Bleak House

O interesse pelas séries históricas está a despontar um pouco por todo o mundo, recebendo algumas delas valores de produção que não ficam atrás de qualquer blockbuster de Hollywood. Mas para conseguir oferecer um bom produto é preciso mais do que dinheiro: é preciso respeitar uma época, construindo histórias e personagens credíveis que consigam transportar-nos para uma realidade diferente até ao momento dos créditos finais. E nisso a BBC é especialista.

Nesta adaptação do clássico de Charles Dickens, uma batalha legal interminável por causa de um testamento irá mudar para sempre a vida de três jovens que procuram o seu lugar no mundo. Com um elenco extenso, que inclui pequenas aparições especiais de vários conhecidos actores britânicos, personagens excêntricas e surreais e um mistério que se desvenda ao longo dos episódios, “Bleak House” consegue cativar-nos do primeiro ao último minuto, mesmo quando nos deixa adivinhar a imagem final do puzzle.

O longo processo de Jarndyce vs. Jarndyce, que está no centro da história, é apenas um recurso para explorar a decadência da sociedade vitoriana, onde a corrupção, a violência e a morte andam de braços dados com a escalada social e o abuso do poder. De um lado Smallweed (Phil Davis), Tulkinghorn (Charles Dance), Krook (Johnny Vegas); de outro Allan Woodcourt (Richard Harrington), John Jarndyce (Denis Lawson) e os seus protegidos Ada (Carey Mulligan) e Richard (Patrick Kennedy). Esta divisão entre bons e maus, tão simplista nos dias de hoje, funciona bem se aceitarmos que faz parte de uma época que está a ser aqui satirizada. Talvez por isso nesta história os maus sejam mesmo maus, e os bons, incrivelmente bons.

Se Anna Maxwell Martin, no papel da heroína Esther Summerson, consegue apaixonar qualquer um, o grande destaque da série tem de ser dado a Gillian Anderson, irreconhecível no papel da fria Lady Dedlock, uma mulher com um segredo escondido que voltará para assombrar a sua vida. Nas suas (poucas) falas consegue sentir-se o desespero e resignação pelos erros do passado, mas são as suas poses e olhares soturnos, complementados por uma maravilhosa direcção artística, que separam esta série de outras excelentes adaptações literárias.

Provando que servir de correio entre duas cidades tem as suas vantagens, Bleak House foi mais uma boa surpresa da BBC, e deixa um gostinho para experimentar outras.

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10 thoughts on “Bleak House

  1. Se quiseres arranjo-te.
    Acho que vale a pena… é do mesmo autor que teve a brilhante ideia de escolher o Colin Firth para o papel de Mr. Darcy. 😉

  2. oi… amei esse blog…

    gostaria de fazer o download de Break House, voce sabe onde posso fazer?

    e voce poderia me indicar algumas nimiseries legais, ou filmes, no estilo romance de epoca (como Pride and Prejudice)?

  3. A mini-serie em si tem a qualidade caracteristica da BBC…mas Gillian Anderson, no seu papel de Lady Dedlock, está brilhante…Dedlock possui uma força e uma fragilidade que nos confunde e maravilha…as suas expressões faciais quase que magoam, mostrando uma profundidade que nos perturba..
    Já está no tempo de Gillian ter o reconhecimento que merece…

  4. Tb já vi esta! Não sabia que tinhas escrito crítica.
    Gostei imenso… de tudo. A Gillian é que pode muito bem ser uma mais valia para séries deste género. Brutal.
    Gostei muito da personagem da Ada, Esther e do Doctor. 😉

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