Dexter S2

It’s going to happen again!

Não obstante o já longo e bem documentado fascínio desta casa pelas personagens controversas, mais propriamente pelos bad boys, é no mínimo estranho admitir que se venera um serial killer. Mas quem conhece bem o mundo da televisão, quem já ouviu falar desta pedra preciosa que é Dexter, não pode deixar de concordar que, por vezes, as obsessões mais estranhas fazem sentido.

Bater uma temporada perfeita como a primeira era quase impossível, e esta segunda temporada não o consegue fazer. Não manifesta o brilhantismo de uma história perfeitamente desenhada, a surpresa de nos fazer apaixonar por uma personagem tão moral e socialmente controversa. Mas mesmo com alguns altos e baixos ao longo dos doze episódios, não deixa de ser um regresso em força, de trazer alguns sobressaltos inesperados e de nos fazer, novamente, questionar a essência do ser humano.

Numa Miami que se encontra ainda no rescaldo da ameaça do Ice Truck Killer, é a nível pessoal que as consequências mais se fazem sentir. O trauma de Debra (Jennifer Carpenter) é compreensível, mas o de Dexter (Michael C. Hall) mais profundo. Ao perder o seu maior competidor, perdeu também a única pessoa que o compreendia, que o poderia aceitar como ele é. Juntando a isso a perseguição constante de Doakes (Erik King), que o obriga a trabalhar mais arduamente no seu disfarce, e a desconfiança crescente da namorada Rita (Julie Benz), a vida de Dexter torna-se cada vez mais complicada… até ao dia em que rebenta a notícia de que há um novo assassino nas águas da cidade, um homicida impiedoso, com inúmeras vítimas enterradas no fundo da baía. Um assassino que tem por nome Dexter.

Se a reviravolta policial é no mínimo inesperada, trazendo à trama o Tenente Lundy (Keith Carradine), pronto a liderar uma nova investigação e forçando Dexter a reprimir mais do que nunca os seus instintos, é mais interessante verificar que o conflito interno ultrapassa o externo: não só Dexter não pode, como não consegue matar… e isso leva-o a questionar tudo na sua vida: o código por que se rege, as relações com os que o rodeiam e com os que já o deixaram, a sua vida até este momento. A luta entre os dois lados da sua personalidade – o lado que quer ceder aos instintos vs. aquele que quer continuar no bom caminho; vilão vs. herói – é o grande tema da temporada, presente em todos os episódios mas espelhando-se especialmente no intrigante The Dark Defender e no revelador There’s Something About Harry. E se o confronto entre estes dois opostos era inevitável, o caminho escolhido não é certamente o mais saudável.

Tal como o Ice Truck Killer na primeira temporada, Lila (Jaime Murray) surge na história para preencher uma lacuna, mas tal como este não o vai conseguir fazer. Por mais que se iluda do contrário, Lila não conhece o verdadeiro Dexter, e apenas no final irá admitir esse facto. Por mais que tente emular os seus actos, por mais que tente resolver, de forma absolutamente chocante, a principal história da temporada, é tudo em vão, síndrome de uma obsessão que apenas poderia ter resultados trágicos.

Por vezes algo desconexa, com alguns momentos menos bons, a segunda temporada de Dexter não deixa de ter uma excelente história e de dar novamente a oportunidade a Michael C. Hall de brilhar num papel que parece feito à sua medida. Fica a impaciência para mais aventuras de um renovado Dexter, quem sabe contra uma nova inimiga, na pessoa da Detective LaGuerta (Lauren Velez), que em poucos minutos se redime de uma temporada mais fraca com um sentido lamento em The British Invasion. E se a mini-homenagem prestada pela série a si própria deixa antever algo, é que ainda há muito para explorar desta personagem.

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5 thoughts on “Dexter S2

  1. Sem nunca desiludir, acabo por concordar contigo e achar esta segunda temporada ligeiramente mais fraca que a primeira.
    Acho que atirar uma “caça ao Dexter” logo numa 2º temporada me pareceu um pouco precipitado, estava à espera disso numa temporada muito mais avançada. Não sei até que ponto isso pode afectar uma temporada final da série.
    Vou-me contradizer um bocadinho e dizer que a unica coisa que me desiludiu mesmo foi aquela ida a Paris no último episódio. Que coisa tão metida a martelo!

  2. Exactamente, aquele final foi um pouco forçado, mas também já o tinha sido o incêndio. Talvez tivesse sido mais intrigante a Lila ter sobrevivido ou, quem sabe, a série ter terminado neste ponto em que Dexter se assume como é, em que cria as suas próprias regras.
    Mas já se sabe que em fórmula que ganha, custa mexer. Esperemos que o futuro não venha a prejudicar esta grande história.
    Pode não ter vencido nada oficial, mas para mim Dexter e Michael C. Hall são dois grandes vencedores.

  3. Não sei se considero a segunda temporada inferior à segunda… Nas duas tem cosias que me agradam tanto que é difícil “rankear”. Só sei que não vejo a hora de começar a terceira.

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