Battlestar Galactica S2

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Apollo, Athena, Artemis, Aphrodite, Ares, Hera, Zeus, Aurora
Lords of Kobol hear our prayers

Battlestar Galactica é ficção científica em nome apenas. Star Trek, X-Files e afins de lado, esta é uma série sobre a queda da humanidade em consequência das suas acções. Sobre família, guerra, religião, doença, tortura, aborto, terrorismo, resistência, política, sobrevivência, morte, conformismo. Sobre o que é, afinal, ser humano.

Mas porque há muitos preconceitos, começo por dedicar estas palavras a duas meninas em especial:

“Science fiction is perhaps best described as a speculative form of fiction which examines the effects of a real or imagined science upon humanity and the society humans fashion for themselves. In that regard, this modern retelling of the campy original television series has taken little more than the premise: an interstellar human civilization destroyed by their own hubris and the robotic beings they themselves fashioned. What happens when such a civilization is faced with imminent destruction – when it knowingly stands upon the brink of likely extinction? And what exactly does artificial intelligence tell us about what it means to be “human?” […]

But a few quibbles aside, the producers recognized an often-overlooked truth: that the best science fiction doesn’t just trot out the special effects; it also focuses on story and even more importantly, the psychology of character evolution. In accordance with the definition noted earlier, science fiction frequently serves as a vehicle for examining, in essence, what it means to be human in the face of certain technological or scientific realities.”

Por W.W. Wello (com grandes spoilers)

Raras são as séries futuristas que debatem o tema das religiões, talvez por se considerar hoje que no futuro irão ser encaradas como superstições. E, no entanto, em Battlestar Galactica apresenta-se um futuro onde se regressa às origens, ao panteísmo e à mitologia, na pessoa dos deuses de Kobol e na origem das 12 Colónias. Mas, mais intrigante do que isso, é descobrir o confronto ideológico que existe entre as crenças humanas e as dos Cylons. Porque defenderão os Cylons um único e verdadeiro Deus? Não lhes basta parecerem humanos, querem provar ser mais do que máquinas, aproximarem-se de Deus, nem que para isso seja necessário sentir, sofrer, morrer. E se são eles os verdadeiros “filhos” da humanidade, porque tentam renegar os ídolos dos seus “pais”?

E se a religião parece ser um ponto fulcral da série, está presente com grande força na figura da professora/presidente/líder religiosa Laura Roslin (Mary McDonnell), mas também nos constantes interlúdios entre Gaius Baltar (James Callis) e Number Six (Tricia Helfer). Enquanto a presidente Roslin e a Six se encontram em extremos opostos, no meio, sem saber bem em quem acreditar, está Gaius Baltar. E se na primeira série se sentiu mais esse dilema, nesta segunda temporada parece estar a aceitar cada vez mais o seu verdadeiro papel como “instrumento de Deus. Nem que isso signifique a destruição da sua raça. Instrumental para esta sua mudança são os constantes interlúdios com Number Six que, na primeira temporada, providenciavam um pouco de comic relief, mas que nesta segunda parte começam a ter cada vez mais significado para a história. Como o foca tantas vezes Six, merecerá a humanidade sobreviver quando são, no fundo, fracos, egoístas? Será a morte necessária para se atingir a humanidade, como o parece provar “Fragged”?

É esta dicotomia das personagens que torna esta série muito interessante. Ao contrário da original (que não, ainda não vi mas prometo pegar-lhe nas férias), Baltar não é um típico vilão. Sim, foi ele o responsável pelo genocídio, e sofre com os remorsos, mas passado o choque do ataque, começa a viver por si e para si. E, no entanto, não consegue deixar de ser humano, como ilustra em nos dois episódios da Pegasus. Todas as cenas com Gina são impressionantes, não só pelo significado que têm para o final da temporada, mas porque finalmente vemos Baltar a mostrar compaixão e, ao mesmo tempo, a escolher o seu lado da batalha.

Nenhuma das personagens de Battlestar Galactica é completamente boa, exemplo do melhor que a humanidade tem para oferecer. A impetuosidade de Adama (Edward James Olmos), o alcoolismo de Tigh (Michael Hogan), o extremismo de Roslin, o desprezo de Starbuck (Katee Sackhoff), a repressão de Lee (Jamie Bamber), o desespero de Tyrol, Helo e Boomer. E no entanto, todas as personagens acabam por ter algo de redentor, algo que as diferencia dos Cylons: serem humanos, reconhecerem os seus erros, e lutarem por algo melhor.

Esta foi a grande descoberta do ano, uma série que não consegue desapontar quem lhe der uma chance. Por isso, fora com os preconceitos, imaginem que tudo isto se passa num porta aviões, onde se planeiam ataques com papel e lápis, onde tanto faltam peças para reparar aviões como linha para coser a roupa e onde, de vez em quando, se intrometem umas “torradeiras” metálicas. Prometo que nem dão pela presença delas!

PS – Já vos disse que a banda sonora é fantástica? Já? Não faz mal, lêem novamente. É fantástica, só é pena não perceber patavina de sânscrito para saber o que andam para ali a cantar… 😛

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9 thoughts on “Battlestar Galactica S2

  1. Eu não sou preconceituosa! Eu até gostava de ver o Stargate! 😛
    Mas tendo outras séries para ver, dou-lhe prioridade às de ficção científica, tal como nos livros, por exemplo. Mas não me ouves dizer que são maus 😉
    E gajos giros, também há no espaço e naves??? 😛

  2. Pah, fica lá com a bicicleta! :p Eu ainda não vi por falta de tempo, mas já te disse que vou ver! (e já agora, receitas? Ah pois é, tens dois filhos-blog, não é só séries, séries, séries! :P)

  3. tirando essas girl-talk tenho a mm opiniao q a autora deste blog, foi mm a descoberta do ano, ja andava pa ver ha uma data de tempo graças a grande recepçao q teve da critica, mas nunca esperei algo tao grandioso e tao ambicioso para uma serie de televisao!! e sim a melhor banda sonora de tds os tempos, a cena onde passa a allegro na season 1 ate me arrepiei :D:D:D, vou começar a ver a season 3.0 e dps ai vem a original para dps comparar(so n vi pq tenho medo de spoilers)

  4. “BSG é MUITO melhor que stargate”

    Não é bem assim, são séries bastante diferentes. BSG é muito dark e séria, SG1 é light e camp. Mesmo assim Sg1 tem bastante qualidade e uma longevidade que BSG nem sequer sonha.

  5. Bom, eu n estava a dizer mal de Stargate, apenas gosto mais do universo de BSG exactamente por ser mais dark. 🙂 mas também gosto de Stargate, e já lá tenho várias temporadas para ver. 🙂

  6. Segunda temporada, check! Nem devia ter esperado tanto tempo porque houve ali uns episódios tão bons, tão bons que já me apetece ver outra vez.

    Gaius e Six são os meus preferidos, sem duvida, com aquelas conversas e trocas entre os dois. As cenas com o Pegasus, wow, não estava à espera. E ver o outro lado da história, com os cylons à conversa em Caprica… Excelente mesmo!

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