Weeds S3

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That’s what happens when you make a deal with the Devil

Weeds é uma comédia negra, que não hesita em esticar os limites da realidade até ao máximo, que não tem medo de atacar assuntos controversos, que goza frontalmente com tudo e com todos. Foi isso que tornou esta saga de uma mãe que se vê transformada em traficante de drogas numa das melhores comédias de 2005 e 2006. Mas em 2007, faltou qualquer coisa: uma direcção, um objectivo, um caminho, mesmo que sinuoso, para sair da crise em que todos se encontram.

Não era fácil resolver os dilemas deixados pelo final da segunda temporada, onde todas as personagens se deparavam com crises que poderiam ditar o seu futuro na série, mas na terceira temporada de Weeds, de cada vez que uma solução aparecia, era prontamente roubada ou suplantada por novos problemas, novas confusões. De esticar ao máximo a realidade passou-se para um completo desfasamento da mesma, de que quase nenhuma personagem se livrou.

Entre drogas, violência, homossexualidade, exército, polícias corruptos, empresários tarados e corruptos, fanatismo religioso, rivalidades, vingança, mudanças, negócios, sexo, ex’s, amizades, pornografia, acidentes, esgotos, romance, concorrência e desastres naturais, os 15 episódios da temporada quase não chegam a ser suficientes para resolver todas as histórias, não havendo outra solução que não seja o final catártico com que a série nos deixa em Go. E, no entanto, talvez fosse esse mesmo o objectivo; talvez a dispersão, a sequência quase impossível de acompanhar de eventos e de problemas fosse uma tentativa de reflectir a dispersão da personagem principal em quem, afinal, a série se apoia. A Nancy (Mary-Louise Parker) das primeiras temporadas consegue, incrivelmente, afundar-se ainda mais, sem nunca aprender com os seus erros. Quantas vezes será necessário ouvir a verdade da boca dos verdadeiros criminosos? Porque é que têm de ser U-Turn (Page Kennedy) e Guillermo (Guillermo Díaz) a fazê-la ver a realidade?

Esta relutância de Nancy era já esperada e do resto da família Botwin não se poderia esperar muito mais, mas se nas temporadas anteriores ainda se conseguiam identificar pequenas réstias de esperança de um ou outro, nesta temporada Silas (Hunter Parrish) e a nova conquista, Shane (Alexander Gould) e as suas visões, Andy (Justin Kirk) e as suas novas profissões tornam a família ainda mais impossível.

Se a série regressa ao bons momentos quando explora mais a fundo as histórias e as relações, como se prova com a chegada de Valerie (Brooke Smith) e as suas trocas com Nancy e todas as cenas com a Heylia (Tonye Patano) e toda a família James, regressa frequentemente ao domínio da mera caricatura, com a presença do mal aproveitado Sullivan (Matthew Modine), da irritante Tara (Mary-Kate Olsen) e de toda a história à volta do fanatismo religioso, que pouco contributo trazem à acção a não ser a oportunidade de mostrar mais algumas cenas controversas de Doug (Kevin Nealon) para juntar ao lote já extenso da série.

Das três até agora exibidas, a terceira temporada é sem dúvida a mais fraca, cansativa de ver e até irritante. Mas continua, por vezes, a surpreender pela positiva, em momentos tão simples como um difícil olhar para si própria no espelho, sem inibições, sem pudores, sem máscaras, com que nos brinda Elizabeth Perkins, sempre fenomenal no papel de Celia Hodes, em The Two Mrs. Scottson.

Para a quarta temporada esperam-se melhores histórias, um recomeço (literal) das cinzas para esta que foi uma das mais intrigantes comédias dos últimos anos.

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