Grey’s Anatomy S3

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We’ll have money. We can hire a wife.

Cena cortada no final da terceira temporada: Miranda Bailey (Chandra Wilson) tenta descobrir quando é que Grey’s Anatomy se transformou numa nova versão do Melrose Place.

Grey’s Anatomy foi mais uma grande descoberta da A. Séries de médicos não são novidade, mas esta tinha qualquer coisa de especial que a tornou num sucesso imediato durante duas temporadas. Infelizmente, a terceira temporada deixa muito a desejar, e ao longo dos 25 episódios ficamos com a cabeça à roda a tentar perceber quem é que ainda não dormiu com quem e quem é que se segue na lista de engates.

Talvez a criadora Shonda Rhimes estivesse mais preocupada em desenvolver spin-offs ou tenha resolvido deitar-se à sombra do sucesso anterior… a verdade é que as histórias deixaram de ter qualquer interesse e a série passou a ser apenas uma telenovela seca, cheia de triângulos amorosos dispensáveis e tragédias completamente inacreditáveis.

Algures no início da série Meredith (Ellen Pompeo), ao falar de relacionamentos, afirmou que os estagiários de cirurgia tinham perdido a sua adolescência a estudar e que só agora estavam a passar por uma adolescência tardia. Não me parece desculpa, mas o facto é que as várias personagens parecem adolescentes, sempre a fazer birras e a procurarem a solução mais fácil, sempre sem enfrentarem os problemas.

E ninguém é pior do que Meredith no que toca a birras. Se não vejamos: ela é a pobre menina rica, mal amada pela família, que não se consegue decidir por nenhum dos pretendentes que tem à perna. No fundo, o grande dilema de Meredith resume-se a escolher entre o McDreamy (Patrick Dempsey), o McVet (Chris O’Donnell) e o McSteamy (Eric Dane). Yep, grande dilema… deixa-me cá suicidar a ver se consigo resolver o problema. :s Não se assiste a nenhuma evolução da personagem ao longo das temporadas, nem mesmo quando a tentam chamar de volta ao seio familiar, e apenas tem um pequeno momento redentor, no episódio Wishin’ and Hopin’, quando finalmente resolve confrontar a fonte dos seus grandes problemas: Ellis Grey (numa grande actuação de Kate Burton). Infelizmente, este episódio não foi o suficiente para mudar Meredith, que continua em indecisões até ao final da temporada.

Mas se custa ver que as personagens permanecem inalteradas, o que dizer daquelas que mudaram para pior? Devo ter sido das poucas pessoas que não chorou no final da segunda temporada (come on, era mais do que previsível!!), mas de qualquer forma até achava piada à Izzie (Katherine Heigl) e ao George (T.R Knight). Nesta temporada, pelo contrário, os dois tornaram-se numa sombra do seu potencial. Por maior que fosse o choque de Izzie no início da temporada, nada desculpa a forma como se transforma numa personagem altamente irritante, que só olha para o seu próprio umbigo e que, pelo caminho, destrói a felicidade dos outros. George, por outro lado, depois de alguns momentos emotivos, segue o mesmo caminho de destruição, e acaba por estragar uma personagem que era como o querido irmão mais novo de todos os espectadores da série. E resta saber que problemas o monstro “Gizzie” poderá ainda criar.

Quanto às restantes personagens, acabaram por não ter muito eu fazer para além de ajudarem à disseminação dos triângulos amorosos. O caso mais flagrante é o da Addison “McCheaty” Shepard (Kate Walsh), que é completamente relegada para segundo plano nesta temporada. Assim que se decide o seu status no relacionamento com o marido, acaba por perder toda e qualquer importância, resumindo-se a sua história a uma tentativa (falhada) de subida ao poder e a uma viagem até à Califórnia, em The Other Side of This Life, de preparação para seu spin-off. Não me parece que alguém vá sentir muito a sua falta, nem sequer Richard Weber (James Pickens Jr.), que tem os seus próprios problemas conjugais para resolver e que era provavelmente o único que ainda lhe ligava alguma coisa.

Mas nem tudo foi mau nesta temporada, e para isso temos de agradecer a pessoas como Callie (Sara Ramirez), Alex (Justin Chambers) e, especialmente, Cristina Yang (Sandra Oh) e Preston Burke (Isaiah Washington). Os dois foram, sem sombra de dúvida, os únicos que alegraram a história e que se comportaram com um mínimo de racionalidade. A relação entre os dois foi sempre muito interessante por subverter as convenções: aqui a relutância era da parte da mulher, e o compromisso da parte do homem. Há quem diga que Cristina chega a ser cruel ao desconsiderar repetidamente os amigos, o namorado, os pacientes. Eu cá afirmo que ela é, ao menos, a única personagem verdadeira e que não tem medo de dizer aquilo que pensa. Infelizmente, os problemas da vida real afectaram a história de forma decisiva, e fica por saber o que poderá mais vir a acontecer. Se o primeiro episódio da quarta temporada começar com mais uma pessoa deitada no chão da casa de banho vai haver violência… prometo.

