Californication S1

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You can’t always get what you want

Ver simultaneamente duas séries pode ser complicado, com o perigo de personagens e mesmo argumentos começarem a sobrepor-se, resultando numa amálgama onde não se percebe onde começa uma história e acaba outra. E se essa é uma regra geral que tenho vindo a descobrir, nada a consegue provar melhor do que a experiência surreal que é ver Californication e X-Files ao mesmo tempo.

Na verdade, o Hank Moody de David Duchovny nada tem a ver com o antigo Fox Mulder do mesmo actor. Hank Moody, um escritor caído em desgraça, drogado, alcoólico e promíscuo, não procura a verdade, como o seu antecessor, mas sim recuperar o tempo perdido com a família que perdeu, especialmente a ex-namorada, Karen (Natascha McElhone), numa obsessão que parece difícil de compreender. Talvez por isso, como disseram muito bem nesta outra crítica, a história pareça um tanto ou quanto desconexa de início, recheada de sexo, drogas, líquidos corporais e histórias paralelas perfeitamente dispensáveis, como a relação entre o agente Charlie (Evan Handler) e a sua secretária masoquista Dani (Rachel Miner).

Felizmente, com o avançar da temporada, a série consegue estabelecer-se, encontrar uma estabilidade entre drama e comédia, entre diversão e seriedade, que a eleva a um outro nível. Embora Californication tivesse já dado provas de que conseguia ser séria em alguns diálogos, geralmente nas conversas entre Hank e Becca (Madeleine Martin), é a partir de California Son que conseguimos finalmente conhecer o verdadeiro Hank Moody, que compreendemos a dor pela perda da mulher que ainda ama e da família que, no fundo, sempre desejou; que percebemos que, por vezes, a culpa não está tão bem entregue quanto pensamos.

E se, no final, a série continua a ser arrojada, por vezes mesmo exagerada nas demonstrações dos vários vícios que afectam as personagens, pelo menos deixa-nos com a sensação de que conseguimos finalmente compreender a personagem principal… e de que nunca mais conseguiremos olhar para a pequena Grace Sheffield (Madeleine Zima) da Nanny da mesma forma

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3 thoughts on “Californication S1

  1. Obrigada pela referência! Com a chegada de séries novas acabei por deixar Californication para trás. Mas assim sendo parece que vou ter de pegar nela outra vez. Talvez agora com a infame greve dos argumentistas!

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