House S3

Há cada vez mais séries que apostam na banda sonora como suporte de uma história, de uma emoção, como complemento de uma personagem. E se há uma série que o tem conseguido fazer de forma simples mas eficaz, sem abusar, é House.

You Can´t Always Get Wat You Want, dos Rolling Stones, tem sido uma constante desde a primeira temporada, talvez por ser quase a banda sonora da vida do Dr. House. E, nesta terceira temporada, também a banda sonora do Wilson, da Cuddy, do Chase, da Cameron e do Foreman.

Como No Reason nos tinha deixado com um dos maiores cliffhangers de sempre (e, provavelmente, um dos episódios mais intrigantes de toda a série), esperava-se ansiosamente pelo resultado. O início da terceira temporada não desaponta, com a oportunidade de ficar a conhecer uma versão mais radical do médico mais impossível de sempre. Mas mesmo esta sua nova sobriedade não faz com que o House deixe de ser o House. Continua mordaz, impaciente, seguro de si próprio. E, no entanto, ao mesmo tempo, com a intervenção de James Wilson (Robert Sean Leonard) e de Cuddy (Lisa Edelstein), começa a duvidar de si próprio, acabando por cair novamente no vício. A interpretação de Hugh Laurie tem sido brilhante desde o primeiro momento, mas destacou-se no início desta temporada, com a recaída da sua personagem, o que veio servir de catalizador para a grande story-arc, o conflito com Michael Tritter (em mais uma grande interpretação de David Morse.)

Ao contrário das story-arcs anteriores, que envolveram Edward Vogler e Stacey Warner, House parece ter aqui encontrado o seu nemesis. Michael Tritter apresenta-se como aquele que consegue ser tão ou mais perigoso do que House, e não parece disposto a desistir dos seus planos de vingança, mesmo que isso envolva atacar vítimas inocentes. Embora a razão esteja do lado de Tritter, a forma como usa e ameaça os amigos de House faz com que seja considerado o vilão. Já a resolução do conflito, embora não pudesse ter outro resultado, pareceu simples demais, não se assistindo a nenhum avanço das personagens. Fica tudo como dantes. Ou talvez não.

Desta história ninguém consegue sair impune, muito menos House: a recusa em ajudar Wilson, o seu maior defensor, a forma como trata Cuddy, como pressiona os seus subordinados Cameron (Jeniffer Morrison), Chase (Jesse Spencer) e Foreman (Omar Epps) e mesmo algumas das suas atitudes (especialmente em Half-Wit) deixam-nos dúvidas sobre o carácter da personagem.

Mas no fundo, o House será sempre o House: sem finais felizes, sem conseguir alcançar tudo aquilo que pretende… mas divertindo-nos pelo caminho. Venha daí a season 4, por favor…

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6 thoughts on “House S3

  1. Tenho estado a acompanhar a temporada pela FOX e, para mim, a 3ª season de House é a melhor de sempre da série.

    A série deixa de ser aquele “CSI dos hospitais” para se assumir como um verdadeiro drama de personagens. House continua a ser a figura central, mas começa-se a dar muita mais importância às suas relações com os colegas, aos seus vícios e defeitos, mas também os relacionamentos que vão surgindo no Hospital de Princeton. Muitos podem reconhecer que House se está a tornar num Grey’s Anatomy, mas eu considero que a série está a encontrar o seu próprio registo, sem descuidar as características que a fizeram ser amada por muitos: os seus casos clínicos (que já não têm tanta importância como tiveram no passado) e a impressionante personalidade do Dr. Gregory House (GRANDE Hugh Laurie).

    Já agora, gostava de ouvir comentários ao episódio “One Day, One Room”, para saber se sou o único a amar o episódio… 😆

    Mais uma excelente análise.
    Cumps 😉

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