Babylon 5 S1

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“Science fiction has an obligation to point toward the horizon”

Numa época de impaciência como a nossa, não é fácil para uma série estabelecer uma história, uma mitologia, sem ter sempre pendente a ameaça do cancelamento. Muitas são as boas ideias que ficam pelo caminho quando as audiências ditam fracas receitas de publicidade, deixando histórias sem um final adequado. Talvez por isso, quando se sabe antecipadamente que uma história irá ser desenvolvida ao longo de cinco anos, quando se promete desenvolver personagens e relações e onde, estranhamente, as histórias secundárias deverão contribuir para a acção principal, se fique de pé atrás, receando que aconteça mais do mesmo. Talvez por isso, por muito bonitas que sejam as palavras de J. Michael Straczynski na frase acima citada, tenha sido recebida com alguma desconfiança a primeira temporada de Babylon 5.

2257. Dez anos depois do final abrupto da guerra entre Minbari e Humanos, a paz na galáxia é instável, com antigos inimigos à espera de qualquer razão para reabrir hostilidades. Para tentar prolongar uma época de paz, a Terra propõe a construção de uma estação espacial, um ponto de encontro de culturas, local de comércio e de negociações para todas as raças do universo; uma cidade em si própria, com todas as suas forças e fraquezas. Mas nem tudo corre bem: com as três primeiras estações destruídas por sabotagem, e a quarta desaparecida misteriosamente, Babylon 5 é a última hipótese para manter a paz. O seu novo comandante, o relutante Jeffrey Sinclair (Michael O’Hare) não vai ter tarefa fácil, e manter a paz, mesmo com a ajuda do antigo amigo Michael Garibaldi (Jerry Doyle), e da oficial Susan Ivanova (Claudia Christian) parece ser quase impossível.

À distância de mais de dez anos e várias sci-fis, é difícil levar Babylon 5 a sério quando se começa a ver. Em 1994 podia deslumbrar qualquer pessoa pelas suas imagens geradas por computador, pela utilização de algumas leis básicas da física no movimento e armação das naves, pela aposta numa base fixa no espaço, pelo foco na diplomacia e relações entre culturas em vez da exploração da última fronteira. Infelizmente, algumas destas coisas não sobrevivem à passagem do tempo e aos desenvolvimentos tecnológicos, parecendo caricatas demais em 2007.

Se alguns episódios mais interessantes se apresentam como espelho de realidades não muito distantes das nossas, como é o caso dos conflitos laborais em By Any Means Necessary, frequentemente caem no erro de resolver facilmente os dilemas, nunca chegando a deixar-nos em dúvida sobre a sua conclusão. Aliado a isto, está um desajuste dos actores às personagens, que não conseguiram ainda interiorizar quem são e qual o seu verdadeiro papel nesta história, como é o caso flagrante do Comandante Sinclair e das irritantes menções da Ivanova às suas origens. Com vários episódios medianos, e outros mesmo fracos, como Infection e TKO, não é de estranhar que a primeira temporada de Babylon 5 seja difícil de ver.

E, no entanto, porque nos foi prometido um olhar para o futuro, algo mais do que um simples conflito resolvido em 40 minutos de história, a primeira temporada de Babylon 5 é também aquela que lança os alicerces para a história maior deste universo. Signs and Portents, o episódio que dá o lema à primeira temporada, prova que existe uma história maior do que aquela que conhecemos até agora, que irá mostrar um novo lado de personagens frequentemente usadas como comic relief, como é o caso dos embaixadores Londo Molari (Peter Jurasik) e G’Kar (Andreas Katsulas), e que irá finalmente explicar a verdadeira razão do armistício Minbari e dos segredos de Delenn (Mira Furlan). As verdadeiras intenções de Morden (Ed Wasser), da assustadora Psi-Corps e das sombras que se começam agora a fazer sentir só serão explicadas nas temporadas seguintes, obrigando-nos a ter fé de que esta é, realmente, uma das mais bem arquitectadas histórias de sci-fi.

Que a primeira temporada desilude, é certo, mas para quem tem paciência, encontra a recompensa desde o primeiro minuto da segunda temporada. Porque afinal, sempre há vantagens em ver coisas à distância de mais de uma década.

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One thought on “Babylon 5 S1

  1. Esta é a melhor série sci-fi jamais feita, a season 1 tem alguns episódios mais fracos, mas serve bem como base de lançamento para 3 temporadas ao mais alto nível possível e uma season 5 menos boa mas com o melhor series finale de sempre. Continua pelos caminhos de Bab5 e serás muito recompensada, beyond your wildest dreams, muahahha.

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