Enfim… depois de todos estes problemas, é difícil saber o que esperar da quarta temporada. A telenovela vai continuar, especialmente agora que a Meredith 2.0 chegou a Seattle Grace… esperemos que Miranda consiga pôr ordem nesta história e que a série recupere.

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13 thoughts on “Grey’s Anatomy S3

  1. Sério, acho que o maior erro de todos de Grey’s foi botar Meredith como protagonista, e não Cristina… Sério, não consigo imaginar uma protagonista mais sem sal.

  2. Gostei bastante do post, penso que retrata muito bem a 3ª temporada desta grande série. Concordo quando referes que as personagens perderam importância, desperdiçando o seu potencial.
    Quanto a mim, já me chateava toda aquela indecisão irritante da Meredith… Não sabe o que faz nem o que quer… É pena que a personagem tenha perdido a sua intensidade e que o relacionamento familiar não tenha sido mais aprofundado.

  3. Sim, também venho comentar este post! 😈 😆

    Eu, muito sinceramente, nunca fui muito à bola com esta série, e por uma única razão: acho-a “aparvalhada” de mais para uma série de médicos (“Scrubs” é de outro campeonato…). Isto, pelo menos, nas duas primeiras temporadas. Aquela desculpa de que os cirurgiões passaram toda a sua adolescência a marrar e que só agora estão a cometer as loucuras que não cometeram quando deviam também não me convence e é isso que me fez torcer o nariz à série.

    Contudo, tenho andado a rever a série na RTP2 e parece-me que melhora consideravelmente com uma segunda visualização. Talvez porque não existem grandes dramalhões como os que começamos a assistir no final da 2ª season. (Só vi o primeiro episódio da 3ª temporada…)

    Bem, o que eu quero realmente dizer é isto: é uma série “girita”. Vê-se, mas não é nada demais (com a excepção de alguns episódios).

  4. Não concordo com metade do que dizes. Tá, é por esta ser uma das minhas séries favoritas e por isso ser incapaz de olhar para ela sem o carinho e a desculpa nos olhos. E olha, porque gosto. Além disso, acho que a série é mais fiel à vida real do que aquilo que tu pedes para a série. E digo isto relativamente à Izzie no início da temporada, por exemplo (quem sofre como ela sofria – admitindo que sofria – torna-se egoísta e sim, só o seu umbigo conta), mas também a Meredith, em parte (na parte da família – eu, no lugar dela, teria, provavelmente, feito o mesmo: a mãe é assustadora e negligente, o pai abandonou-a e aparece a outra a querer ser mãezinha só porque sim? Ora bolas!). Dentre outros momentos.

    Eu acho que esta season teve uma excelente dose de realidade, apesar dos milhares de coisas irritantes. Claro que se pode argumentar que o que se espera de uma série não é o retrato fiel da realidade – mas então corres o risco de acabarem todos “felizes para sempre”. Eu prefiro, em séries deste tipo, retratos mais reais do que irreais.
    Concordo que a eterna indecisão da Meredith foi uma seca. Mas também acrescento que sem ela se teria perdido muita da dinâmica de macho-em-competição da série. Pronto, podia ter-se decidido lá para os últimos episódios. Mas não. E agora, concordo novamente, continua a telenovela, com a maninha mais nova a entrar também no polígono amoroso.
    A Christina e o Burke foram geniais. Tão geniais que aquele fim… enfim. Quem aguenta tanto como o Burke aguentou não desiste no último minuto. Achei estupidamente artificial a forma como o tiraram da série.
    A Miranda, a Callie e aquela irritante (não me lembro do nome, a outra médica que competia com a Miranda) foram as melhores personagens da season. Outra coisa perfeitamente irreal é a Miranda não ter sido escolhida como Chief Resident (ou lá como se chamava o cargo). A Callie?! Pelo amor da santa! Competência à parte, TODA A GENTE sabe que a Miranda é melhor.

    Enfim, eu gostei. Algumas incongruências, algumas escolhas mal feitas, mas eu gostei.

    Ah, e eu não gosto do Alex. Gosto da interacção que a presença dele gera no grupo de internos. Mas não dele.

