Six Feet Under S5

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Everything.
Everyone.
Everywhere.
Ends.

Finais abertos, histórias interrompidas ou séries canceladas a meio são das coisas mais frustrantes para os espectadores que, como eu, gostam de tudo com um princípio, meio e fim. Ao longo dos anos, as frustrações têm sido muitas, mas por vezes há excepções. Por vezes, há a possibilidade de saber exactamente aquilo que acontece e como a história da vida acaba. Por vezes, há histórias que nos conseguem verdadeiramente satisfazer. Mas certamente nunca ninguém conseguiu fazê-lo da mesma forma que Six Feet Under.

Esta foi a primeira série que me fascinou desde o primeiro minuto. Uma série invulgar, com um humor mordaz e uma acção diferente, onde não se hesitava arriscar em benefício da história e dos espectadores. Mas, como muitas outras, também nesta série a história começou a descair a meio das temporadas, com a chegada e partida de várias personagens e a recaída numa espiral de depressão que parecia interminável. A terceira e quarta temporadas foram difíceis de ver, e a razão pela qual muita gente desistiu de seguir a vida da família Fisher. No entanto, quem resistiu foi brindado com uma temporada maravilhosa desde o primeiro até ao último momento, do primeiro ao último diálogo, da primeira à última lágrima.

A quinta temporada não deixa de ser, de forma alguma, uma temporada com problemas, especialmente na sequência do que aconteceu nas anteriores (ou, para dizer a verdade, do que se avizinhava desde o primeiro momento). Mas se esta temporada final foi pesada, triste, destruidora, não deixa de ter alguns dos momentos mais bonitos que já foram vistos em televisão.

Quem vê “A Coat of White Primer” consegue adivinhar que irá assistir a uma verdadeira montanha russa de emoções ao longo da temporada, com os fantasmas do passado que se recusam a desaparecer, mas ninguém imaginava como iria terminar. A relação de Nate (Peter Krause) e Brenda (Rachel Griffiths), conturbada desde o primeiro momento, parecia mesmo assim ser a ideal para as duas personagens, mas acaba destruída por inseguranças pessoais. As traições dos dois ao longo da série são frequentes, mas mesmo assim deixam-nos acreditar que fariam parte da integrante das personagens e da sua luta para encontrarem o caminho de volta um ao outro. No final, no entanto, somos confrontados com a cruel realidade, no momento em que Brenda finalmente cresce e Nate se recusa a fazê-lo.

Vimos Nate, ao longo das temporadas, tentar fugir da vida calma, pacata e opressiva da família, mas a verdade é que nos momentos cruciais foi a ela que regressou. Foi dele a escolha de permanecer com a família na primeira temporada, da realidade de Lisa (Lili Taylor) e Maya na segunda temporada, de Maggie (Tina Holmes) no final. Por mais fque ingisse lutar contra o destino, a palavra final foi sempre sua, e é por isso mesmo que os momentos finais nos deixam com um sabor amargo na boca. Mais do que magoar os outros porque não tem outra hipótese,  Nate é cruel porque assim o entende. “Ecotone” foi, assim, o episódio em que finalmente compreendemos quem é Nate Fisher Jr. e o momento ideal para a sua saída de cena.

Ao contrário de Nate, Brenda foi a personagem que mais mudou ao longo das temporadas. A sua impulsividade e agressividade iniciais deram lugar a uma depressão e passividade que ameaçaram destruí-la completamente. Mas, no final, Brenda aprende a lutar por aquilo que quer, mesmo rebaixada por aqueles que a deveriam apoiar. Parte integral do seu desenvolvimento enquanto personagem foi a relação com a própria família, especialmente com a mãe Margaret (Joanna Cassidy) e com o irmão Billy (Jeremy Sisto), mas o seu grito de independência só chega mesmo no final, quando confronta o seu maior fantasma e escolhe a vida. Fica por atribuir um prémio a Rachel Griffiths pela recta final da temporada, em ex-aequo com Frances Conroy.

