histórias são intemporais, os seus confrontos lendários, os vilões marcantes e os heróis invencíveis. E, no entanto, deste lado nunca houve grande paciência para os westerns – os vilões, os heróis e os duelos ao pôr-do-sol ficavam-se pelas páginas do homem que dispara mais rápido que a sua própria sombra. Talvez por isso, nem mesmo o facto de Firefly vir das mãos do brilhante Joss Whedon me convencia a pegar nesta série.

Até, é claro, ao dia em que foi impossível resistir mais, e os 14 episódios desta excelente série foram devorados de uma assentada. Se não há dúvida que Buffy se tornou num marco da televisão, tendo não só revolucionado as histórias de vampiros mas apresentado ao mundo uma heroína adolescente capaz de derrotar tudo e todos, Firefly mostra que se pode reinventar o género ficção científica, olhando para o passado em vez de para o futuro.

2517. Quinhentos anos depois da Terra ter finalmente dado de si, os humanos saíram em busca de novas terras, criando colónias em planetas distantes e inóspitos. Num clima de nova fronteira, seguimos as aventuras do capitão Malcom “Mal” Reynolds (Nathan Fillion), um antigo veterano de guerra, cínico e pouco heróico, que tanto se dedica ao tráfico como ao transporte de bovinos. A bordo de Serenity, a sua nave classe Firefly, seguem a leal comandante Zoe (Gina Torres) e o seu marido, o piloto Wash (Alan Tudyk), a romântica mecânica Kaylee (Jewel Staite) e Jayne (Adam Baldwin), um bandido que tem tanto de bruto como de burro. Como a vida de traficante nem sempre compensa, e as reparações exigem dinheiro, há que arranjar passageiros que paguem as viagens, contando para isso com a ajuda preciosa de Inara (Morena Baccarin), uma “acompanhante” certificada, e do pastor Book (Ron Glass), um homem de fé que traz água no bico. Mas a vida calma nesta nave enferrujada vai mudar radicalmente com a chegada dos irmãos Tam, Simon (Sean Maher) e River (Summer Glau), perseguidos impiedosamente pela poderosa Aliança, que recorre a todos os métodos para recapturar River e prosseguir com as suas terríveis experiências.

Com um conjunto de personagens de carácter dúbio, não admira que Firefly resulte numa série altamente divertida e inteligente, onde se recuperam e, prontamente, destroem os clichés típicos dos westerns, onde tanto temos batalhas galácticas (das quais Serenity sai, geralmente, derrotada) como clássicos duelos ao bater das doze badaladas em frente à igreja da povoação, e onde o calão dos cowboys se mistura com palavrões em Mandarim. Se as histórias individuais como as contadas em Jaynestown ou War Stories valem essencialmente pela comédia, e a presença de personagens semi-recorrentes, como a Saffron de Our Mrs. Reynolds e Trash trazem um novo colorido à história, são os episódios directamente relacionados com a trama principal, o mistério de River os segredos que esconde desde a sua introdução no duplo Serenity, que mostram como esta se poderia ter tornado numa série revolucionária caso não tivesse sido cancelada precocemente. As dúvidas deixadas por Ariel nunca chegam a ser explicadas nos episódios, razão pela qual os fãs não descansaram enquanto não conseguiram apoios para a realização, três anos depois do cancelamento da série, de Serenity, um grande filme que traz de volta ao ecrã todos os favoritos e comprova, mais uma vez, a obsessão de Whedon por guerreiras adolescentes. Mas mesmo sem nunca ver o filme, não há como deixar de admirar uma série que consegue reunir, em tão poucos episódios, comédia e acção, mas também momentos instrospectivos, como as memórias de Out of Gas e a visita surpresa de Objects in Space.

Estranha, hilariante, diferente, vibrante, revolucionária, Firefly nunca teve a oportunidade de mostrar todo o seu fulgor. A troca da ordem dos episódios, as ausências inexplicáveis da programação e a falta de visão da FOX resultaram num cancelamento precoce, mas o seu estatuto de série de culto permanecerá intacto por muito tempo. Uma série altamente recomendável.