  5. LOL.
    Bem, mas que testamento. Pois, eu cá continuo na minha… acho que a série se tornou completamente irreal em alguns momentos, e que as personagens não tiveram nenhuma evolução ou, se o fizeram, só foi para pior.

    Até dou um desconto à Meredith, se bem que esse tipo de pessoas que são sempre as “coitadinhas” me irritam profundamente. Realmente a vida dela não foi fácil, mas há que saber sair do buraco, raios. E “disputas de machos” são interessantes durante algum tempo, mas chega-se a um ponto em que fartam. O grande problema da maior parte das séries é conseguirem apresentar relações “normais”, isto é, passarem do romance à vida rotineira sem criarem conflitos e triângulos amorosos. Parecem achar que, assim que se acaba a perseguição, acaba-se o interesse. Pena… o que eu acho é que há falta de sabedoria para desenvolver essa “rotina”.

    Já a Izzie… :s Sinceramente precisa MESMO de um reajuste de mentalidade. ´Nuff said.

    Também fiquei muito triste com a história do Burke e da Cristina, que eram a grande razão para continuar a ver esta série. Espero que a Cristina compense na 4a temporada, se não…

    Ah, e deixa lá…o Alex fica pra mim! Fica ali no baú junto com o Sawyer do Lost, o Vaughn do Alias, o Sam da Battlestar Galactica, etc, etc, etc… 😉

  6. Amiga, o Vaughn não é mau, logo não é para ti. E muito antes de ti, já eu via Alias e babava – meu e mai’ nada. O Sawyer é partilhado, porque senão há porrada. Podes ficar com o Alex e o tal Sam e não digas que vais daqui!!

  7. Ts ts ts… cara amiga: Alias já eu via antes de ti, devorado na SIC e nas fanfictions. Sawyer até pode ser partilhado por ti e pela Fantasma, mas só depois de eu o ter usado até me fartar. Podes juntar o McSteamy aos outros dois, e mais alguns de outras séries.
    Não têm de ser maus para eu gostar, mas se o forem só adiciona um “je ne sais quoi” à história… 😉

  8. Querida, eu vi Alias na SIC, portanto ao mesmo tempo que tu. O MCSteamy podes levar, mas deixas o McDreamy, que gosto dele desde o filme “Can’t buy me love” 😀

  9. Já vi o primeiro episódio da 4ª. Não me convenceu. Parecia primeiro episódio, com apresentações e justificações, a preparar terreno para o que para aí vem. No início de uma 4ª já não devia ser preciso. Enfim, espero que melhore, senão era realmente uma pena.

  10. o que foi dito aqui ja parece ser cliché. esse post, além de erros relativos à série (como aquele em que dizes que foi a Meredith a dizer que eles estão a viver uma adolescência tardia, quando foi Callie – “This is high-school with scalpels”), a série continua a ser um sucesso, sendo a mais vista ainda agora, na 4a temporada, nos EUA (com 18-19 milhoes de espectadores todas as semanas).

    sim, a série teve uma 3a temporada com os seus erros mas discordo com muito o que aqui foi dito. a 3a temporada fez-me gostar de outras personagens, desenvolveu-as, e teve historias muito boas (excepto o 1o episodio, que foi uma nojeira). penso que, apesar de umas coisas serem dispensaveis, esteve muito bem e as personagens continuaram interessantes. voces podem discordar mas o que interessa é que aqueles 18-19 milhoes continuem a ver a série… pois assim ela continua a ser exibida! isso sim, interessa-me. tenho a minha opiniao, como cada um. voces têm a vossa, alias, voces podiam odia-la que a série continuava a ser exibida…. ou não é verdade?

  11. Já viste a 4ª temporada? Eu que não via a GA fui convencida pelo meu irmão a experimentar. Resultado: tenho gostado imenso (só a 4ª temp por agora ; as outras ainda não vi).

    Apreciações?

    – A Izzie está benzinho e a história dela com o George tem piada. (Tens que ver o episódio com o “very old guy”… hilariante.)

    – A Yang é fabulosa! E nesta temporada tem uma “mentora” melhor que ela. 😉

    – A Grey (a I, porque a II é outra e melhor) é uma choninhas. Não percebo o que o Shepherd vê nela. 😛

    – Gosto imenso da personagem da Miranda. Muito bem desenvolvida.

    – E da Callie…

    Merece a pena ver. Indeed.

  12. A quarta temporada fica reservada para o verão – tenho de pedir emprestado às amigas. 🙂

    Já agora – a Grey I sempre foi e sempre será uma choninhas. 😉

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