Ao longo das cinco temporadas de “Six Feet Under”, Ruth Fisher (Frances Conroy) tornou-se numa das personagens mais marcantes. Dependendo dos outros para construir a sua própria felicidade, Ruth viu-se marcada por vários golpes ao longo das temporadas, com as várias relações desfeitas e as constantes recaídas de George (James Cromwell), mas nenhum golpe foi pior do que aquele que sofreu em “All Alone“, quando tem de lidar com a culpa de chegar tarde demais, de não ter tido a oportunidade de se despedir. O desespero de Ruth ao longo desse episódio é palpável e deixa um aperto no coração mas, ao mesmo tempo, é mais um factor que contribui para a ajudar a aceitar as dificuldades da vida e a seguir o seu caminho. Apoiada pela irmã Sarah (Patricia Clarkson) e pela amiga Bettina (Kathy Bates), Ruth vai crescer e aprender a ser independente.

Ao contrário da mãe, David (Michael C. Hall) foi sempre demasiado independente, com resultados desastrosos. David era aquele com quem todos contavam para resolver os problemas, para lidar com as situações difíceis, em quem todos se apoiavam. Era com ele que Nate partilhava os seus dilemas, e por isso é natural que fosse ele o único a estar presente no momento final. Ao longo das temporadas, David foi aprendendo, lentamente, a confiar nos outros, chegando à quinta temporada com o grande desejo de começar uma família com Keith (Matthew St. Patrick). A viagem de David e Keith é difícil, marcada por problemas individuais, familiares e institucionais, e demonstra a dificuldade que é constituir uma família, mas mostra também a recompensa desse caminho com a chegada de Durrell e Anthony.

Ao contrário de David, a missão de Rico (Freddy Rodriguez) é a de reconstituir uma família que foi despedaçada por dúvidas, dependências, mentiras e desejos. A família Díaz sempre foi mais unida, e mesmo com todos os problemas e dilemas porque passou ao longo das temporadas, parecia sobreviver a tudo. Mas quando se pensava que o final tinha chegado para Rico e Vanessa (Justina Machado), a admissão da culpa de ambas as partes faz com que a reconciliação seja possível e a família possa iniciar uma nova vida, senhora de si própria.

Crescimento foi o lema de Claire (Lauren Ambrose) ao longo de toda a série. Da escola à universidade ao mundo do trabalho, Claire teve de lidar com todos os problemas que a idade lhe foi trazendo, permanecendo sempre como a pessoa mais distante da família. A fama não lhe traz uma realização profissional ou pessoal, como o provam os problemas no relacionamento com Billy e a saída da universidade mas, por entre todas as dúvidas, os corações partidos e o trabalho deprimente, Claire irá permanecer a personagem mais positiva e aquela que marca o futuro da série. Começar uma vida nova implica quebrar com o passado, e a destruição do famoso carro fúnebre verde é um símbolo que marca o início da nova fase da sua vida. Ao som de “Breathe Me” de Sia, Claire inicia o sua viagem para o futuro em “Everyone’s Waiting“, deixando-nos espreitar a vida e morte das personagens que, durante cinco anos, fizeram parte do imaginário de todos os espectadores.

Como um todo, “Six Feet Under” é provavelmente uma das melhores séries que já vi. E se a primeira temporada continua a ser a minha preferida, este caminho final, os últimos 12 episódios, deixarão uma marca que não será facilmente esquecida. Este foi o final ideal para a maratona que é a história da família Fischer, uma família que deixa imensas saudades.

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8 thoughts on “Six Feet Under S5

  1. Ohhhh. Danke.
    Eu pessoalmente gostei mais do Ecotone e do All Alone do que do episódio final. Mas sinceramente, toda a temporada é excelente. Passei 3 episódios inteiros a chorar… é obra, acredita! 😉

  2. É verdade, por isso há que dizê-lo e não agradecer!
    Eu digo que o final é óptimo porque é mto complicado terminar uma série bem, de modo que nos deixe satisfeitos, e então uma série como esta.
    Também me fartei de chorar em vários sítios… 🙂 Mas sim, tu que és a Única pessoa no mundo que não chorou naquele episódio da Anatomia de Grey… 😛

  3. Bah, não queiras comparar Grey’s ao SFU, please, é quase um insulto.
    Pelo contrário, eu até sou bastante emotiva: fartei-me de chorar no penúltimo episódio do The Shield 5… (aquele Disarm dos Smashing Pumpkins deu cabo de mim). E há tantas, mas tantas outras situações. O Grey´s Anatomy é que nunca me conseguiu emocionar assim. 😉

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