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20 thoughts on “Firefly

  1. @Loungeart
    Pois, infelizmente as cadeias americanas nem sempre têm coragem de apoiar as melhores séries, e preferem apostar em repetir ad nauseum fórmulas de sucesso… :s
    Felizmente as estações de cabo como a HBO, a Showtime e a FX têm conseguido colmatar alguma falta de imaginação das tradicionais.

    @zb
    Oh yeah… mas sabes que quando deu na sic radical não gostei, só quando vi os episódios na ordem correcta em dvd é que consegui apreciar verdadeiramente esta série. 🙂

  2. Gosto muito desta série e o filme também é fantástico agora depois de veres a série tens de o ver também.

    Pessoalmente considero “Firefly” muito mas mesmo muito melhor que “Buffy” 🙂

  3. Eu vi o filme… até vi antes da série, por acaso.
    E agora voltei a ver. Gosto imenso das cenas de luta da River, que na série nunca teve muito que fazer. 🙂

    Não acho Firefly melhor que Buffy – apenas diferente. Mas em todas elas está lá o dedinho do Whedon, e isso é suficiente para fazer ver uma série. 🙂

  4. Hello!
    Eu disse uma vez no TV Dependente que nunca tinha visto esta série e lembro-me que a tua resposta foi algo parecida com isto: “são poucos episódios. vê-se rápido…”
    Pois bem, estou rendido ao 3º episódio (e dizem que a coisa fica melhor a partir do 8º).
    Já tenho também o “Serenity” para ver logo de seguida!
    E tinha eu estas relíquias guardadas no meu disco externo há mais de 2 anos… :S

  5. Já a aqui tenho pronta a ver… Só uma dúvida (é mais para confirmar, pois acho que já dá para perceber a resposta…) devo ver os episódios pela ordem do Dvd e não pela ordem que foram transmitidos certo?

  6. Como prometido aqui vai a minha apreciação não muito simpática do firefly:
    Começo por dizer q a serie é entretenimento puro e duro sem duvida. Mas sinceramente não percebo como é que se tornou numa serie de culto! O conceito da serie tem muito potencial, mas fiquei com a sensação que tudo ficou aquém do que poderia ter sido. E o facto de só ter havido uma season não é uma justificação razoável.
    Ao inicio o conceito do space western pareceu me disparatado mas acabei por acolher o conceito. Alias uma das minhas coisas favoritas é a musica country especialmente nas cenas do espaço. É uma fusão interessante. Mas mistura de outros elementos na serie (as influencias orientais por exemplo) parecem-me que transformam aquilo numa grande salganhada.
    O meu maior problema com o firefly foram os diálogos e a construção das personagens. As piadas parecerem me quase sempre que falhavam por mms, ou seja faltava-lhes um danoninho para serem mesmo boas. E as personagens parece que se são esboços de caricaturas que querem ser diferentes de estereótipos, mas ficaram No estado de rascunho, falta-lhes vida. A culpa pode não ser da construção das personagens mas dos actores, Por exemplo acho que a mais química entre o Jayne a sua querida Vera que entre o Mal e a Inara.
    E sim o jayne foi a minha personagem preferida pelo facto de que é a mais consistente (como uma parede lol).
    Por último irritou-me que o joss whedon tenha deixado tanto por explixar para a segunda serie, vou ver o serenity e espero ficar contente com o atar de pontas soltas.

    • ts ts ts, algo me diz que vais levar na tola. ;D
      Oh well, can’t win them all mas, ao contrário de ti, acho que as personagens e os diálogos são mesmo os pontos fortes da série. Também não achei que existe química entre o Mal e a Inara, mas para dizer a verdade nunca me preocupei muito com isso. As personagens por si só são suficientes. ;D

      • o mal e a inara foi o primeiro exemplo que me veio a cabeça. tambem tentei não me alongar demais. Que venha a porrada, eu não preciso que concordem comigo. E sim eu por vezes tenho um sentido de humor ligeiramente diferente da maioria das pessoas tambme pode ser isso.

        Mas acho que o problema maior foi mms o whedon ter deixado tanto por explicar na segunda season que nunca aconteceu.

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